Projeto de Constelação Familiar chega ao CR feminino de Araraquara

121

José Augusto Chrispim

O Centro de Ressocialização (CR) feminino de Araraquara iniciou nesse sábado (30) o Projeto do terapeuta sistêmico, Geraldo Martelli, ‘Sua dose de amor’. O trabalho é realizado em conjunto com a diretora da unidade prisional, Dra. Jucélia Gonçalves da Silva.

De acordo com Martelli, o projeto visa conscientizar as detentas para uma ‘vida plena’. Consta do projeto, o trabalho transformador da Constelação Famíliar, bem como a meditação. Ele ressalta que a quinta Ordem da Ajuda contida no livro de Bert Hellinger (o criador da Constelação Famíliar) “Ordens da Ajuda” é o agradecimento ao Universo, e esta é a forma encontrada de realizar este feito, “doação de tempo ao próximo”.

Os encontros serão quinzenais aos sábados das 19h às 22h. No projeto inicial determinado pela diretora do CR, além dela, participarão dos eventos o terapeuta e alguns convidados esporádicos, como a engenheira Tamara Lima, que esteve presente ao primeiro encontro. Ela também busca uma forma de colaborar com o ser humano, tendo consciência deste benefício a sua existência e de seu Sistema Familiar.

Qualidade de vida

Para a diretora do CR, Jucélia Gonçalves, o trabalho do terapeuta visa melhorar a qualidade de vida das presas diminuindo a ansiedade e a depressão. “Sou uma admiradora do Geraldo por sua experiência e profissionalismo, visando sempre contribuir com o avanço de Araraquara. Quando ele soube do trabalho realizado aqui no CR se disponibilizou a realizar palestras visando melhorar a qualidade de vida dessas mulheres. Por se tratar de uma terapia em grupo, participará somente quem tiver interesse. Estamos inovando com a aplicação da terapia sistêmica dentro de um presídio, no entanto, a abordagem apresenta uma vasta gama de aplicações práticas devido aos seus efeitos esclarecedores no campo das relações humanas. Em 2018, no Brasil, o Ministério da Saúde, incluiu a sua prática no Sistema Único de Saúde (SUS), como parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares PNPIC. O país é o pioneiro no uso das Constelações Familiares pelo Judiciário, trabalho que se iniciou com o Juiz Sami Storch. Os dados do judiciário mostram que o uso da Constelação Familiar aumentou significativamente os índices de conciliação em processos judiciais. No judiciário, a intenção não é fazer terapia, mas a conciliação. No ambiente prisional é auxiliar na ressocialização e resgate dos vínculos afetivos e familiares”, explica Jucélia.

Doação ao próximo

“O ser humano tem que encontrar tempo e maneira para doar-se ao trabalho voluntariado de acordo com seus dons. Vivemos hoje a ‘Era do Propósito’ e não serão mais toleradas pessoas que ficam sem tomar partido das exclusões que existem dentro do Sistema Universo”, destaca Martelli que acrescenta que em um futuro próximo será apresentado o projeto também no CR masculino de Araraquara.