Omissos e indignados

85

Por Luís Carlos Bedran

 

Em outubro de 2020 novamente realizar-se-√£o as elei√ß√Ķes municipais para os cargos de vereador e prefeito. Essa √© uma das vantagens mais importantes da democracia: a periodicidade das elei√ß√Ķes, onde os cidad√£os e as cidad√£s, pelo voto livre e secreto, escolher√£o os nomes dignos de represent√°-los em nossa jovem Rep√ļblica, que neste ano completar√° apenas 130 anos no pr√≥ximo 15 de novembro.

Nem sempre foi assim em nossa História. Por isso mesmo não poderemos perder mais essa oportunidade ímpar: a de votar para renovar ou continuar a manter os quadros atuais dos nossos representantes no Legislativo e Executivo, isso na hipótese de eles quererem candidatar-se à reeleição.Nesse caso poderão ser reeleitos se estivermos contentes com o que se propuseram a fazer para o bem da população e então até mesmo poderão continuar; caso contrário, serão rejeitados.

Mas nem todos os cidadãosexercerão seu direito/dever, apesar de o voto ainda ser obrigatório, pois uns se absterão, outros votarão em branco ou então anularão seu voto. Por quê? Os primeiros, os omissos, porque pouco se importam em ser administrados mal ou bem pelos próximos quatros anos, tanto faz como tanto fez; julgam-se não responsáveis pelo futuro do município.

Os votantes em branco ou os que anular√£o seus votos, pressupondo-se sejam pessoas conscientes de seus atos, demonstrar√£o uma revolta, indigna√ß√£o mesmo contra o status quo. Nem tanto contra o sistema democr√°tico, mas especialmente em rep√ļdio √†queles pol√≠ticos que no passado os decepcionaram e, por isso mesmo, achar√£o que n√£o mais merecer√£o seus votos.

Por√©m, ainda dentro desse universo, muitos agir√£o por raz√Ķes inconfess√°veis, psicol√≥gicas, rid√≠culas at√©, imposs√≠veis de penetrarmos em seu √≠ntimo. O importante √© que os pertencentes a essas tr√™s categorias, o que t√™m em comum √© serempessoas que pouco se importar√£o sobre o que poder√° ocorrer na cidade onde vivem, trabalham e t√™m suas fam√≠lias para sustentar.

Por omissão em sentido lato ou por ação negativa, pode-se afirmar que não deveriam viver numa sociedade em que os outros, os por eles responsáveis, aqueles que votarão conscientemente em seus candidatos que os representarão, decidirão o que seria melhor também para eles.

O que significa dizer que faltou a essas pessoas uma forma√ß√£o pol√≠tica que deveria ter sido orientada pela Educa√ß√£o, e n√£o apenas a pol√≠tica, ainda muito prec√°ria nesse sentido, o que, na verdade, de um modo geral, apesar de tudo, apesar das recrimina√ß√Ķes daqueles eleitores respons√°veis, da sociedade, mereceriam desculpas por isso.

Pois n√£o s√£o elas as culpadas pela omiss√£o cr√īnica das autoridades, dos nossos governantes, que teriam a obriga√ß√£o, em nossa Rep√ļblica, de lhes darem condi√ß√Ķes m√≠nimas para votar com conhecimento sobre o que se passa no Pa√≠s e, em especial, nos munic√≠pios, a c√©lula ‚Äúmater‚ÄĚ, o lugar onde vivem. Como um exemplo de civismo, caracter√≠stica da na√ß√£o norte-americana, o que l√° existia at√© h√° alguns anos nas escolas p√ļblicas: o jovem, ao se formar no secund√°rio (‚Äúhigh school‚ÄĚ), ao receber seu diploma, recebia tamb√©m um exemplar da Constitui√ß√£o daquele pa√≠s.

E n√£o s√£o apenas na internet, nas redes sociais, na imprensa falada ou escrita, em que atualmente ningu√©m mais mais alegar ignor√Ęncia sobre tudo o que se sucede em qualquer lugar, que conseguiremos buscar informa√ß√Ķes. O que √© preciso tamb√©m √© que saibamos separar a verdade da mentira que s√£o divulgadas nesses meios.

Se tivermos esse esp√≠rito de desconfian√ßa, de d√ļvida, com conhecimento, ser√° mais f√°cil termos condi√ß√Ķes de agir com sabedoria e menores condi√ß√Ķes de errar, no caso de colocarmos nossos votos nas urnas. E aqueles omissos, os indiferentes, deixar√£o de o ser, pois a√≠ todos n√≥s, sem exce√ß√£o, seremos respons√°veis.

O povo sabe votar, desde que tenha informa√ß√Ķes precisas e corretas sobre o que se sucede na cidade onde vive. Caso contr√°rio, a minoria atuante e politizada, que governar√° a maioria omissa em nosso sistema democr√°tico, n√£o mais ter√° vez. E √© sempre um perigo os governantes, assim eleitos ou reeleitos, deturparem, por interesses pessoais e pol√≠ticos, os verdadeiros objetivos de uma governan√ßa em prol do bem-estar da popula√ß√£o.