Covid-19: “Araraquara se preparou para cuidar da vida da população”, afirma Edinho

Em entrevista, prefeito de Araraquara fala sobre os desafios no combate ao novo coronavírus e outros assuntos relacionados à administração municipal

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Em entrevista, prefeito de Araraquara fala sobre os desafios no combate ao novo coronavírus e outros assuntos relacionados à administração municipal Araraquara tem estrutura de saúde para dar segurança à população no
enfrentamento à pandemia da Covid-19, causada pelo novo coronavírus, afirma o prefeito Edinho em entrevista exclusiva ao Jornal O Imparcial.

O prefeito ressalta que o Município tomou todas as medidas necessárias, como a criação do Hospital de Campanha (com 20 leitos de UTI e 31 de enfermaria), a implantação do Polo de Triagem na UPA da Vila Xavier (nove leitos UTI e 19 de
enfermaria), a estruturação da rede municipal de saúde, parceria com Unesp e Uniara a entre outras ações.
A ampla testagem, em parceria com a Unesp e Uniara, e a internação preventiva de pacientes sintomáticos também reduziram a mortalidade: até esta quinta-feira (18)
são oito óbitos registrados em 670 casos, em uma letalidade de 1,19% — mesmo padrão dos países europeus que mais fizeram diagnósticos (entre 1% e 1,5%).
Na entrevista abaixo, Edinho também aborda a retomada gradual das atividades econômicas, a relação com Governo do Estado e Governo Federal durante a pandemia, a queda nos índices de mortalidade infantil e de mortes no trânsito,
entre outros temas importantes. Confira na íntegra:

Quais foram as principais medidas que a Prefeitura adotou desde o início da pandemia da Covid-19?

Araraquara tem uma estrutura que dá segurança à nossa população. Certamente, é uma das cidades mai estruturadas do estado de São Paulo para o enfrentamento ao novo coronavírus. E por que temos essa estrutura privilegiada? Devido às medidas que nós tomamos desde o mês de março. Desde a criação do Comitê de Contingência da doença; a criação do Disque-Saúde, o nosso 0800 para que a gente fizesse triagem por telefone; a criação das equipes de bloqueio para isolamento e monitoramento dos positivados; a expansão dos horários da nossa rede básica de saúde; a estruturação da UPA da Vila Xavier como centro de referência dos sintomáticos com coronavírus; a parceria com a Unesp, que nos deu muita agilidade nos exames e favoreceu as medidas de prevenção que a cidade poderia tomar, pois, quando nós descobríamos que alguém estava positivado, nós imediatamente fazíamos o isolamento não só dos positivados, mas também dos comunicantes; a parceria com a Uniara para ampliação de testes para o chamado inquérito sorológico (saber quem já teve contato com o vírus) e, claro, a criação do Hospital da Solidariedade, que é o único hospital de campanha de toda a região,
um dos poucos do interior de São Paulo e que nos deu uma expansão de leitos que nos dá segurança e garantias para a nossa população que venha a ser contaminada. Inclusive, nos dá condições para que Araraquara possa com responsabilidade e segurança, cumprir o decreto do Governo do Estado e propiciara flexibilização e a retomada gradual das atividades econômicas. A nossa região,graças a muitas das medidas que Araraquara tomou, é uma das poucas regiões do estado de São Paulo em condições de retomada da economia. Então, Araraquara está segura, tem estrutura e tem condições de cuidar da vida da nossa população.

A mudança da fase amarela para a fase laranja do Plano São Paulo muda a maneira com que a Prefeitura enfrenta a pandemia?

Não. Só faz com que nos adaptemos a um crescimento da doença para o interior do estado. É notório que a doença cresceu para o interior, mas estamos seguros,porque fizemos a lição de casa. Criamos uma estrutura privilegiada de atendimento à nossa população. Estamos dando garantias à população de Araraquara de que a cidade está estruturada e preparada para o enfrentamento da doença.

Como tem sido o diálogo entre a Prefeitura e os setores econômicos nesta retomada gradual das atividades econômicas?

Tem sido da forma mais democrática e transparente possível. Toda vez que existe alguma mudança de orientação por parte do Governo do Estado, nós não fazemos absolutamente nada de cima para baixo, não fazemos nada sem estarmos dialogando com a população, com as entidades representativas do empresariado,as entidades representativas dos trabalhadores e, também, com o Ministério Público, que é quem tem a responsabilidade de fazer a defesa dos direitos difusos da sociedade. A Prefeitura de Araraquara age com diálogo, com muita democracia,respeitando as entidades representativas da nossa cidade.

Como está a relação com o Governo do Estado e o Governo Federal?

O Governo do Estado reconhece todo o trabalho que a Prefeitura de Araraquara tem feito. Inclusive, nos doou dez respiradores para o hospital de campanha,reconhecendo o trabalho da Prefeitura e o papel que o nosso Hospital da
Solidariedade tem no atendimento à saúde da nossa população e da população da região. Também, a nosso pedido, liberou recursos para mais dez leitos de UTI para
atendimento de Covid-19 na Santa Casa. É uma relação de muito respeito e de reconhecimento ao esforço que a Prefeitura tem feito em defesa da vida da nossa população. E a relação com o Governo Federal é muito distante, porque não existe uma interlocução com os governadores e muito menos com os municípios. A nossa interlocução, neste momento, para enfrentamento da doença é muito mais com os outros prefeitos e com o Governo do Estado. Agradeço ao governador João Doria pelo reconhecimento ao trabalho feito por Araraquara no enfrentamento à doença,e por todas as parcerias construídas. Quando se coloca o interesse público acima de quaisquer outros interesses, quem ganha é o povo.

Qual é a atual situação da mortalidade infantil em Araraquara? Houve queda nos indicadores?

Houve uma queda significativa. Nós voltamos à marca de 2005, que é uma marca histórica para nossa cidade, invejável, de país de primeiro mundo, que são 6,5 por
cada mil nascidos vivos. É algo invejável até para países europeus. O estado de São Paulo tem mortalidade infantil de 11 e Brasil está em 12,4. Em 2005, quando atingimos essa marca, Araraquara ficou como a 1ª entre as cidades médias do Brasil no IDI (Índice de Desenvolvimento Infantil), da Unicef. Agradeço muito ao trabalho da nossa equipe da Secretaria Municipal de Saúde e à FunGota pelo trabalho sério e de consistência que tem resultado em índices importantes como este na redução da mortalidade infantil. E agradeço a toda a rede de assistência à saúde que a Prefeitura de Araraquara tem, desde a gravidez da mãe, aos exames de acompanhamento, ao pré-natal, até o nascimento da criança, e ao nosso programa pediátrico, das nossas unidades de saúde.

E em relação às mortes no trânsito, qual é o atual panorama?

Eu gostaria que Araraquara tivesse nenhuma morte no trânsito por ano, mas infelizmente, não é essa a realidade. Mas nós derrubamos em 22% as mortes no trânsito. Se pegarmos de 2014 a 2016, Araraquara teve 76 mortes no trânsito. De 2017 a 2019 foram 59. É uma queda significativa, mas ainda está longe daquilo que nós queremos, porque geralmente quem morre no trânsito são jovens, pessoas em plena atividade profissional, cheias de sonhos, que estão começando suas famílias. Queremos trabalhar para que isso reduza cada vez mais. E essa queda
reflete o trabalho que a nossa Coordenadoria de Mobilidade Urbana tem feito. É um trabalho de melhoria das nossas vias, que ainda precisam de muitos reparos, e também investimos muito em sinalização e em educação no trânsito. Mas ainda temos muito o que fazer para reduzir ainda mais os indicadores. Um dos grandes desafios no início da administração era a conservação do asfalto das vias públicas.

Como estão as operações tapa-buracos e o
recapeamento?

Nós chegamos à Prefeitura, em 2017, com uma cidade envolta em dívidas, sem nenhuma capacidade de investimento, com todas as unidades de saúde
desabastecidas, sem medicamentos, e a população de Araraquara é prova disso. O programa de merenda escolar totalmente enfraquecido, a qualidade da merenda
tinha caído muito, muitas vezes, salsicha e bolacha era o cardápio, e a manutenção da cidade era praticamente inexistente. Nós trabalhamos muito, primeiro, para
equacionar as dívidas, para fazer gestão sobre as dívidas, e começamos um programa de recuperação da cidade. Recuperação das unidades de saúde; reposição de médicos; abastecimento das unidades com medicamentos; recuperação dos programas de prevenção de diabetes, hipertensão, saúde da mulher, saúde da criança; reestruturamos os programas; recuperamos a qualidade da merenda escolar e iniciamos a recuperação das unidades escolares; e, também, voltamos com o programa ‘Prefeitura nos Bairros’ para ter um programa de manutenção da cidade, de recuperação das praças e correndo atrás do déficit de manutenção das vias públicas. Está longe do ideal, mas, hoje, Araraquara tem um
programa de recapeamento, e de melhorias das vias, só a população de Araraquara perceber as operações tapa-buracos, o que a cidade não tinha há muito tempo.
Estamos trabalhando muito para a recuperação da saúde financeira da Prefeitura, das condições de vida da população e das nossas vias públicas. Ainda tem muito o que fazer.

Muita gente está com saudade do futebol. Há alguma previsão para a Ferroviária voltar a jogar?

Pelo o que li na imprensa, a Federação Paulista de Futebol vai seguir as orientações do governo estadual. E o Governo do Estado de São Paulo está dizendo que os clubes vão voltar a treinar no início de julho. Então, se vão voltar a treinar no início de julho, vai demorar ainda um tempo para que as partidas retornem. Em Araraquara, temos respeitado o decreto do governador, mas temos adaptado o decreto à nossa realidade. Aqui, com muita segurança, testando todos os nossos atletas das equipes de competição de Araraquara, estamos voltando aos treinamentos das equipes. Espero que o futebol volte o mais rápido possível, pois todos nós sentimos muita falta, seja dos jogos à noite ou dos jogos dos finais de semana.

 

Teremos eleições municipais neste ano? Que informações o senhor tem sobre o calendário eleitoral em meio à pandemia?

 

Sinceramente, não estou preocupado com eleição. Estou preocupado em governar Araraquara. Peguei uma cidade destruída e estou trabalhando, desde 2017, de forma incansável, e o povo de Araraquara sabe disso, para que eu possa recuperar a cidade de Araraquara, e estamos conseguindo. Agora estamos trabalhando incansavelmente para defender as vidas da população da nossa cidade, porque é isso que importa neste momento, a defesa da vida. Estarmos organizados para enfrentar a Covid-19. Quem está preocupado com eleição são aqueles que estão
olhando o calendário eleitoral e querendo tirar proveito, inclusive, dessa situação de dificuldade em que o povo brasileiro, paulista e araraquarense está vivendo. Eles
estão preocupados com a eleição: aqueles que estão olhando menos para a vida e mais para o interesse eleitoral. Neste momento, o que me preocupa é governar Araraquara, defender a vida da população de Araraquara e trabalhar para recuperar a cidade da situação de destruição em que encontramos. Deixa a crítica gratuita, e muitas vezes mentirosa, deixa o ódio, a intolerância e o clima de guerra para aqueles que não conseguem conviver com a democracia, que não pensam nos interesses da nossa população. Da minha parte, continuarei trabalhando, é o que
Araraquara precisa.