Edinho quer preparar Araraquara para enfrentar os desafios do pós-pandemia

“Temos que cuidar de pessoas, cuidar de vidas e preparar a cidade para os desafios do futuro”, disse o prefeito

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José Augusto Chrispim

A corrida eleitoral está a todo vapor e, até agora, sete candidatos já se apresentaram para disputarem a Prefeitura de Araraquara com o atual prefeito Edinho Silva (PT). O petista concorre à reeleição pela coligação “Cuidando de Araraquara”, formada pelo PT, PP, PCdoB, PSC, PSD, PL e Solidariedade. A candidatura oficial de Edinho Silva e Damiano Neto (PP) foi lançada nessa sexta-feira (18) e conta com o apoio de 136 candidaturas à Câmara Municipal.

Edinho está em seu terceiro mandato, que teve início em 2017 e termina no final deste ano. Antes, ele já esteve à frente da Prefeitura de Araraquara entre os anos de 2001 e 2004 e de 2005 a 2008.

Caso seja reeleito, Edinho será o prefeito com maior tempo à frente da Prefeitura de Araraquara, com 16 anos. O prefeito com mais tempo até agora, foi Waldemar De Santi, com 14 anos e três meses, em três mandatos.

O Imparcial conversou com o candidato Edinho Silva, que falou sobre suas expectativas para o processo eleitoral que acontece em novembro.

Confira a entrevista na íntegra.

O Imparcial: Qual é a sua principal motivação para concorrer ao quarto mandato como prefeito de Araraquara?

Edinho: “Primeiro, porque eu gosto de Araraquara. Se ser bairrista é defeito, esse é um defeito que eu tenho. Gosto da cidade, gosto de ser prefeito, gosto de cuidar da cidade, de cuidar de pessoas, de estar com as pessoas. Então, ser prefeito de Araraquara, para mim, é um imenso prazer e uma satisfação. Eu peguei a cidade de Araraquara, em 2017, em uma situação muito difícil, extremamente crítica. Trabalhei muito, muito mesmo, junto com as nossas equipes, para que eu pudesse, minimamente, iniciar o processo de recuperação das finanças públicas. Peguei uma cidade que não tinha acesso a crédito, com todas as equipes de manutenção desorganizadas, sem nenhuma capacidade de investimento. Araraquara, em uma coisa que nunca tinha ocorrido na sua história, estava com falta de água porque a cidade teve crescimento urbano grande, principalmente na região norte, e sem perfuração de poço artesiano e reservatório. Peguei a cidade sem medicamentos nas unidades de saúde, as UPAs vivendo uma crise imensa de atendimento, com boletim de ocorrência e polícia na porta por falta de atendimento. Enfim, uma situação muito difícil. Trabalhamos muito. Resolvemos todos os problemas? É claro que não, porque são problemas que serão resolvidos com o tempo e com muito trabalho, mas hoje a cidade recuperou sua capacidade de manutenção. A população de Araraquara tem visto a cidade sendo limpa. Nós temos equipes de tapa-buracos e recapeamento, equipes de construção de canaletas, de podas de árvores. A cidade, minimamente, recuperou sua capacidade de manutenção. Resolvemos problemas de falta de água, perfuramos poços artesianos, construímos reservatórios, principalmente na região norte, onde tínhamos uma situação agravada. A cidade, de novo, teve acesso a crédito. Conseguimos recursos para resolver problemas graves. Trouxemos de volta o Orçamento Participativo, instituindo essa forma transformadora em que o povo exerce o poder. Fizemos muito, mas tem muito ainda o que fazer. Em mais quatro anos, eu consigo entregar a cidade em uma situação bem melhor do que ela está hoje. A cidade está bem melhor do que em 2017, mas eu tenho condições, se a população de Araraquara me der mais quatro anos, de entregar a cidade bem melhor no final do segundo mandato”.

O Imparcial: Quais bandeiras você defende como candidato?

Edinho: “Defendo, principalmente, darmos continuidade ao trabalho que estamos realizando. Fortalecermos ainda mais o Orçamento Participativo, que é uma forma inovadora e transformadora de exercício do poder, que é quando o povo escolhe o que é importante para a cidade e a Prefeitura trabalha para executar as obras. O Orçamento Participativo é uma forma inovadora porque entrega o poder para quem de fato tem poder, que é o povo. Nós, que exercemos cargos públicos, somos representantes da população, não somos substitutos da população. Fortalecer o OP e preparar Araraquara para o pós-pandemia, que é o grande desafio da cidade. Estamos conseguindo enfrentar a pandemia salvando vidas, cuidando do povo de Araraquara. Criamos uma estrutura que hoje é referência para o Brasil. Araraquara tem a menor letalidade do estado de São Paulo, a menor letalidade entre cidades maiores de 200 mil habitantes do Brasil. Cuidamos para que Araraquara salvasse vidas e, agora, temos que trabalhar para que Araraquara volte a crescer no pós-pandemia. Que a gente continue atraindo investimentos para a cidade, como estamos atraindo empresas, incentivando as empresas locais. Tem um projeto que quero implementar no meu segundo mandato, caso eu ganhe as eleições, que é a incubadora de startups, para que a gente fomente empresas de alta tecnologia. Quando tive oportunidade de visitar a China, eu vi esse projeto e ele funciona, cria os empregos do futuro. Esse é um projeto que vamos colocar como prioridade no segundo mandato. E, principalmente, fortalecer os projetos de geração de trabalho e renda, os projetos sociais que a Prefeitura tem implementado e que têm ajudado muito a população nessa situação de dificuldade. Temos que cuidar de pessoas, cuidar de vidas e preparar Araraquara para o futuro, para o pós-pandemia. Essa tem que ser nossa prioridade”.

O Imparcial: Na última eleição municipal, o PT perdeu muito espaço em todo o país. O candidato acha que nesta eleição o partido pode dar a volta por cima ou acredita que a onda bolsonarista ainda terá efeito sobre as eleições?

Edinho: “Eu não acredito que as eleições municipais sejam definidas por recorte ideológico e partidário. As eleições municipais são definidas por aqueles que apresentam propostas reais, concretas, de melhorias da cidade. A população escolhe o prefeito por aquele que está mais preparado para resolver os problemas da cidade. Nas eleições municipais de 2020, teremos uma tônica que é a dinâmica da pandemia. Vamos disputar as eleições nesse ambiente da pandemia. Isso vai ter muito peso junto ao eleitorado, mas as cidades, cada uma dentro do seu contexto, escolherão seus candidatos a prefeito e vereadores que têm mais condições de resolver os problemas. No nosso caso, quem estiver mais preparado para fazer com que a cidade responda no pós-pandemia. Quem tiver os melhores projetos, as melhores propostas. Isso terá muito peso nas eleições de 2020”.

O Imparcial: Quais são os projetos que gostaria de implantar na cidade e que não conseguiu implantar?

Edinho: “Na situação em que peguei Araraquara em 2017, a minha prioridade foi restabelecer o funcionamento da cidade, equacionar o endividamento e resolver os problemas que a cidade enfrentava. Não tínhamos equipes de manutenção, os postos de saúde estavam desabastecidos, faltando médicos em unidades, as UPAs precarizadas, faltando investimentos na área social para atender a população em vulnerabilidade, não tínhamos programas para a juventude, as Escolinhas de Esportes praticamente inexistentes, as Oficinas Culturais desestruturadas, monitores de esporte sem receber salários, as áreas de lazer dos bairros abandonadas, vias públicas sem manutenção. Claro que a minha prioridade, em 2017, era criar condições para que a cidade começasse a funcionar. Para a saúde funcionar, para que a merenda escolar pudesse acabar com essa coisa de alimentos embutidos e passasse a ter uma merenda de qualidade, para trazer de volta o Orçamento Participativo. Trabalhamos muito. Resolvemos os problemas financeiros? Não. Equacionamos e organizamos melhor as finanças, mas a cidade está funcionando. Temos equipes de manutenção, os programas sociais foram reorganizados, as Oficinas Culturais e as Escolinhas de Esportes voltaram a funcionar, os monitores de esportes foram valorizados, instituímos carreira para monitor e para técnico, trouxemos de volta o Orçamento Participativo, a Prefeitura recuperou a capacidade de investimento, as UPAs estão funcionando, os programas de saúde voltaram a funcionar, obras começaram a acontecer nos bairros mais esquecidos da cidade, acabamos com a falta de água no município. Muita coisa foi feita. Agora temos que continuar fazendo. E o principal desafio é o pós-pandemia. Temos que continuar fazendo com que Araraquara tenha visibilidade nacional, como aconteceu no enfrentamento à Covid-19, sendo notícia no Brasil inteiro, chamando atenção de investidores e empresários. Tem muita coisa boa para acontecer em Araraquara, que voltou a ser notícia positiva nacionalmente. Mortalidade infantil entre as menores do Brasil, menor letalidade do coronavírus. O pós-pandemia será o grande desafio de Araraquara: atrair investimentos, gerar empregos, incentivar os programas de trabalho e renda, fortalecer os programas sociais, investir em qualificação profissional, fortalecer os programas para a juventude (como o Jovem Cidadão), fortalecer as micro e pequenas empresas do município, instituir a incubadora de startups. O desafio de Araraquara em 2021, no pós-pandemia, será fazer com que a cidade gere trabalho e renda para o seu povo”.

O Imparcial: O projeto que atualizou a Planta Genérica de Valores do Município e aumentou muito os valores do IPTU, em alguns casos, gerou muita polêmica. O candidato acredita que ele poderia ter sido feito de outra forma, menos impactante aos contribuintes?

Edinho: “A revisão da Planta Genérica é uma exigência do Tribunal de Contas, que apontou por que a cidade estava havia tanto tempo com a Planta Genérica desatualizada. Então, é uma exigência legal a atualização. Inclusive, e eu já sugeri isso a nossa Câmara Municipal, isso tem que estar na Lei Orgânica do Município. A cada três, quatro anos, a cidade revisar sua Planta Genérica. A revisão não significa subir tributos. Significa você atualizar, porque tem regiões que desvalorizam e que os tributos têm que cair, e outras são valorizadas e os tributos têm que subir. A atualização não significa aumento de arrecadação, significa justiça tributária, porque tem muitas regiões que se desvalorizam ao longo do tempo. É claro que, se cometemos incorreções na atualização, isso tem que ser revisto, e a Prefeitura tem instrumentos para fazer essa revisão caso algum contribuinte entenda que sua valorização não foi correta”.

O Imparcial: Dê uma mensagem aos araraquarenses e diga por que merece o voto deles?

Edinho: “Nós, em quatro anos, fizemos a lição de casa. Conseguimos equalizar e administrar a dívida pública, conseguimos fazer com que Araraquara funcionasse, tivesse equipes de manutenção de vias públicas, de áreas verdes e das nossas praças, conseguimos que a cidade tivesse os programas de saúde funcionando, os postos de saúde com medicamento, as UPAs funcionando. Voltamos com o Orçamento Participativo, que é uma forma inovadora e transformadora de gestão e que tem que ser incentivada. O poder é exercido diretamente pelo povo, que é quem decide os rumos da cidade. Isso fez com que, por exemplo, nós fizéssemos as obras para que o Pronto-Socorro do Melhado voltasse a funcionar. Fez com que investíssemos em vários equipamentos da educação, construíssemos escolas e creches na região norte de Araraquara. Fez com que nós instituíssemos programas de justiça social, que a cidade cuidasse melhor de seu povo. Nós enfrentamos uma pandemia, que foi o nosso maior desafio, e a cidade cuidou de seu povo e salvou vidas. Eu penso que Araraquara, nos últimos quatro anos, superou desafios e dificuldades. Se o povo de Araraquara me der mais quatro anos, eu poderei dar continuidade a essa transformação, terei condições de preparar a cidade para o pós-pandemia, para a atração de investimentos, de empresas, de fortalecimento da economia local, de desenvolvimento das novas tecnologias, de criação da nossa incubadora de startups para que a cidade desenvolva empresas de novas tecnologias. Nestes próximos quatro anos, se o povo de Araraquara me der oportunidade, vou preparar Araraquara para o futuro, para que a gente cresça, se desenvolva, gere empregos, gere renda e gere trabalho para o nosso povo”, finalizou Edinho.