Prefeitura inaugura nova sede do Centro de Referência Afro “Mestre Jorge”

Novo espaço, administrado pela Coordenadoria de Políticas Étnico-Raciais, fica na Avenida Mauá, nº 377, na região central

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A Prefeitura inaugurou na noite de segunda-feira (13) a nova sede do Centro de Referência Afro “Mestre Jorge”, que agora fica localizado na Avenida Mauá, nº 377, no Centro. A nova sede abriga melhor os serviços oferecidos e tem maior acessibilidade para a população.

O Centro Afro, vinculado à Coordenadoria de Políticas Étnico-Raciais da Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular, tem objetivo de divulgar a cultura afro em suas diversas linguagens, além de ser um espaço de articulação de políticas públicas. A nova sede conta com duas salas multiuso, acervo de livros, Centro de Cultura Digital e uma área externa.

Em sua fala no evento, o prefeito Edinho lembrou que a inauguração do Centro Afro em sua primeira passagem pela Prefeitura, em 2006, atendeu a uma demanda eleita como prioritária no Orçamento Participativo.

“A cidade enxerga no Centro de Referência um local de acolhimento onde pode encontrar as informações corretas e ter conhecimento das políticas públicas”, afirmou. “Este Centro Afro, cada vez mais, será um espaço de construção das políticas públicas e de combate a todas as manifestações de racismo, construindo uma cidade mais igualitária”, acrescentou Edinho.

Representando a Câmara Municipal, a vice-presidente, vereadora Thainara Faria (PT), destacou a importância do Centro Afro para a sociedade e falou sobre o combate ao preconceito. “Nós não recuaremos mais na luta pela garantia dos nossos direitos constitucionalmente garantidos.”

A coordenadora de Políticas Étnico-Raciais, Alessandra Laurindo, reforçou os serviços e cursos oferecidos pelo Centro Afro. “Esse espaço é nosso. Obrigado, Edinho, pela sua luta. Araraquara vai continuar sendo a morada do Sol, e não do racismo”, salientou.

O secretário do Centro de Equidade Racial do Estado, Ivan Lima, anunciou que Araraquara terá um Centro de Equidade Racial em breve, em parceria com o Governo do Estado. “Escolhemos Araraquara por causa desta militância aqui, que é referência no interior e em todo o estado de São Paulo também. Fico feliz por estar aqui trazendo esse anúncio”, afirmou Ivan.

O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Dr. Eliseu Soares Lopes, enalteceu as políticas públicas desenvolvidas no município. “Muito obrigado, como negro e como cidadão, por termos uma referência na cidade de Araraquara, que compreende a importância da população negra.”

O presidente do Conselho Municipal de Combate à Discriminação e ao Racismo (Comcedir), Fábio Mahal, disse que a inauguração é uma conquista. “Ter um Centro de Referência onde os todos que se identificam com a cultura negra possam ter uma referência esportiva, cultural, de literatura, de artistas, é muito importante.”

Representando os familiares de Mestre Jorge, estiveram no evento Josmar Brandão Coutinho, filho, e Tânia Caldeira, sobrinha. Josmar utilizou a palavra e agradeceu pelas homenagens ao pai. “Estarmos aqui é uma grande conquista e um motivo para comemorar. Meu pai representa uma resistência contra séculos de preconceito e repressão”, destacou.

Também estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal, Aluísio Boi (MDB), a vereadora Filipa Brunelli (PT) e os vereadores Guilherme Bianco (PCdoB) e João Clemente (PSDB); a secretária de Direitos Humanos e Participação Popular, Amanda Vizoná; o coordenador de Direitos Humanos, Renato Ribeiro; a assessora de Políticas LGBTQIA+, Érika Matheus; Cláudio Claudino, representando a Comissão de Combate à Discriminação Racial da OAB Araraquara; o presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro, Alfredo de Oliveira Neto; o presidente do Conselho da Comunidade Negra de São Carlos, Cláudio Salvador; o gerente do núcleo regional de Araraquara da CDHU, Benedito dos Santos; capitão Del Vecchio e soldado Renata, representando o 13º Batalhão de Polícia Militar do Interior; entre outras autoridades.

Mestre Jorge
Jorge Brandão Coutinho, o Mestre Jorge, expoente da cultura de Araraquara, começou a esculpir em madeira com 10 anos de idade e, aos 29, fez sua primeira grande obra, uma representação de Nossa Senhora.

Nascido em Araraquara, em 1932, trabalhou na Companhia Paulista e no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), simultaneamente às atividades culturais. Aposentou-se em 1990, quando passou a se dedicar completamente à arte.

Artista autodidata, Mestre Jorge produziu mais de 400 obras que retratam o cotidiano, com personagens populares e referências sacras; suas obras revelam esculturas de festas juninas, rodas de capoeira, pretos velhos, coretos, bailes populares, lavadeiras, crianças brincando na rua, indígenas e trabalhadores do MST. Mestre Jorge faleceu aos 78 anos, em 24 de novembro de 2010.