LULA LIVRE: O QUE MUDOU PARA A CLASSE TRABALHADORA?

Walter Miranda

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É triste ter que, neste artigo, dizer com franqueza o que penso sobre o meu ex-partido e o seu importante papel na atual conjuntura política nacional. Pensei que os quase 580 dias de prisão política do maior líder operário da história do Brasil, serviria como profunda reflexão para uma completa reformulação ideológica daquele Partido criado o ano de 1980, que tinha como propostas “pétreas”: a) Luta por uma sociedade socialista sem explorados e exploradores; b) Luta por um governo dos trabalhadores; c) Luta por Reforma Agrária sob o controle dos trabalhadores. A gente dizia publicamente: Trabalhador vota em trabalhador! Quem pica cartão não vota em patrão! Quem sabe produzir, sabe governar!

Lula iniciou o seu primeiro discurso para os trabalhadores no seu berço político, dizendo: “Estou de volta!”. Durante a prisão percebi que a maioria dos militantes petistas e lulistas sumiram das ruas, o que foi bom para a extrema-direita e os fascistas. A maioria absoluta dos petistas/lulistas esconderam as bandeiras e ficaram esperando as decisões da Justiça burguesa e o momento de, pela via eleitoral, voltar à direção política do Brasil.

Por diversas vezes tentamos construir a Greve Geral, a exemplo do que está acontecendo no Chile, Argentina, França e outros países, mas os petistas/lulistas ficavam exigindo que o PSTU aderissem às suas políticas equivocadas de ficar esperando o “mito” Lula para retomar a luta rumo ao poder pela via eleitoral.

É sabido que o ex-presidente Lula e o PT chegaram à situação que estão pelas próprias escolhas políticas que fizeram, ou seja, se aliando e governando com a direita. As pessoas mais politizadas e conscientes no campo da esquerda no Brasil sabem que, infelizmente, o Partido governou para banqueiros, empreiteiras como a Odebrecht, OAS, UTC, etc. e outras que “mamaram nas tetas” do Estado corrompendo e se locupletando do patrimônio público.

Alguns petistas, ingenuamente ou como defesa, questionavam: “E os outros políticos, porque não foram presos?”. É claro que é revoltante ver que neste país, neste sistema capitalista injusto e excludente, rico não vai pra cadeia. Penso, no entanto, que o grande líder da classe trabalhadora não poderia ter se aliado a essa gente. Foi sofrido ver o PT e o Lula se aliando ao Sarney, Renan Calheiros, Temer, Maluf, Collor e outros políticos corruptos para serem eleitos e governar o Brasil.

Parte dos militantes do PSOL tem assumindo o discurso de que a condenação e prisão do Lula foi um ataque à democracia e ao estado de direito, um aprofundamento de um golpe que começou com o impeachment da Dilma. Reconheço que o Lula é uma importante liderança e, com outra linha ideológica, pode unir as esquerdas, inclusive o PSTU.

Para os trabalhadores e o povo pobre, todos os corruptos e corruptores, de direita ou de esquerda, deveriam estar na cadeia e ter todos os seus bens confiscados e suas empresas expropriadas. Essa é resolução política do PSTU, meu Partido. Aprendi, militando no PT na década de 80, que a Justiça burguesa é, e sempre foi, seletiva e tem favorecido os ricos.

É preciso exigir julgamento, condenação e prisão de Temer, Aécio, José Serra e toda quadrilha encastelada no Estado brasileiro, incluindo os empresários corruptores, pois também são ladrões dos recursos públicos desse país. É preciso confiscar os bens de todos eles e usar a suas fortunas para proporcionar saúde e educação para a população.

O lamentável é ver o Lula, livre da prisão, defender a volta da Marta Suplicy ao PT e ser a candidata a prefeita de São Paulo em 2020, ou vice de Haddad. Será que os petistas históricos no campo da esquerda e o “aliado” PSOL vão aceitar isso? Dilma, com razão, não quer a volta da traidora Marta. Em 2016, quando senadora, com tom de vingança, ela disse que não tinha pena de votar a favor do impeachment de Dilma.

Assim, ficam as perguntas: “Lula livre, o que mudou no PT e para a classe trabalhadora?”. Vai continuar valendo tudo para, pela via eleitoral, retornar aos governos? O que vai mudar para a trabalhadora pobre, desempregada e na miséria?

WALTER MIRANDA, militante do PSTU e CSP-CONLUTAS, dirigente do SINSPREV/SP e presidente do SINDIFISCO-NACIONAL/Delegacia Sindical de Araraquara.