Tarde plena

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Por Darcy Dantas

Sentada ao computador, buscando emoções para escrever um poema, o mais belo se possível.

Em um repente olho para a janela onde podia vislumbrar o lindo jardim. Eis que um beija flor com sua delicadeza, aquela sutil delicadeza que a maioria das pessoas ainda desconhecem, “cumprimentava” as flores por onde passava com seu voo delicado , e se ia para outros jardins…quem sabe…

Voltei as teclas, Escrevi um poema , cabisbaixo, descorado, trazendo os mesmos substantivos , todos concretos. Não…poemas concretos não chegam a minha alma.

Com um brusco movimento, levantei-me, apanhei meu casaco pendurado que estava no trinco da porta, minha bolsa, onde apenas uma chave, um lenço, um livro de João Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas”, que me encanta e faz pensar.

Desci as escadas que me levariam até a sala de estar. Num gesto nada elegante, joguei a blusa sobre a mesa. Fui até o portão que me dava licença para ter acesso a rua.

Resolvi andar sobre os pedregulhos da calçada onde a marca do tempo ali residia. O mato crescia entre as pedras com enorme voracidade. Andei um pouco mais, quando me deparo com uma praça, onde o verde era seu pano de fundo…lindo. pássaros gorjeavam, enquanto o perfume das flores resvalavam meu corpo com sutil delicadeza. Eis que uma abelha parece me perseguir. Gostei daquele doce momento. Continuo minha caminhada por entre pedras e pedregulhos. Árvores, algumas centenárias davam um toque de lembranças de um passado onde o tempo deixara sua marca na história.

Eis que uma nuvemgris, cinza surge por entre outras. Sinal de chuva pensei. Continuei minha feliz caminhada. Eis que vejo entre pedras brancas, jorrar água límpida, cristalina. Juntei as mãos em forma de concha, deixei que a água caísse sobre elas e com prazer incontido banhei meu rosto como se aquele momento fosse único.

Uma chuva torrencial começa a cair. Não sai do lugar para me abrigar. Usufrui contritamente aquela bênção.

Minhas vestes, meu cabelo, eram qual cachoeira onde a água da chuva descia corpo a baixo.

Usufruía com carinho aquele momento que nos meus loucos pensamentos, haveriam de se eternizar.

A sensação era a de renovação.

Ah! O tempo, a noite dava início a seu ciclo. Longe de casa, acenei para um táxi. Entrei, pedi desculpas por molhar o automóvel, paguei , tendo ainda a sensação da chuva a escorrer pelos meus cabelos.

No dia seguinte , um novo poema escrevi. Desejava que fosse o mais belo que até aquele dia havia escrito. Na mente a paisagem do dia anterior ainda me acompanhava.

Escrevi sim um poema…Não o mais belo.

O mais belo poema Deus havia” escrito”, e ninguém além Dele conseguiria escrever outro que chegasse a seus pés. Natureza , o nome de seu poema. Guardarei pelo resto de meus dias.