“Corpos plurais na dança”, “Morada da Saudade” e outros audiovisuais são destaques no FIDA desta quinta (24)

"Morada da Saudade" é um experimento corpóreo-poético que vibra a saudade da mulher de origem... como explicar a saudade da mãe?

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O FIDA (Festival Internacional de Dança de Araraquara) segue com sua programação virtual nesta quinta-feira, 24 de setembro, apresentando trabalhos audiovisuais de Dança em vídeo e live. O destaque do dia fica por conta do vídeo selecionado “Morada da Saudade”, de Vita Pereira, e da live “Acordar para corpos plurais na dança”, com Renata Berti (Brasil), Luís de Abreu (Brasil) e Edu Ó (Brasil), sob mediação de Sabrina Kelly. Toda a programação tem início às 18 horas no canal da Prefeitura de Araraquara no Youtube (www.youtube.com/prefeituradeararaquaraoficial), com link disponibilizado na página provisória da Prefeitura no Facebook (@MunicípioAraraquara).

Para abrir a programação desta quinta, às 18 horas, o fotógrafo e artista visual Paulo César Lima apresenta seu projeto audiovisual “Andanças”, reunindo o resultado de 15 anos de fotografias de espetáculos de dança feitas no Brasil e no mundo.

Depois é a vez da sexta live do FIDA: “Acordar para corpos plurais na dança”, com: Renata Berti (Brasil), Luís de Abreu (Brasil) e Edu Ó (Brasil), sob a mediação da bailarina Sabrina Kelly.

Para esta live, de acordo com a curadora do FIDA 2020, Gilsamara Moura, “é urgente pensar os corpos plurais não só na dança, mas no cotidiano de nossas vidas. E o que seria isso? Para mim, é respeito, empatia e responsabilidade. Vamos escutar o que essxs artistas têm a nos dizer.”

A mediadora da atividade, Sabrina Kelly, lembra que este encontro propõe discutir as possibilidades de corpos em construção, como referências para o próprio corpo. “A relação entre deficiência e diferença corporal na dança; corpo inacabado (processo de um corpo bípede para um corpo com deficiência); a deficiência que chega no corpo. Traz uma provocação muito pertinente para todxs nós como: o que é um corpo com deficiência na dança?”, reflete.

O vídeo comemorativo dos 30 anos do Grupo Gestus – grupo araraquarense de dança contemporânea – será exibido após a live. Produzido pelo Grupo Gestus e Índio Medeiros, o vídeo é a primeira ação de celebração de três décadas de trabalho contínuo em dança, política e pensamento contemporâneo do grupo de dança contemporânea Gestus que, agora, oferece a Araraquara este presente dentro deste evento que marcou sua trajetória: o FIDA.

Morada da Saudade – Para fechar a agenda da quinta será apresentado o vídeo de dança “Morada da Saudade”, de Vita Pereira, selecionado por meio de edital. “Morada da Saudade” é um experimento corpóreo-poético que vibra a saudade da mulher de origem… como explicar a saudade da mãe? Araraquara é uma cidade de encruzilhadas, encontros e desencontros, inícios e despedidas, com aroma industrial e temperatura de colo-de-mãe – aqui a saudade é tema. A performer Maria da Maré impulsiona movimentos que corroem, mas alimentam, trazem para perto quem a faz falta.

A mudança de cidade pode causar despedidas dolorosas, como foi para a performer Maria da Maré que aos 17 anos se despediu de sua família para se aventurar em Araraquara enquanto estudante universitária e artista independente. Atualmente, há quase cinco anos desse rompimento do cordão umbilical, o processo de sentir saudade é constante, mutável e, levando em consideração a pandemia, a impossibilidade de transitar entre os 400 km que separam essa família, despertou inúmeros sentimentos e euforias que só o corpo consegue transmitir.

O proposto trabalho surge durante o isolamento social e a partir de investigações pelo corpo, poética e subjetividade da artista. Como forma de lidar com a saudade, as memórias da infância e adolescência tornam-se nítidas como um álbum de momentos que levaram às movimentações de “Morada da Saudade”; com altos e baixos, explorando todos os planos com a agilidade de um corpo jovem, mas fluidez e suavidade de uma mente mais madura.

Vale destacar que Vita Pereira – pedagoga formada pela Unesp-Araraquara -assinou direção, roteiro e foi atriz do curta-metragem premiado “Perifericu” (2019) e realizou temporada de 2 meses no espetáculo musical “Madame Satã”, além de ter participado de diversos eventos e atividades culturais relacionados às artes em geral. Já Maria da Maré é formada em Técnico em Teatro pelo Senac Araraquara e estudante do 5º ano em Ciências Socias pela UNESP Araraquara. Sua experiência é como: performer, drag queen, dançarina, atriz, diretora, coreógrafa, maquiadora, escritora, educadora e fotógrafa experimental.

O FIDA 2020 apresenta uma parceria com a Universidade Federal da Bahia – por meio da Escola de Dança, Programa de Pós-Graduação em Dança (PPGDança), Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC), Grupo de Pesquisa Ágora: modos de ser em Dança(CNPq/UFBA) e PRODAN; Secretaria Municipal da Educação; Balangandança Cia. de Dança (SP), Centro da Juventude de Araraquara e Corpo Rastreado. Toda a programação é gratuita e aberta aos interessados.

Confira os convidados da live “Acordar para corpos plurais na dança”

Renata Berti é Graduada em Dança pela UNICAMP. Bailarina, professora e coreógrafa de ballet clássico e dança contemporânea desde 2001. Docente do curso Técnico em Teatro no Senac Araraquara, trabalha com pesquisa do movimento, valorizando o ator pesquisador-intérprete, desenvolvendo expressão corporal, improvisação, composição de personagens e interpretação dramática.

Luiz de Abreu é fazedor de dança contemporânea há 40 anos e há 30 como solista. Começou a sua dança nos anos 60s nos terreiros da Umbanda. Os temas gênero e corpo negro servem como texto e textura para suas criações que são apresentados em festivais nacionais e internacionais. Formado em dança pela Faculdade Angel Vianna, Rio de Janeiro, e com Mestrado da Universidade Federal de Uberlândia, atualmente mora na Bahia.

Edu O. é artista da dança, performance, teatro, escritor e professor da Escola de Dança da UFBA. Mestre em Dança (PPGDANCA/UFBA) com especialização em Arteterapia (UCSal), doutorando em Difusão do Conhecimento (DMMDC). Diretor do Grupo X de Improvisação em Dança e cofundador do Coletivo Carrinho de Mão, é colider do Grupo de Pesquisa PORRA. Entre seus trabalhos artísticos, destacam-se: Judite quer chorar, mas não consegue!, Odete, traga meus mortos, Ah se eu fosse Marilyn, O Corpo Perturbador, Bonito, Striptease-Bicho e Kilezuuummmm.

Sabrina Kelly é Bailarina do grupo Gestus desde 2000. Gestora das Oficinas Culturais Municipais de Araraquara desde 2016. Proprietária do Studio de Dança Zambabem de Araraquara.