Araraquarenses comemoram o Dia Nacional do Escritor

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Ariane Padovani

Nesta quinta-feira (25) o Brasil comemora o Dia do Escritor em homenagem aos profissionais que se dedicam a criar histórias que entretém, emocionam e inspiram seus leitores com enredos recheados de criatividade. A ideia da data surgiu após o I Festival do Escritor Brasileiro, organizado na década de 1960 pela União Brasileira de Escritores, sob a presidência de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, este um dos principais nomes da literatura nacional.

Araraquara é berço do escritor Dan M., de 39 anos, que também é roteirista e designer gráfico. Apaixonado por cinema e formado em artes cênicas, escreveu ‘3:07’, seu primeiro livro de suspense independente, em 2016. Já sua segunda obra ‘Sonhos Vermelhos’ será lançada este ano pela Editora Humanos. Dan M. ainda foi coautor de ‘Atração de Risco’, história que está sendo filmada em São Paulo pela produtora Europa Filmes e chegará às livrarias em versão impressa pela Editora Generale. Dan também produziu a animação ‘O Visitante Imaginário’ e ‘O Covileiro’, história de um caçador que entra em uma floresta assombrada e se torna a caça, está na fila para ser publicado no ano que vem. O profissional só tem motivos para comemorar e acredita que as portas estão se abrindo para escritores brasileiros.

“Eu sinto que a coisa está querendo caminhar, as oportunidades estão aparecendo, não pode vacilar, amarelar ou fraquejar. É aquela história do cavalo branco, passa uma vez só na sua frente, se você não montar, tchau”, afirmou o escritor, que, apesar das vitórias em pouco tempo de carreira, pretende tentar outros caminhos, já que não dá para viver exclusivamente da escrita no Brasil. “Eu vou aproveitar que já estou trabalhando com o pessoal de São Paulo e começar um curso de roteiro. Este ano vou estudar e me especializar”, revelou Dan M.

O escritor de terror psicológico e membro do Conselho Diretor da ABERST — Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror, Jhefferson Passos, autor do livro ‘A Capela’ e de diversos contos publicados em antologias, na plataforma de leitura Wattpad e no site da Amazon, que também reside em Araraquara e trabalha com segurança eletrônica, concorda com a opinião do amigo. “Eu ganho bem com os meus livros na Amazon, mas é um complemento só. Não paga contas”, confessou Jhefferson, que começou a escrever ainda muito novo para espantar os medos que o atormentavam.

“Como eu tinha medo do escuro, não dormia e passava a noite em claro, comecei a escrever para me livra do medo. Tudo o que eu sonhava, via e ouvia, eu escrevia, colocava no papel. Até que aos 17 anos apareceu a oportunidade de participar de concursos de contos e comecei a mandar. Em 2015 surgiu a plataforma Wattpad e foi onde eu coloquei o livro de microcontos ‘100 Gotas de Sangue’, que foi sucesso na categoria terror durante cinco meses. Aí recebi o convite da editora Illuminare de publicar em físico, em 2017. Agora ele está passando por uma nova edição e será relançado com um capítulo exclusivo”, apontou o escritor.

Independente x Editora
Dan M. afirma que nunca pagou e nem pagaria para uma editora publicar seu livro. Jhefferson já tirou dinheiro do próprio bolso para ter a sua história em mãos e se arrepende. “Quebrei a cara feio. Paguei e a editora esqueceu-se de colocar a sinopse. Eu não gosto nem de lembrar desse primeiro livro de contos por causa disso”, contou o escritor. “Tem editora que diz que o seu livro vai ser de graça, mas seus direitos autorais serão de 10% por capa. Você está pagando. É por isso que eu falo para autor independente que está começando para segurar a vontade de publicar e colocar na Amazon. É bom porque tem avaliações, o pessoal dá feedback, você vai conhecendo o seu público e não vai gastar nada. Usa o Instagram para divulgar e fazer promoções e parcerias com blogueiros, eles são uma porta para o escritor hoje em dia”, avaliou Jhefferson.

Uma outra opção para bancar uma publicação é usar o site Catarse, uma espécie de vaquinha virtual. “Você levanta os custos do livro que quer publicar e o pessoal vai comprando, depois recebem o livro com o nome delas nos agradecimentos e brindes quando a meta é ultrapassada”, explicou Jhefferson.

Processo criativo
Cada escritor tem o seu jeito próprio de despertar a criatividade. Para Jhefferson, as ideias surgem com a observação. “Sou uma pessoa muito observadora e as ideias vêm do nada”, relatou, garantindo que escreve todos os dias. “Eu estou trabalhando, estou escrevendo. Eu posso estar dentro do forro de uma casa, pego o celular e escrevo. Estou sempre com uma caneta e um rascunho”, expôs.

Já Dan M. desperta a criatividade com o que aprendeu no teatro e na publicidade. “Na literatura as pessoas têm dificuldade para escrever diálogo e eu faço com facilidade porque teatro é diálogo, não tem narração. Então quando eu crio os meus personagens, imagino eles interpretando. O dia a dia também ajuda, eu bebo da fonte”, descreveu o autor, que afirma ter disciplina para escrever nos dias em que não está trabalhando. “Sem disciplina você não escreve, não faz nada”, aconselhou.

Antologias da ABERST
A Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror, que nasceu em 2017, promove o Ghost Story Challenge, concurso anual de antologias, de uma forma bastante inusitada. Os participantes passam uma noite em um lugar mal assombrado para escreverem seus contos de terror que são publicados depois. “São 18 escritores. Cada um escreve uma história. No ano passado foi em um casarão assombrado. Nesse ano em um sítio. Também fazemos workshops, contamos histórias, passamos a noite inteira acordados”, detalhou Jefferson.

O autor estará na Bienal do Livro do Rio de Janeiro deste ano participando de palestras e bate-papos com outros escritores. Quem quiser conhecer seu trabalho, no site da Amazon você encontra os livros ‘A Capela’, ‘Escuridão Profunda e Vazia’ e ‘100 Gotas de Sangue: Cem microcontos para te perturbar’, além dos contos ‘Os últimos meses da sua vida na terra’, ‘Boa viagem’, ‘Perdidos’ e ‘Versão 2.0’.

 

Jhefferson Passos e Dan M. mostram suas obras na redação do O Imparcial