Protótipo de game começa a ser testado na Uniara para reabilitação de pacientes pós-AVC

Resultados preliminares foram promissores, de acordo com docente de Fisioterapia da universidade

38

Na última semana, um protótipo de um serious game começou a ser testado para a reabilitação de pacientes que tiveram Acidente Vascular Cerebral – AVC, atendidos na Clínica de Fisioterapia da Universidade de Araraquara – Uniara. O projeto, criado inteiramente na instituição por meio de uma parceria entre os cursos de Fisioterapia e Jogos Digitais da instituição, teve resultados preliminares promissores, de acordo com a docente de Fisioterapia, Ana Claudia Nunciato, que é supervisora do projeto, juntamente com o coordenador e o docente de Jogos Digitais, Juliano Marcello e Henrique Buzeto Galati, respectivamente, e o colaborador do setor de Web da universidade, Celso Andretta Junior.

 “O projeto é intitulado ‘Aplicação do FisioParty na reabilitação neurofuncional’ e tem o propósito de avaliar a aplicação do ‘FisioParty’ – jogo desenvolvido de forma inédita – na funcionalidade dos membros superiores em pacientes pós-AVC, sendo que parte desse projeto é aplicada pela aluna da graduação, Beatriz Vitorino Migues, que havia me procurado no início de 2020 para ser sua orientadora em um projeto com realidade virtual e pacientes neurológicos. Chegamos a esse projeto, aprovado pelo Comitê de Ética, com essa parceria incrível antes da pandemia e, por isso, só estamos iniciando sua aplicação agora”, explica Ana Claudia.

Com as primeiras sessões, ela conta que os pacientes “adoraram a experiência”. “Ficamos muito animados com a resposta motora do braço desses pacientes acometidos pelo AVC. É importante salientar que essa é uma Terapia de Realidade Aumentada, ou seja, é um recurso tecnológico em constante progresso, que permite a interação homem-máquina de forma segura, motivadora e funcional. Esse recurso pode ser utilizado como instrumento de reabilitação, visando a atenuar ou minimizar os agravos em indivíduos pós-AVC”, destaca.

Galati menciona que o uso do protótipo gerou um engajamento nos pacientes. “Foi apenas um teste que fizemos, mas percebemos que havia uma senhora que tinha bastante dor no braço, e fazia tratamento com leves choques para aliviar a dor. Enquanto fazia o tratamento, ela alcançou uma angulação que a professora Ana comentou nunca ter visto acontecer, sem sentir dor”, relata.

Todo o desenvolvimento foi feito por meio da dinâmica de codesign, na qual todos participaram do processo, de acordo com Galati. “O Celso foi o responsável pela parte de hardware: ele calibrou os sensores, criou o algoritmo que os estabilizava e fez o tratamento do sinal, para enviá-lo via USB. Minha parte foi a de pegar esses dados – é uma conexão um pouco instável, mas conseguimos estabilizar isso – e criar um jogo para teste, sempre com o auxílio da professora Ana e de Beatriz, com relação à parte técnica, pois não adiantaria fazer o game se ele não ‘casasse’ com a reabilitação do paciente. Assim, sempre que eu ia implementar uma mecânica nova no jogo, conversava com ambas, e o Celso também dava orientações. A cada nova interação, eles sugeriam modificações para a validação do projeto”, detalha.

Serious games

Marcello e Andretta Junior comentam existem os games aplicados à solução de problemas reais. “As pessoas geralmente relacionam os jogos somente a entretenimento, mas existe uma corrente muito forte nessa área, que é a dos serious games – os jogos sérios -, aplicados para resolverem problemas reais. Nesse projeto, o jogo auxilia o profissional de fisioterapia a aplicar no paciente os movimentos que ele deve fazer para tratar sua patologia específica”, esclarece.

O projeto, segundo eles, “é algo inovador que estamos fazendo na Uniara – toda essa tecnologia é desenvolvida na instituição -, ao desenvolvermos tanto o jogo quanto o dispositivo que é colocado no paciente”. “A intenção é melhorar a sensibilidade do equipamento e corrigir detalhes. É uma série de questões técnicas que precisam ser ajustadas para que funcione corretamente. Temos um game, e a ideia é desenvolver vários jogos ou várias fases, enfim, é evoluir esse projeto”, apontam.

Galati finaliza acrescentando que “agora que temos toda a estrutura de hardware e software validada, a ideia é direcionar a continuação desse projeto para o Trabalho de Conclusão de Curso – TCC dos alunos de Jogos Digitais, expandindo-o conforme as necessidades da Clínica”.