Desemprego: Situação desoladora

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Por Alessio Canonice
alessio.canonice@bol.com.br

 

Pelo menos de momento são mais de 13 milhões de pessoas desempregadas que estão à procura de trabalho, depois de um mínimo de 6,2% em 2.013. Contudo, à época desse fato, o governo pagou caro por esse nível de ocupação, por um alto déficit, muito mais gasto do que arrecadação e preços elevados de energia elétrica e transporte.

Importante ressaltar nesta oportunidade o fato de que a economia sofre até hoje as consequências de uma política que não vem ao encontro do desejo do mercado de trabalho.

Hoje, 13,2 milhões de desempregados, os números são ainda mais desoladores, se considerados também os que estão sem carteira assinada ou desistiram de procurar trabalho, chegando a 28,4 milhões, um número preocupante e que merece a atenção com mais afinco por parte do governo em nível federal.

O país ainda não tomou consciência da bomba prestes a se explodir em seu mercado de trabalho, pois o desemprego ainda deve crescer, estendendo-se à preocupação da própria sociedade brasileira, ainda mais com cidadãos perdendo seus empregos, já que é um direito da empresa demitir por uma questão de ordem administrativa, a recessão e o mercado de trabalho com pouca perspectiva, proporcionaram às empresas nacionais uma pausa para respirar em termos de modernização e de outras situações neste campo.

Há mais de duas décadas a produtividade das empresas está estagnada, porém, os planos de abertura do mercado forçam agora a modernizar suas unidades para um desenvolvimento mais efetivo e sólido, visando fortalecer os cenários favoráveis ao emprego.

Diferentes indicadores importantes à produção no país têm apontado para incentivar a modernidade em determinadas esferas da economia. Contudo, a face mais visível da instabilidade enfrentada há meses permanece atingindo recordes. O desemprego traz a cada dia obstáculos penosos à vida de milhares de brasileiros. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), informa que já são 14,2 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Somente no primeiro trimestre do ano em curso, conforme levantamento, a taxa chegou ao patamar de 13,7% e que não se constitui em novidade para ninguém.

O balanço vai ao encontro do prognóstico pessimista da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no início desse ano. A entidade, ainda em janeiro, afirmou que o Brasil seria o motor do desemprego global, apesar de ter reconhecido a possibilidade de melhorar no ambiente econômico, a projeção alertou que as consequências de tal evolução demorariam para chegar ao âmbito do trabalho e se concretizar na criação de vagas.

Ao comparar os dados apresentados pelo IBGE nos primeiros três meses de 2.017, com as informações recentes ao período de outubro a dezembro do ano passado, destaca-se o aumento de 1,8 milhões de desempregados, o que equivale a 14,9%. O balanço também consultou recorde negativo no total de trabalhadores e, no trimestre encerrado, eram 33,4 milhões, o mesmo contingente desde o início da pesquisa em 2.012, houve queda de 3,5% em relação igual período de 2.016.

Outro levantamento obtido a partir das informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o resultado foi o segundo pior para o primeiro trimestre de 2.003. O saldo negativo foi influenciado pelas baixas do comércio, construção civil e tantos outros que desfilaram em épocas passadas.

Os principais municípios cearenses, por exemplo, responsáveis por alavancar a geração de emprego, também apresentaram estatísticas vexatórias no período. Na capital foram encerradas 3.393 vagas formais em março, sendo que na região metropolitana de Fortaleza (RMF), Cascavel, Paraipaba, Maracanaú e Euzébio também sofreram perdas significativas.

A reforma trabalhista é a principal estratégia do governo federal no combate à escalada do desemprego. As mudanças aprovadas pela Câmara dos Deputados tempos atrás, foram 296 votos favoráveis e 177 contrários. Alteraram mais de 100 pontos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). As modificações se inspiraram no modelo adotado pela Espanha em 2.012, quando os europeus também vivenciaram os efeitos do encolhimento no mercado de trabalho.

A queda da inflação ao menor nível desde o início do Plano Real, em 1.994, evitou que a degradação da renda dos trabalhadores neste trimestre fosse maior, mas os dados negativos sobre o desemprego preocupam, tendo em vista a incapacidade do setor produtivo, sem que haja por parte do governo maior incentivo ao desempenho a contento da classe produtiva, responsável pelo crescimento econômico e pela expansão do emprego.