Violência policial explodiu em 2019

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, 80% dos mortos eram negros

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A polícia brasileira nunca matou tantas pessoas como no ano passado. Quase 80% delas, pessoas negras. A proporção de policiais negros assassinados em 2019 também aumentou. Os dados sobre a violência policial no primeiro ano do governo Bolsonaro acabam de ser divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020. O Anuário se baseia em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelo Tesouro Nacional, pelas polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais da Segurança Pública. A publicação é uma ferramenta importante para a promoção da transparência e da prestação de contas na área, contribuindo para a melhoria da qualidade dos dados. Além disso, produz conhecimento, incentiva a avaliação de políticas públicas e promove o debate de novos temas na agenda do setor. Trata-se do mais amplo retrato da segurança pública brasileira.

Para Vilma Reis, uma das mais importantes líderes antirracistas no Brasil, que foi ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, “o país assiste a um genocídio cotidiano do povo negro”.

“A gente está olhando para os números e percebendo que, enquanto o Brasil faz de conta que não tem problemas raciais, um racismo estrutural que organiza as relações sociais do país, quem morre e quem mata são exatamente proporcionalmente muito mais negros do que brancos”, disse ao UOL Renato Sergio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram 6.357 mortos pela polícia em 2019, contra 6.175 em 2018. Foram 172 policiais mortos em 2019 e 313 em 2018; desses, 65% eram negros, contra 51,7% em 2018.

Três a cada quatro eram jovens, com idades entre 15 a 29 anos: 23,5% tinham entre 15 e 19 anos; 31,2% tinham entre 20 e 24 anos; 19,1% tinham entre 25 e 29 anos.

Foto: Divulgação