Segundo turno

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Luís Carlos Bedran

Luís Carlos Bedran*

 

Neste mês de outubro, final das eleições, entre gente politizada ou não, só se fala e vive-se política; ainda mais agora, no segundo turno, na disputa à Presidência da República.
Muitos sequer dela nem querem saber e têm verdadeira ojeriza às campanhas de ambos os candidatos, seja na TV ou nas redes sociais. E esses não são poucos; somente votam porque a isto são obrigados e quando o fazem, ou anulam seu voto ou votam em branco. E esse universo é enorme como se provou.
Por aí já se nota que o voto deve ser facultativo. Vota quem quer participar da vida política da Nação; vota quem é idealista, quem ainda acredita que existe muita gente honesta na política, muita gente que quer transformar este nosso país num lugar melhor para que os nossos filhos e netos possam ter uma vida digna.
Nada poderão reclamar os indiferentes, se a Nação não for governada por gente
boa, honesta e competente, tanto no que se refere ao Executivo, quanto ao Legislativo.
Quanto ao outro, o terceiro poder da República, o Judiciário, mesmo os sumamente
politizados pouco ou nada podem fazer para aperfeiçoá-lo, porque ainda é o único poder
que não é eleito pelo voto secreto.
Então, aos indiferentes, aos omissos, só restam ser governados, sem tugir nem
mugir e depois não adianta reclamarem; àqueles que têm consciência política, se não
conseguirem desta vez acertar na sua escolha, pelo menos tentarão corrigir o seu erro
nas próximas eleições.
Esta é a grande vantagem da democracia: a oportunidade que o cidadão tem,
nem tanto de acertar o seu voto, mas sobretudo de escolher periodicamente o seu
governante. É errando que se acerta e isso somente ocorre num regime democrático.
Basicamente duas forças políticas disputarão o segundo turno. Uma,
conservadora, de direita, que conseguiu captar a revolta do povo contra uma crise
econômica, política, social e ética que se arrasta há mais de 13 anos e que atingiu seu
ápice nas manifestações de milhões de cidadãos em 2013 e, logo em seguida, com o
impeachment da presidente eleita em 2014. E que o seu sucessor, o vice-presidente, até
que tentou debelá-la. Porém, atingido por denúncias, as mais várias e sem sustentação
política, fracassou e termina seu governo melancolicamente.
Essa força, de protesto, contra o PT, é liderada por um capitão-deputado,
Bolsonaro. A outra, de esquerda, comandada da prisão por um ex-presidente, tenta
voltar ao Poder com seu candidato, Haddad.
É a ocasião em que os eleitores que ‘perderam’ seus votos aos candidatos que
não conseguiram ir ao segundo turno, apliquem o princípio do voto útil. E decidam
votar num que representa uma esquerda ultrapassada, que levou o País ao caos, ou então
numa direita que quer nos governar, sabe-se lá como.
Ao capitão, o benefício da dúvida.

*Sociólogo