Vereadores repudiam fala de membro do G7 sobre professores de história

O vereador Carlão do Joia (Patriota) chamou educadores de ‘maconheiros’ em sua fala no pequeno expediente na última sessão da Câmara

108

Uma fala no pequeno expediente da sessão da Câmara Municipal de Araraquara na última terça-feira (6), deixou parte dos vereadores da Casa de Leis assustados. O vereador Carlão do Joia (Patriota) chamou professores de história de ‘maconheiros’, ao se referir ao período da ditadura militar no Brasil que violou direitos e provocou várias mortes.

Defensor do golpe militar de 1964, o vereador disse em sua fala na sessão virtual da Câmara que: “Quem não viveu a história e só ouviu aquele professor ‘maconheiro’ de história contar, dia 31 de março não comemoramos um golpe, mas um contragolpe, pois o comunismo estava sendo instalado no país e os militares responderam um chamado da população e interviram”, disse.

A fala provocou grande repercussão tanto entre os profissionais da Educação, como entre os próprios companheiros de Casa. Vereadores de partidos diversos emitiram notas de repúdio à fala do edil do Patriota, ressaltando a importância da classe dos professores.

Veja algumas notas de repúdio:

“O vereador Edson Hel e o partido Cidadania repudiam veementemente a fala do vereador que atacou os professores de história na última sessão da Câmara Municipal. É um completo desrespeito para com os mestres que nos guiam por um caminho melhor na vida, àqueles que já sofrem com a falta de reconhecimento financeiro por parte do Estado, e que ainda assim, continuam sua luta diária por uma país melhor.

O que piora a situação é que vem de uma autoridade que deveria ser eleita para defender a classe, não para atacá-la. Jamais eu e meu partido seremos coniventes com esse tipo de situação! Força, professores!”, diz a nota.

Nota de repúdio do MDB

“O Movimento Democrático Brasileiro vem à público se solidarizar com todos os profissionais ligados ao setor de Educação de Araraquara e do Brasil, que foram ultrajados na sessão ordinária da Câmara Municipal de Araraquara, na última terça-feira (6), quando um vereador atacou os professores de história, taxando-os de ‘maconheiros’. Tal ataque, sem escrúpulos, atinge toda uma categoria abnegada e dedicada.

O Partido MDB não compactua com atos dessa natureza, que agridem e ofendem quaisquer seguimentos da sociedade, ainda mais de professores e profissionais da Educação, que são o alicerce e parte fundamental para a formação de uma sociedade justa e igualitária”. A nota ainda ressalta que o partido vai continuar lutando para fortalecer esses trabalhadores já tão injustiçados.

Nota de repúdio do Partido dos Trabalhadores

“O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores vem a público repudiar e condenar veementemente a postura e falas do vereador Carlão do Jóia (Patriota) que na última terça-feira (06) durante a sessão da Câmara Municipal apresentou total ignorância sobre o golpe militar de 1964, uns dos momentos mais sombrios da história brasileira, demonstrou sua falta de compromisso com a situação crítica pela qual o pais passa em decorrência da pandemia COVID-19 e taxou de forma odiosa os professores de história como “maconheiros”, atacando assim todo o professorado.

Ao contrário do que expressa o vereador, a democracia não possui um sentido diferente e em nenhuma hipótese está lastreada na submissão a um desgoverno, incapaz e incompetente que mergulhou o Brasil em uma crise humanitária sem precedentes em nossa história. Em suas falas o vereador deturpa o papel do vereador e da Câmara Municipal. Não podemos ser coniventes!

Desta forma, expressamos nosso profundo respeito aos professores e a toda classe trabalhadora e repudiamos qualquer ataque que possa ser feito a nossa democracia, às lutas e ações populares que ajudaram o povo brasileiro a derrotar a ditatura, prevalecendo o bem comum.

Ditadura nunca mais!”, ressalta a nota do PT.

Comissão de Educação

Os membros da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Araraquara, composta pelos vereadores Gerson da Farmácia, Luna Meyer e João Clemente também se manifestaram. “A Comissão vem a público manifestar respeito, admiração e solidariedade aos profissionais do setor da educação, em especial aos professores. As palavras desrespeitosas dirigidas aos professores, taxando-os de “professores de História maconheiros”, proferidas pelo vereador Carlão do Jóia, na Sessão Ordinária desta Câmara Municipal, na data de 6 de abril, não representam a opinião desta comissão”, diz nota.

Esclarecendo

O vereador Rafael de Angeli (PSDB), que faz parte do grupo G7 o qual Carlão também integra, emitiu uma nota esclarecendo que também não compactua com a fala do companheiro de grupo. Ele ressaltou seu apoio aos profissionais da educação. “Ao longo da minha carreira na política, estive lado a lado com os servidores públicos, lutando pela valorização dos professores e pelos demais profissionais da educação. Eles merecem todo o respeito e dignidade”, disse.

O tucano relatou que o G7, composto pelos vereadores de oposição, com membros dos partidos PATRIOTA, PDT, PSDB e PODEMOS, tem, como objetivo, qualificar o debate na Câmara Municipal de Araraquara, com base na apresentação de projetos em conjunto, compartilhamento de questões e discussões sobre propostas advindas do executivo. De acordo com ele, o  principal objetivo do grupo é o fortalecimento da Câmara Municipal na qualidade de Poder Autônomo, desvinculado de quaisquer amarras com o Poder Executivo.

“Cabe ressaltar que cada mandato mantém sua autonomia e que as falas individuais de cada parlamentar durante o Pequeno Expediente, nas sessões da Câmara, bem como os projetos apresentados individualmente, não refletem necessariamente a opinião do grupo ou de seus integrantes”, destacou Rafael.