Edição especial de aniversário de Araraquara

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Imigração e “Caminhos de Ferro”

No ano de 1850, cedendo a pressões de outros países para que cumprisse três Tratados internacionais que havia assinado, o Brasil promulgou a Lei Euzébio de Queiróz, que extinguia a prática de tráfico de escravos. A promulgação da nova lei fomentou a imigração estrangeira para suprir a falta de mão de obra atraindo muitos alemães e italianos ao Brasil. Dois anos depois, em 1852, pela lei nº 641, de 26 de junho, o governo foi autorizado a conceder a uma ou mais empresas o direito de construir um caminho de Ferro que fosse terminar nas Províncias de Minas e São Paulo. O prazo era de 90 anos, garantia de juros de 5% e a obrigação por parte da Companhia de não possuir escravos.

 Produção nos primeiros tempos

O rendimento da Câmara de Araraquara em 1861 era de 590$000, sendo 310$000 da Vila, 180$000 do distrito de Jaboticabal e 100$000 do distrito de São Carlos. Um ano depois, pelos registros da época, a Vila de São Bento de Araraquara informou ao Presidente da Província que aqui se produzia por ano: “2.000 cabeças de gado; 70.000 porcos; 1.000 arrobas de fumo; 5.000 arrobas de algodão; 20.000 arrobas de café e 4.000 canadas de aguardente”. Além disso, a Vila possuía 30 fábricas de “assucar”.

Já em 1863 a Câmara de Araraquara felicitou por ofício “…S. Majestade o Imperador pelo brio e energia com que soube sustentar a honra nacional na questão britânica da Côrte”. Um ano depois, em 1864, estourou a Guerra Civil no Uruguai envolvendo cidadãos brasileiros radicados naquele país e criando incidentes e violações na fronteira com o Brasil, o que gerou a reação e protestos do Rio Grande do Sul. Diante disso, D. Pedro-II declarou Guerra ao Uruguai.

Guerra do Paraguai

Em reação a ação brasileira no Uruguai, o ditador paraguaio Solano Lopes, em 11 de novembro de 1864, aprisionou o vapor brasileiro Marquês de Olinda, que tinha a bordo o Presidente da Província do Mato Grosso. Pouco depois, Solano Lopes ordena a invasão do Mato Grosso por tropas paraguaias. A indignação no Brasil foi imediata, é promulgada a lei de criação dos Corpos de Voluntários da Pátria e estoura a Guerra do Paraguai.

Em Araraquara se procediam entusiasmadas manifestações de patriotismo, havendo grande movimentação das autoridades e do povo no sentido de se formar um contingente de jovens araraquarenses para servir a Pátria. Araraquara mandou 32 jovens para os campos de batalha, pouco mais da metade deles retornou com vida. O detalhe a ser registrado é que daqui não partiram escravos para Guerra, todos os voluntários eram de famílias conhecidas na comunidade.