Eleições: PT, esquerda e mulheres saem derrotados

O segundo turno das eleições municipais 2020 consolidaram a vitória dos partidos de centro

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O segundo turno das eleições municipais pelo Brasil consolidou um cenário que já se apresentava no primeiro: a esquerda e o bolsonarismo saem fragilizados, enquanto o centro se mostra o grande vencedor. A análise foi feita pelos colunistas dos UOL junto a especialistas e políticos.

A transmissão da análise começou às 17h, logo após o fechamento das urnas na maioria das cidades, e terminou às 21h quando boa parte das prefeituras já estavam definidas. Além dos analistas do UOL, participaram cientistas políticos, sociólogos, especialistas em segurança de dados e parlamentares do PSOL e do PSDB.

A primeira observação é de que o PT, um partido tradicional da esquerda, saiu destas eleições como o maior perdedor. Apesar de disputar em 15 cidades, o partido foi derrotado em 11. Levou apenas Contagem-MG, Juiz de Fora-MG, Diadema-SP e Mauá-SP.

Pela primeira vez desde 1985, não elegeu prefeito nas capitais. Disputava em duas: Recife e Vitória. Na última, perdeu para Delegado Pazolini do Republicanos.

Segundo destacou Tales Farias, a maior derrota do partido foi em Recife, onde a candidata Marília Arraes perdeu para seu primo João Campos (PSB). “Ficou uma disputa familiar ali que não sei se, para a esquerda e para a cidade do Recife, vai ser boa. O menino é totalmente inexperiente”, destaca.

Fake news

Além disso, a esquerda como um todo mostrou que ainda tem muita dificuldade de vencer discursos de “anticomunismo” e as fake news. Além de Arraes, Manuela D’ávila do PCdoB também perdeu em Porto Alegre. Em ambos os casos, as notícias falsas foram a maior estratégia de campanha de seus adversários nessa reta final.

Para a socióloga Flávia Rios, a potência das fake news mostra que, apesar de também ter sido um grande perdedor, o bolsonarismo mostra ainda seus impactos. “Se o bolsonarismo perde do ponto de vista numérico, não perde ainda no debate.”

Mulheres

A colunista Maria Carolina Trevisan ressalta que as mulheres foram as maiores vítimas das campanhas de desinformação, e é endossada por Flávia que destaca a derrota nas urnas dessas mesmas mulheres.

As mulheres perderam muito nessas eleições, não houve alteração no percentual de candidaturas de mulheres prefeitas eleitas. Flávia Rios, socióloga.

Apesar de derrota, Boulos vence

Porém, apesar da grande derrota das esquerdas pelo país, o candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo se mostrou como uma novidade e teve seus ganhos nessa eleição. “Não importa o resultado em São Paulo, vencendo ou perdendo, o Guilherme Boulos se consolida como uma grande novidade, abriu-se finalmente uma frincha, uma rachadura, naquela eterna hegemonia do PT”, diz Josias de Souza.

Segundo Josias, Boulos se projeta agora como uma candidatura viável para os próximos anos, seja como governador ou como presidente. Além disso, compara a trajetória do psolista com a do ex-presidente Lula, que também perdeu diversas vezes antes de finalmente ocupar a cadeira da presidência.

Questionada se Boulos deverá ser um nome nas eleições de 2022, a deputada do PSOL Sâmia Bomfim disse que ainda é cedo para dizer, “mas sem dúvidas o Boulos sai muito gabaritado para ser um candidato”, diz.

Além da vitória individual de Boulos em termos de projeção, o PSOL também conquistou uma capital. Belém foi a primeira cidade a ter um prefeito eleito, o psolista Edmilson Rodrigues.

“Se antes o PSOL era visto como um partido de parlamentares, agora é visto como partido com ‘P’ maiúsculo”. Comemorou Sâmia Bomfim. Segundo ela, essa eleição foi um “divisor de águas”. “Agora teremos uma prefeitura para mostrar o jeito PSOL de governar.

Partidos de centro cada vez mais fortes

Essa eleição consolidou a vitória dos partidos de centro. Mesmo em São Paulo, com a vitória do PSDB com Bruno Covas — um partido tradicionalmente à direita — o discurso foi mais moderado.

“Tivemos uma disputa bastante tradicional em São Paulo”, destaca o colunista Reinaldo Azevedo. “Uma frente de centro-direita que sempre disputa em São Paulo e uma frente do centro-esquerda que é uma novidade.”

Contando primeiro e segundo turno, o MDB levou cinco capitais e o DEM e PSDB, quatro cada um. Segundo os analistas, esse cenário já projeta como deve ser as eleições presidenciais em 2022 e até a vida do futuro presidente do Brasil, no qual o diálogo com o centrão vai ser fundamental.

“Seja quem for o presidente eleito em 2022, ele vai ter lidar com essa realidade: o atual já está no colo do Centrão, o próximo também estará”, destaca Josias de Souza.

Embora o centro também tenha vencido em Recife com João Campos, os colunistas ressaltam que a campanha na capital se distanciou da proposta de um centro e flertou com a extrema-direita. “Não foi a centro-esquerda que ganhou no Recife, ali quem ganhou foi a extrema-direita”, diz Reinaldo Azevedo.

Foto: Divulgação