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Professor de teatro lança livro de contos no Espaço Arte Multicultural

Sessão de autógrafos de ‘O melhor presente que você poderia ganhar’, de Danilo Forlini, será neste sábado (28)

Professor de teatro lança livro de contos no Espaço Arte Multicultural

Ariane Padovani

 

Danilo Forlini, de 30 anos, professor de teatro de improviso na Casa da Cultura, está lançando neste sábado (28) o seu primeiro livro de contos intitulado ‘O melhor presente que você poderia ganhar’. O evento gratuito acontece no Espaço Arte Multicultural às 19h00, e os exemplares, impressos pela Scortecci Editora, serão vendidos a R$ 25,00.

“Vai ter música ao vivo com o Vinícius Zurlo, que tem um projeto chamado ‘Plantio de cantoria’, e o Espaço Arte vai vender bebida e porção para quem quiser ficar por lá. A ideia é ser um encontro, um momento de troca, para as pessoas que quiserem ir, comprar um livro, pegar um autógrafo e dar um abraço. É mais uma comemoração, uma celebração”, contou Danilo.

Segundo o autor, os 28 contos que compõem o livro são histórias de ficção que ele criou a partir de algum aspecto do cotidiano. “Eu tento tirar alguma pontinha do cotidiano e exagerar nela para ver aonde chega. Sempre a partir do contemporâneo. Por exemplo, tem uma história que é sobre dois vampiros conversando sobre o fato de os humanos comerem muitos alimentos transgênicos e como isso os afeta. Tem outra história sobre um rapaz que fica tanto no celular que não percebe que o mundo acabou. Vai um pouco para esse lado. Eu extrapolo a realidade, mas eu tento partir de algum elemento que é comum”, explicou Danilo, que elegeu ‘Pudim’ a sua história preferida. “Ela fala sobre um menino que quer ser palhaço”, revelou.

 

O melhor presente

O título do livro é o mesmo de uma das histórias de seu interior e foi escolhido porque Danilo considera ganhar um livro o melhor presente de todos. “A história que se chama ‘O melhor presente que você poderia ganhar’ é sobre um rapaz que gosta muito de aniversário e a namorada dele promete que ele vai ganhar o melhor presente. A história parte desse ponto. E também porque eu gosto muito de presentear as pessoas com livros e sempre foi o meu presente favorito. Não dá para errar me dando um livro de presente, porque eu vou gostar. E é claro que tem uma intenção de divulgação, inclusive mercadológica, porque ele é uma piada pronta, se você quiser dar para alguém pode falar que vai dar o melhor presente para a pessoa e entregar o livro”, detalhou o autor.

 

A escrita

Danilo começou a escrever aos 10 anos e durante a adolescência publicou os seus textos, diálogos e poesias em um blog. “Mas na vida adulta dei uma parada. Há uns cinco anos eu me reaproximei do teatro, que eu fiz na adolescência, e através da improvisação voltei a fazer cursos de teatro, oficinas, a formação profissional e comecei a dar aulas de teatro. Dentro das criações dramatúrgicas e do contato com a improvisação, essa vontade de escrever e criar voltou. A maioria dos textos que estão aqui foram escritos desde então, é uma reunião desses contos”, expôs o professor.

 

Criatividade

Além de dar aulas, Danilo cursa doutorado em educação na Unesp, e acredita que construir histórias é natural do ser humano. “O tema da educação e da criatividade é uma coisa que eu venho pesquisando há algum tempo e o fato de o teatro te colocar em movimento para criar desperta alguns dispositivos que ajudam a gente a construir as histórias. A gente conta histórias no cotidiano desde os primórdios, mas a gente às vezes se limita, como se isso fosse uma atividade estritamente de pessoas criativas e, até pode ser, mas a criatividade é muito natural em todos nós, então é basicamente só uma questão de abrir uma janela ou uma porta para experimentar esse tipo de potência. E o teatro ajuda nisso, ele leva protagonismo para as pessoas, de não ser necessariamente só a pessoa que escuta e que recebe, mas que também a que produz, a que contribui e que cocria. Eu gosto muito desse olhar que vem do teatro”, pontuou.

O professor de teatro afirma que quando interpretamos um personagem, nos propomos a olhar o mundo pelo ponto de vista dele. “Quando a gente cria uma história, é sempre a partir de um ponto de vista e esse ponto de vista pode ser o nosso. Eu poderia escrever um livro ou uma história sempre a partir da minha visão de mundo, mas eu acho muito mais rico quando a gente tenta circular os nossos olhares. E se uma história fosse contada a partir do ponto de vista de uma pessoa que enxerga o mundo de uma maneira diferente da minha? De um objeto, espaço ou tempo? O trabalho com personagens facilita muito essa alteridade da escrita”, discursou Danilo.

 

Improvisação

Danilo esclarece que a improvisação é o teatro onde não há roteiros. “A gente se prepara para apresentar, mas não sabe o texto, a gente não sabe o que vai fazer. Pedimos sugestões da plateia e os autores vão construindo as cenas a partir do que o público dá de estímulo para a gente. A partir daí tem jogos, cenas onde você só pode fazer perguntas, cenas onde você se inspira através de uma música e canta improvisando. Geralmente são espetáculos de comédia, porque a improvisação tem muito erro por ser criada na hora, então o erro leva naturalmente para um caminho cômico”, declarou Danilo, que atua e dirige na Cia Improvisória. “A gente costuma se apresentar no Espaço do Boneco, que é um teatro da Cia Polichinelo, do Márcio Pontes”.

O professor defende que, apesar de a maioria das pessoas acharem que a improvisação é difícil, o treinamento existe justamente para mostrar que isso não é verdade. “E para trazer esse protagonismo para as mãos das pessoas, já que todo mundo tem uma história de vida, experiências pessoais, leu livros, viu filmes, ouviu músicas, então a gente tem muito material em nós para criar, é só combinar isso de outras maneiras, transformar em histórias e em atuação. E para isso precisamos nos julgar menos, porque a questão não é fazer uma boa cena, é apenas fazer uma cena. Isso todo mundo consegue. O treinamento é para mostrar para as pessoas ferramentas de como elas podem fazer isso de uma maneira tranquila, sem se cobrar”, ensinou Danilo.

 

Novos Projetos

Danilo pretende seguir a carreira de escritor, mas não cogita abandonar as aulas. “Eu não gosto da ideia de uma carreira única, de fazer só uma coisa. Eu não me vejo parando de dar aula, de dar palestra, de escrever ou fazer teatro. Todas essas coisas se conversam e se alimentam, então eu entendo a escrita como fazendo parte desse processo. Talvez as pessoas leiam o livro e queiram fazer uma oficina de improviso ou talvez as pessoas que façam uma oficina de improviso tenham vontade de ler o livro”, falou o escritor, que dá palestras para formação de professores. “Eu falo sobre criatividade voltada para a escrita, para a escola, para as metodologias ativas de aprendizagem e também para solução de problemas do cotidiano, às vezes as equipes têm dificuldades de criar em conjunto”, finalizou.

O Espaço Arte Multicultural fica na Avenida José Parisi, nº 374, na Vila Velosa. O livro de Danilo também está à venda na internet, em sites de livrarias.

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