Somos felizes?

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Luís Carlos Bedran*

 

Esta tem sido a era do conhecimento: tudo ao alcance de todos. S√≥ n√£o sabe das coisas quem n√£o quer. Com tanta informa√ß√£o, excesso at√© ‚ÄĒ em que nem sempre se consegue separar aquilo que √© importante daquilo que n√£o o √© ‚ÄĒ,√© o caso de se perguntar se ela tem levado as pessoas a ser mais felizes ou n√£o.

Antigamente a informação era um privilégio exclusivo das classes mais favorecidas, dos que tinham poder político e dos sacerdotes que a usavam para os fins a que se propunham. Por isso não somente era controlada, como escondida, tudo para se manterem no poder, dominando as outras classes que apenas viviam e sobreviviam pragmaticamente, acompanhando a tradição de um trabalho estafante.

Será que se pode afirmar que eram felizes? Os dirigentes romanos para acalmar o povo lhe davam pão e circo; Cristo, no Sermão da Montanha, pregava a seus discípulos o Reino dos Céus para os bem-aventurados, pobres de espírito. Maquiavel ensinava os príncipes a dar ao povo as benesses aos poucos e o contrário, tudo de uma vez, para evitar os descontentamentos e revoltas.

Depois com o Renascimento iniciou-se uma abertura pelos cientistas, ainda tolhidos pelo poder político e religioso, que, paulatinamente foi sendo assimilada pela população, o que a levou a produzir riquezas e ao bem-estar. Porém, foi no chamado Século das Luzes, na Revolução Industrial, que o conhecimento se expandiu, no que se chega à conclusão de que, não fosse a ciência, ainda estaríamos no chamado Século das Trevas.

O progresso foi inevitável e até antes, com Gutenberg, popularizou-se a leitura e por isso mesmo a sabedoria e a razão. Até chegarmos aos tempos atuais onde qualquer cidadão, em qualquer parte do mundo, sabe das coisas.

Mas isso n√£o quer dizer que as pessoas setornaram mais felizes porque a felicidade n√£o depende apenas do conhecimento. √Č evidente que tudo foi facilitado, a ci√™ncia tem prolongado a vida, os alimentos s√£o abundantes, as pessoas nos pa√≠ses democr√°ticos se locomovem com liberdade, participam das elei√ß√Ķes peri√≥dicas, exigem explica√ß√Ķes de seus dirigentes, quando n√£o os derrubam do poder. Enfim,vivem intensa e rapidamente a vida.

No entanto, não se pode afirmar com segurança que são felizes, porque os problemas, inexistentes no passado, se transformaram e até aumentaram. Não é à toa que essa procura pela felicidade tem levado muita gente à depressão (o mal do século), à procura de drogas que as fazem esquecer ou a diminuir os problemas que não conseguem solucionar, em que os valores do passado se modificaram, mas que ainda não conseguiram ser substituídos por outros mais sólidos.

Em que a fam√≠lia, at√© ent√£o conservadora e limitada, n√£o tem conseguido a contento educar seus filhos e em que a escola, apesar de toda a transforma√ß√£o tecnol√≥gica,o que implica em conhecimento total, tamb√©m n√£o tem conseguido ‚ÄĒ como deveria ‚ÄĒ,educar plenamente o aluno para futuramente viver com tranquilidade nesse mundo em plena ebuli√ß√£o.

No que se chega à conclusão de que ainda não se pode falar que neste século atingimos a plena felicidade. Se é que a conseguiremos um dia.

 

*Sociólogo, advogado.