Policial da ROCAM orienta como agir em tiroteios e sequestros

52

O assalto ao Aeroporto Internacional de Viracopos, que sitiou uma regi√£o de Campinas na manh√£ dessa quinta-feira (16), causou p√Ęnico entre pessoas que estavam no local, nas imedia√ß√Ķes da Rodovia Santos Dumont e entre moradores de um bairro onde os assaltantes fizeram ref√©ns durante a fuga. A quadrilha, com pelo menos 12 bandidos, usou fuzis e metralhadoras, entre elas uma .50, com poder de derrubar aeronaves. Em quest√£o de minutos, as redes sociais foram tomadas por v√≠deos de pessoas tentando se proteger durante um intenso tiroteio que durou v√°rios minutos.

Em situa√ß√Ķes como essa, qual a melhor atitude a adotar para preservar a vida? O policial militar Jos√© Ant√īnio Alves da Costa, o Cabo Alves da ROCAM (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) de S√£o Paulo, explica que, em uma troca de tiros, √© quase imposs√≠vel um cidad√£o saber de onde v√™m os disparos.¬†‚ÄúN√£o se sabe de onde v√™m os tiros da pol√≠cia e dos criminosos. A primeira coisa a fazer √© se abaixar e, depois de reduzir o risco de ser atingido, procurar abrigo seguro‚ÄĚ, observa.

Com 25 anos de atua√ß√£o na PM, Alves refor√ßa a import√Ęncia de escolher bem os locais para se abrigar. Tem que analisar o tipo de cobertura porque o fato de voc√™ estar abrigado n√£o quer dizer que estar√° protegido.¬†‚ÄúUma barreira de madeira, por exemplo, n√£o seria a melhor escolha porque ela pode ser perfurada pelos disparos. √Č preciso escolher objetos s√≥lidos como concreto, bloco de motor de um carro ou de uma motocicleta, um poste. Isso pode ajudar a proteger a sua vida. Fora isso, n√£o h√° nada que se possa fazer contra um armamento dessa grandeza (metralhadora .50). √Č um poder de fogo muito grande‚ÄĚ, diz.

Cabo Alves diz que a metralhadora .50 usada no assalto cinematogr√°fico √© de uso exclusivo das For√ßas Armadas.¬†‚Äú√Č um armamento raro de se encontrar. No Brasil, nenhuma pol√≠cia de estado usa. Ent√£o, imagine o grau de dificuldade da pol√≠cia agir em assaltos de grandes valores com quadrilhas armadas com este equipamento‚ÄĚ,¬†pondera.

Nos casos de sequestro, orienta Alves, a v√≠tima deve, na medida do poss√≠vel, manter a calma e seguir as orienta√ß√Ķes dos criminosos.¬†‚ÄúUm sequestro √© algo inesperado, √© muito dif√≠cil passar por uma situa√ß√£o como essa. Ficar calmo √© importante para manter a linha de racioc√≠nio e tentar pensar no que vai falar e fazer para n√£o provocar atrito com os bandidos‚ÄĚ, comenta.

Alves diz que √© importante tentar entender o que pode ser feito para colaborar com o sequestrador e evitar o pior.¬†‚ÄúA ideia √© preservar a vida. √Č preciso colaborar com o criminoso, na medida do poss√≠vel, porque n√£o sabemos se voc√™ estar√° lidando com algu√©m desequilibrado ou com problemas psiqui√°tricos. Se a motiva√ß√£o do bandido for o roubo, tudo o que ele quer √© fugir com o dinheiro. E, se algo der errado, eles podem ser violentos e matar algu√©m para que todos entendam que eles n√£o est√£o brincando‚ÄĚ, completa o policial.

 

Os bandidos fecharam a Rodovia Santos Dumont durante a ação criminosa