O Grande Engano

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Conta a lenda que em uma cidade (zinha), longe daqui, há tempos, um engano teria acontecido tendo levado uma das pessoas envolvidas no acontecimento a enxergar com olhos de ver a questão da materialidade , e da espiritualidade. Nada com religião, sim com valores .

Bem… numa noite já perto das onze horas, a casa de um morador foi invadida por quatro homens mascarados, armados, que ali chegaram pois através de outrem , que os moradores eram “turcos”, haviam vendido uma casa e possuíam cem mil reais em um cofre.

Arma na cabeça, faca no pescoço, amarraram os moradores e partiram para os quartos em busca do cofre. Eram quatro os quartos.

Acontece que nem casa tinham para vender, nem cofre havia ali. Eram descendentes de Italianos.

O ladrão “bonzinho” ficou no quarto onde ficaram amarrados , tomando conta dos dois, que mal podiam se mexer. Chegou até a falar que sua mãe era diabética e estava quase cega. A senhora resolveu lhe dizer que não o julgava pois não conhecia sua história desde o início. Mas quando chegavam os grandões , nosso “guarda” mudava. O tempo passava, e nada encontravam. Irados, abriram uma gaveta perguntando se havia dinheiro ali, na qual respondeu a dona da casa….não ,só contas para pagar.

Seu irmão apavorado, pois ela respondia, (sempre de cabeça baixa), tinha receio que eles se enraivecessem e o pior poderia acontecer.

A senhora um tanto desnorteada cansada, acabou pedindo para o ladrão se poderia deitar a cabeça no joelho dele. Sim disse ele. Seu irmão já imaginou que não morreriam por não ter dinheiro, sim pelos atos inusitadas da irmã em um momento tão delicado, ela resolvera falar tanto.

Foi quando o homem que tomava conta dos dois percebeu que ela não estava muito bem.

Foi ai que lhe perguntou: Posso ir até a geladeira e trazer uma água para a senhora? Ai o caldo entornou. Não poderia dizer não. Enquanto chegava até a cozinha os comparsas reviravam os quartos….e lá vem ele com um copo com água. Seu receio foi maior daquele momento que lhe encostaram a arma. Mas abriu um sorriso amarelo, cabeça baixa e tomou. Bem , imaginou a senhora…estou viva.

Enquanto o dito homem fora apanhar a água ela pergunta ao irmão , nervosa: Será que vão levar nossa pratas? O irmão misturando pavor e raiva, seu coração batendo acelerado lhe respondeu: Minha irmã, estamos para morrer e pensas em prata? Foi nesse momento que um pensamento lhe veio à mente … Quanto valem as coisas materiais, como o dinheiro que é necessário para sobreviver, entre outras não tão necessárias?

Teve tempo para refletir que as pratas é o que menos valiam naquele momento, como em todos. Parou de pensar nos bens matérias, ´pois estamos nesse mundo apenas para sermos provedores de tudo quanto nos rodeia. Nós vamos , mas nosso espírito irá também. As pratas ficarão. E os homens se engalfinhando por conta de coisa materiais.

Quando meio assustada voltou a realidade , ouviu um celular tocar chamando o comparsa “bonzinho” que tomara conta dos dois.

Como não nos deram trabalho, ele disse…” imagine se daríamos senhor”….. disse ela apavorada….: Vou levar um carro e deixarei em lugar fácil de encontrar.

O tempo passou , a hora para saírem chegou. Os ladrões não vieram dar aulas, mas foi naquele momento que ela aprendeu mais um pouco sobre o que significam os bens materiais, e o que significa a espiritualidade. Acumular bens matérias??? O que vieram a esse mundo foi acumular se possível , bens espirituais.

Para finalizar , após cinco horas de medo, quando saíram, ouviu um deles dizer um palavrão, pois lhes tinham dado o endereço errado.

Ai o grande engano…que eles jamais se esqueceram, e muito menos os marginais. O final deles não ficaram sabendo, mas o deles, sabem sim. Afinal o que levaram foram coisas materiais…nada lhes roubaram do espírito. Os valores espirituais jamais serão roubados, e são os

mais valorosos. Mas muito cuidado é pouco, feche bem a porta !!!