Queimadas causaram 53 interrupções de energia em Araraquara entre junho e agosto

Cidade ficou em primeiro lugar no ranking de municípios com mais interrupções na região

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Além de todos os danos ambientais que as queimadas vêm causando por todo o país nos últimos meses, essa prática também tem trazido transtorno para o fornecimento de energia em diversos municípios atendidos pela CPFL Paulista. Um levantamento feito pelo Centro de Operações da distribuidora mostra que em 64% das cidades da sua área de atuação (151) tiveram interrupções causadas por queimadas. Os registros chegam a 948 casos entre os meses de junho e agosto de 2020.

Na região de São Carlos, foram contabilizadas 131 interrupções no fornecimento de energia causadas por queimadas, quase 11 por semana. Das 23 cidades atendidas pela companhia, só três não tiveram clientes afetados pelos efeitos das queimadas na rede de transmissão e distribuição de energia.

“É importante a conscientização da população e dos produtores agrícolas, pois os incêndios sob a rede de distribuição de energia são, muitas vezes, causados pelo uso do fogo como método de poda de algumas plantações. O impacto das queimadas é maior ainda quando acontecem sob as linhas de transmissão, responsáveis pelo abastecimento de regiões inteiras”, alerta André Luiz Marques de Souza, gerente de Operações de Campo, da CPFL Paulista.

No ranking de municípios com mais interrupções entre junho e agosto, Araraquara registrou 53 ocorrências, ficando em primeiro lugar. São Carlos ocupa a segunda posição com 15 casos e Américo Brasiliense é o terceiro da lista com 10 registros.

Transtornos à população. Quando uma queimada é realizada sem a autorização dos órgãos ambientais competentes e de forma irresponsável, o fogo muitas vezes sai do controle e atinge áreas habitadas, de preservação e redes de transmissão e distribuição de energia. Nesses casos, o fornecimento fica prejudicado, causando transtornos aos clientes da CPFL Paulista.

Nessas situações, o trabalho das equipes de manutenção da companhia fica dificultado por conta do fogo, que precisa ser combatido pelos bombeiros para que os trabalhos possam ser iniciados. Dependendo da queimada, esse combate às chamas pode levar horas, elevando ainda mais o tempo que a população fica sem energia e os eletricistas sem poder reparar a rede por motivos de segurança.

A CPFL Paulista sempre age rapidamente realizando manobras em sua rede de distribuição, de forma a deixar a menor quantidade possível de unidades consumidoras afetadas. No entanto, quando as queimadas afetam áreas rurais, por exemplo, centenas de metros de rede precisam ser reconstruídos, com a substituição de postes, cabos e outros equipamentos danificados pelo fogo. Um trabalho complexo, que demanda acesso a lugares e terrenos não convencionais, maquinário pesado e colaboradores atuando em mais turnos para que a conclusão aconteça o quanto antes.

Por isso, a companhia realiza, por meio da campanha Guardião da Vida, a conscientização dos perigos de se realizar queimadas sem autorização ou de forma irresponsável, sem os devidos cuidados de segurança, principalmente em relação à rede elétrica. Também é importante que sempre que uma queimada for avistada, o Corpo de Bombeiros seja acionado para que sejam tomadas as providências de combate ao fogo o mais rápido possível.

Guardião da Vida

Considerando o impacto do assunto para a população, seja na segurança, seja na qualidade do fornecimento de energia, o grupo CPFL Energia, por meio da campanha Guardião da Vida, incentiva a discussão sobre o tema, a fim de promover uma reflexão sobre as atitudes que poderiam ser evitadas, reduzindo transtornos e até salvando vidas.

Na estiagem, a pouca umidade, a vegetação baixa e os ventos fortes são fatores que podem provocar incêndios. Além disso, até mesmo uma queimada mal controlada para atividades agrícolas também pode colocar em risco o fornecimento de energia, atingindo os cabos elétricos, desligando a rede e provocando prejuízos para os todos, além de danos ao meio ambiente e à segurança da população.

O calor do fogo, mesmo quando não atinge diretamente os cabos elétricos, junto da fuligem levada pelo vento e grandes volumes de fumaça, também pode provocar curtos-circuitos ou rompimento de cabos, interrompendo o abastecimento de cidades inteiras. O ar quente gerado pode criar um campo ionizado, propiciando o fechamento de arcos elétricos* que desligam as linhas de eletricidade.

Por isso, a CPFL Paulista dá algumas dicas para o convívio adequado entre rede elétrica e queimadas:

  • Não realize queimadas em áreas próximas às redes elétricas.
  • Faça “aceiros” para controlar o fogo.
  • Respeite a “faixa de servidão” ao realizar o plantio.
  • Não solte balões. Além de ser proibido por lei, o balão provoca incêndios.
  • Não jogue pontas de cigarro acesas nas matas ou em acostamentos das rodovias. Muitos incêndios surgem desse ato.
  • Ao identificar um foco de incêndio, avise a Guarda Florestal e o Corpo de Bombeiros. Se for às margens de uma rodovia, ou próximo de uma rede elétrica avise também a concessionária ou órgão estadual responsável.

*O arco elétrico, também conhecido como arco voltaico, é uma grande quantidade de carga elétrica movimentando através do ar com alta velocidade (cerca de 100m/s) e elevadas temperaturas. Os arcos podem causar destruição dos equipamentos (chave, painéis, barramentos, condutores etc.) e ainda causar graves lesões físicas em pessoas que ficarem próximas.

Em caso de falta de energia, ou de incêndio sob a rede elétrica, a população deve entrar em contato com os canais de atendimento da CPFL Paulista:

  • Web mobile: www.cpfl.com.br (acesso via smartphone).
  • App “CPFL Energia”, disponível para smartphones Android ou iOs.
  • Agência Virtual: www.cpfl.com.br.
  • SMS: enviar para 27351 (em casos de falta de energia, o cliente envia seu código de consumidor para este número e recebe também via SMS a previsão de restabelecimento).
  • Call Center: 0800 010 1010 (ligação gratuita, 24 horas por dia).

O que diz a lei

Proibidas em algumas áreas municipais, as queimadas são autorizadas pelo Ibama sob critérios técnicos que impedem a propagação do fogo além dos limites estabelecidos. O Ibama também distribui material educativo onde a prática é usual. Em situações especiais, o Ibama pode proibir queimada, o que não impede que ela ocorra de forma ilegal, provocando incêndios florestais.

Como forma de prevenir tais situações, conforme os decretos federais 24.643/34, 35.851/54, 41.019/57 e 84.398/80, uma das medidas que devem ser respeitadas pelos produtores no cultivo é o respeito às faixas de servidão, que são os corredores de 30 ou 40 metros de largura localizados embaixo das linhas de transmissão, nos quais não é permitido o plantio.

Já o decreto estadual 45.869/2001 regulamenta a queima controlada como fator de produção e manejo em atividades agrícolas, proibindo queimadas próximas a instalações elétricas e de telecomunicações. Soltar ou fabricar balões é considerado crime ambiental pela lei federal 9605/98, cuja pena vai de um a três anos de detenção, além de multa.

Foto: Divulgação