Evento promove diálogo sobre saúde da população negra

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Em 2017, quando esteve no Brasil para uma série de conferências, a filósofa norte-americana Angela Davis disse: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”. Foi com essa frase que a especialista em saúde da mulher negra Márcia Tânia Alves abriu a atividade “Saberes”, dedicada à saúde da população negra, realizada na terça-feira (12) em estabelecimento comercial no Jardim Santa Clara. A vereadora Thainara Faria (PT) representou a Câmara Municipal no evento.

“Não é fácil cuidar da população negra, historicamente negligenciada pela sociedade. Sabemos que temos um longo caminho para percorrer até conseguir a igualdade racial e tenho muito orgulho porque, pela primeira vez, um prédio público de Araraquara receberá o nome de uma mulher negra, Nair Damazio Claudino”, disse Thainara, referindo-se à Unidade Básica de Saúde que está sendo construída no Jardim Victório de Santi com recursos provenientes de emenda parlamentar viabilizada pela vereadora.

Representando o prefeito Edinho Silva (PT), o vice-prefeito e secretário municipal do Trabalho e do Desenvolvimento Econômico, Damiano Neto (Progressistas), se disse honrado em participar da celebração. “Sabemos da importância da luta que vocês travam e que deve ser reconhecida”, pontuou.

Também estiveram presentes os vereadores Edio Lopes e Paulo Landim, do PT, o comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar do Interior, tenente-coronel Adalberto José Ferreira, além de representantes do Poder Executivo e lideranças religiosas. A ação integra o calendário de atividades do município no Mês da Consciência Negra, com realização do Galpão Estofados, Comissão de Saúde da População Negra e Integração Racial “Nair Damasio Claudino”, Comissão de Combate à Discriminação Racial – OAB/Araraquara e apoio da Prefeitura Municipal de Araraquara.

 

Promoção da saúde

O ginecologista Fernando Longo Vidal destacou algumas doenças que acometem a população em geral, mas com maior prevalência na de etnia negra. São elas: a hipertensão arterial, a anemia falciforme e os miomas. Para ele, a origem da hipertensão arterial, intimamente ligada à enfermidade renal, tem origem nos porões dos navios negreiros.

“Dois terços dos negros escravizados morreram nos navios, vítimas muitas vezes de desidratação provocada pelas péssimas condições de higiene. Os sobreviventes foram aqueles que urinavam menos, cujos rins funcionavam mal. Ocorreu uma ‘seleção artificial’ que repercute até hoje na saúde da população negra”, apontou. Ele ainda citou a importância de hábitos saudáveis e de acompanhamento médico para prevenção e controle das doenças.