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Psicologia Econômica e os Ovos de Páscoa



Por Victor Barboza

A relação do ser humano com o dinheiro não é totalmente racional, conforme a economia previa. Alguns especialistas da economia e da psicologia se uniram para formar a Psicologia Econômica, e mostrar que, quando o assunto é dinheiro, nosso cérebro muitas vezes de deixa levar por um sistema mais emotivo e impulsivo do que pelo sistema mais racional, fazendo com que caíamos em algumas armadilhas, que podem nos fazer gastar mais do que gostaríamos.

Com a proximidade da Páscoa, podemos reparar em alguns casos envolvendo os populares Ovos de Páscoa.

  1. Preços Quebrados

Basta olhar nas “parreiras” de ovos de páscoa em supermercados e lojas ou utilizar pesquisadores de preços online que nos deparamos sempre com preços “quebrados”. É muito raro vermos preços divulgados com números redondos, como R$ 50 ou R$ 100, mas sim como R$ 49,99 ou R$ 97.

Esses números “quebrados” resultam em alguns efeitos. O primeiro deles é o efeito do dígito esquerdo. Vários experimentos mostram que muita gente arredonda o valor do ovo para os números anteriores à virgula (por exemplo, arredonda-se R$ 39,99 para R$ 39,00). Você pode estar pensando “mas são apenas R$ 0,99 que foram ignorados”, porém, numa compra de vários ovos ou outros itens, esses arredondamentos para baixo podem resultar numa aproximação bem abaixo do valor real.

O efeito destes números quebrados também faz com que muita gente deixe de fazer as contas para verificar o total da compra, ou ainda, tenham a sensação que o preço está assim por conta de algum desconto, o que, inconscientemente podem levar a um consumo maior do que o necessário.

  1. Preços Âncora

A opção de ovos é gigantesca. Existem diversas marcas, tamanhos, sabores e estilos. Todas as marcas acabam tendo desde o ovo mais tradicional, que é basicamente somente chocolate, até os mais elaborados, com recheios, surpresas e tamanhos. Junto a essa variação, vem a diversidade dos preços. E aí, como definir qual está barato e qual está caro?

Com isso, aparece o conceito da ancoragem, que faz com que exista um preço referencial que permite a variação de preços. O ser humano sempre busca referências para sua tomada de decisão, e, com um produto âncora, julga-se se os demais estão baratos ou caros.

No caso específico dos ovos, esse fenômeno da ancoragem pode aparecer de duas formas: a primeira delas é utilizando o ovo mais simples como base. Por exemplo, comparando um ovo tradicional, até com maior quantidade de chocolate, com um ovo infantil, menos, mas com brinquedo e algum personagem famoso, vemos que, apesar do tradicional ser maior, o outro ovo, da mesma marca, por possuir uma personagem infantil e um brinquedo, acaba tendo um valor agregado maior, deixando de ser apenas chocolate.. Divulgar apenas o ovo infantil e seu preço pode fazer parecer caro, porém, com a referência do ovo mais simples, a sensação do valor mais alto já perde sua força.

A segunda forma de ancoragem que aparece é relacionada ao preço que o produto tinha antes do desconto. Por exemplo, uma promoção de ovo de Páscoa que divulga que o seu preço inicial era de R$ 56,99, e, com a promoção passa a custar R$ 39,99, gera um cenário de comparação entre os preços, fazendo o preço antes da promoção ser o preço âncora, referência, o que faz o novo preço, parecer muito mais atraente. Se apenas o preço atual fosse divulgado, as chances do consumidor achar caro e não comprar seriam maiores.

  1. Parcelamento

Por conta da elevação dos preços dos ovos ao longo dos últimos anos, diversas lojas passaram a oferecer a opção do parcelamento na hora de pagar. Com esta opção, o valor do produto passa a ser diluído nas próximas faturas do cartão de crédito do consumidor, que passa a ter a sensação de poder gastar mais, olhando apenas o valor da parcela deste mês.

O parcelamento é uma forma interessante e importante para a compra de alguns bens, principalmente as de valores mais elevados, porém, as finanças dos próximos meses devem ser analisadas, para ver quais impactos as parcelas trarão. No caso dos ovos de Páscoa, lembre-se que a Páscoa passa rápido, e os ovos também acabam num piscar de olhos, mas as parcelas podem estender-se por um longo prazo, e, acabam juntando-se com outras compras parceladas que aparecem no meio do caminho, como por exemplo de dia das mães, resquícios do Natal, viagens que foram feitas no começo do ano, e por ai vai.

  1. Promoções

Assim como diversos outros produtos, já viraram comuns as promoções “Pegue X e Leve X+1 Ovos de Páscoa”, “A segunda unidade sai por …” ou ainda “Na compra de X Reais, ganhe um brinde”. Se por um lado são promoções que podem representar vantagens no valor total pago pelos produtos, por outro, podem ser um incentivo para o consumidor levar mais do que ele levaria caso a promoção não existisse.

Há também uma variação no tamanho e no destaque das palavras. O destaque maior fica para o desconto que é concedido, por exemplo, 50%. Porém, num tamanho bem menor, e com menos destaque, aparece que este desconto é válido apenas na 2ª unidade. No sistema intuitivo e emocional pode olhar rápido e nem perceber esse detalhe, ou ainda, conforme dito anteriormente, podemos levar a segunda unidade apenas por ela estar na promoção, sem a intenção inicial de comprá-la.

Para evitar cair nestas e em outras armadilhas, as seguintes dicas são sempre válidas:

  • Faça um orçamento de quanto você pode gastar nesta Páscoa e quem serão as pessoas presenteadas
  • Antes de sair comprando, compare preços em diferentes lojas e online, para avaliar as faixas de preços e as melhores promoções
  • Evite levar crianças na hora que for comprar os ovos. A grande variedade de produtos para este público são grandes incentivos para compras de ovos antes mesmo da Páscoa
  • Está sem dinheiro para comprar os ovos de Páscoa? Considere dar lembrancinhas mais simples, como chocolates avulsos ou até fazer ovos caseiros.

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