Pedido de impeachment de Edinho é rejeitado por 13 votos a 4

“É um momento de tristeza, pois membros dessa Casa não respeitam os companheiros. Pessoas de fora vêm para cá fazer politicagem. Isso é um desrespeito com as pessoas de bem de Araraquara”, declarou o presidente da Câmara, Aluísio Boi

156

A maioria esmagadora dos vereadores da Câmara Municipal de Araraquara rejeitou, nesta terça-feira (3), o pedido de impeachment do prefeito Edinho Silva (PT). O pedido foi protocolado nessa segunda-feira (2) por partidos de direita que fazem oposição ao prefeito, com a presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), que esteve na cidade para participar da entrega de cestas básicas. Os candidatos derrotados na última eleição municipal, Dr. Lapena (Patriota) e Coronel Prado (Podemos) também assinaram o documento.

O motivo apontado pelo grupo, no documento que tem 38 páginas, é baseado no parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) por supostas irregularidades na tentativa da compra de 25 respiradores. A Prefeitura chegou a dar R$ 1,049 milhão de entrada, mas parte desse valor foi devolvido ao município, além disso, a justiça determinou a penhora dos bens dos envolvidos para o pagamento do restante do valor.

A mesa diretora seguiu o rito previsto no decreto-lei 201/67, que considera que o tema deve ser abordado na sessão seguinte ao protocolo do documento. O requerimento foi lido durante o Grande Expediente e, em seguida, colocado em apreciação dos parlamentares, que tiveram 5 minutos para se posicionarem favoravelmente ou contrários ao pedido que precisava de pelo menos 10 votos favoráveis para seguir a diante.

Pedido foi negado por 13 votos a 4

A maioria esmagadora dos vereadores negou o prosseguimento do pedido por entenderem que o mesmo era precipitado, pois existe uma CEI em andamento para apurar possíveis irregularidades cometidas pelo Executivo com relação aos valores recebidos para o combate à pandemia do coronavírus, além de acreditarem que o motivo seria meramente político.

Momento de tristeza

O presidente da Câmara, Aluísio Boi (MDB), descreveu a situação como de profunda tristeza. “Venho hoje aqui com muita tristeza presidir essa sessão, pois sou um grande defensor da democracia, do voto. Vejo que, da forma como foi feito, alguns vereadores não respeitam essa Casa, não respeitam os companheiros e nem as pessoas de bem da cidade. Hoje vemos que a economia da cidade está melhorando, não temos óbitos por Covid-19 há 6 dias, e pessoas de outras cidades vêm para Araraquara fazer politicagem barata. O prefeito teve 48 mil votos na urna. Vai ter 48 mil votos na urna pra depois vir aqui pedir o impeachment do prefeito. Me sinto envergonhado nesse momento, pois vou respeitar todos os votos, mas não concordo com essa política de quanto pior melhor’, desabafou Boi.

Rito democrático

Único vereador que se pronunciou a favor do pedido de impeachment, Dr. Marcos Garrido (Patriota), entendeu como normal e democrática a ação. “O pedido é democrático e segue o rito normal. Existem mais de 150 pedidos de impeachment contra o presidente Bolsonaro e o PT acha democrático. Eu entendo que devo votar sim hoje, pois a CEI foi aberta pela situação e, isso, desagradou a população”, declarou o vereador do Patriota.

Pedido patético

A vereadora Luna Meyer (PDT) fez duras críticas ao grupo que protocolou o pedido que chamou de patético. “O pedido é patético, um esquema de promoção visando as próximas eleições. É uma vergonha esse documento totalmente baseado em achismos e sem nenhuma prova de irregularidade. Quando não tem provas essa gente suja parte para o ataque na internet. Eu suplico a essa oposição para deixar essa Casa trabalhar, sem mimimi nas redes sociais. Melhora, vai trabalhar e fazer uma vida política decente”, afirmou a vereadora Luna Meyer.

Veja como votou cada vereador:

Não (contra o pedido de impeachment)/ Sim (favorável ao pedido de impeachment)

  • Edson Hel – Não
  • Emanoel Sponton – Não
  • Fabi Virgílio – Não
  • Filipa Brunelli – Não
  • Marchese da Rádio – Sim
  • Gerson da Farmácia – Não
  • Guilherme Bianco – Não
  • Hugo Adorno – Não
  • João Clemente – Não
  • Lineu de Assis – Sim
  • Lucas Grecco – Não
  • Carlão do Jóia – Sim
  • Luna Meyer – Não
  • Marcos Garrido – Sim
  • Paulo Landim – Não
  • Rafael de Angeli – Não
  • Thainara Faria – Não

Apoio de peso

A sessão, que foi realizada de forma online, foi acompanhada por cerca de 100 apoiadores do prefeito que se posicionaram na frente da Câmara Municipal. Entre eles, membros da Juventude do PT, sindicalistas da CUT, membros do PCO (Partido da Causa Operária), além de atletas da Fundesport.

O prefeito Edinho Silva recebeu várias declarações de apoio de companheiros do Partido dos Trabalhadores, como Fernando Haddad e da deputada Márcia Lia, além de Guilherme Boulos do PSOL, através das redes sociais.

Edinho classificou o episódio como: “ataque da família Bolsonaro a Araraquara”, através de sua conta no Twitter.  

“Nossa cidade se destacou no combate à pandemia por defender a ciência e a medicina. O bolsonarismo prega o negacionismo e incentiva o genocídio. Só isso explica essa obsessão por nos atacar: representamos a derrota ideológica deles”, destacou Edinho.

Foto: O Imparcial