Paciente acusa funcionários do Posto de Saúde do Melhado de discriminação

Enfermeiros teriam acionado a Polícia Militar e registrado uma ocorrência de desacato a funcionário público

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Uma paciente do Posto de Saúde do bairro do Melhado, localizado na Rua capitão José Sabino Sampaio, registrou um Boletim de Ocorrência nessa segunda-feira (7), alegando ter sido vítima de constrangimento no local por parte de dois funcionários. Os enfermeiros também registraram um BO contra a paciente, alegando terem sido vítimas de desacato.

A administradora de empresas, Kerla Gabriela Rodriguez Cordova, de 27 anos, procurou a reportagem do O Imparcial para registrar uma situação muito desagradável a que ela e seu filho, de apenas 2 anos, foram vítimas na manhã da última segunda-feira (7), no Posto de Saúde do Melhado. Kerla contou que foi até o posto de saúde levar o filho para uma consulta de rotina e, no momento em que a criança tirava a roupa para passar pela triagem médica, acabou chorando ao ver um enfermeiro que trabalha na unidade. Kerla disse que, para acalmar o filho, teria dito a ele: “Amor, olha para a mamãe que é bonita, não olha para eles porque eles são feios”, em tom de brincadeira. Porém, logo em seguida, ela teria sido chamada na sala da enfermeira chefe da unidade que relatou que os enfermeiros haviam se sentido ofendidos com a fala dela e que ela teria cometido um desacato contra um funcionário público. “Eu não sei como é em seu país, mas aqui isso é desacato’, teria dito a enfermeira chefe à Kerla que é natural do Peru.

Em seguida, a enfermeira chefe teria acionado a Polícia Militar para relatar o caso, porém, os policiais ficaram conversando com a enfermeira do lado de fora do posto de saúde apenas a ‘encarando’.

“Isso tudo foi uma humilhação para mim e para meu filho. Todo mundo ficou olhando para mim. A enfermeira chamou a polícia sem nenhuma necessidade e depois os policiais ficaram me encarando como se eu fosse uma criminosa. Eu falei para ela que não disse por mal, mas não adiantou. Eu pensei como tem tanta injustiça nesse mundo, porque isso não pode ficar assim, pois não vai acontecer só comigo que sou estrangeira, quem sabe quantos estrangeiros e, até mesmo araraquarenses já passaram por essa humilhação e ficaram quietos. Eles estão abusando do poder que eles têm. A gente não pode falar um A para um funcionário público que eles já te acusam de desacato e chamam a polícia. O que eu falei para meu filho não foi para ofender ninguém, foi apenas para ele descontrair e parar de chorar”, relatou kerla para a reportagem.

Kerla ressalta que os enfermeiros também teriam registrado um boletim de ocorrência contra ela no 4º Distrito Policial.

A assessoria de imprensa da prefeitura foi questionada sobre o ocorrido pela reportagem de O Imparcial e respondeu que a Secretaria Municipal de Saúde vai averiguar o caso.