Momento é de reconstrução política para 2022

O ex-deputado Roberto Massafera (PSDB) diz que partido está aberto a alianças para vencer momento difícil que o país enfrenta

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José Augusto Chrispim

“O PSDB está aberto a alianças para vencer esse momento difícil de pandemia pelo qual o país está passando”. Essas foram as palavras do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Araraquara, Roberto Massafera à reportagem do O Imparcial ao ser questionado sobre as recentes declarações da Bancada do partido na Câmara Municipal. Em nota enviada à imprensa, os membros da Bancada tucana – formada pelos vereadores Rafael de Angeli e João Clemente, se posicionaram contrários à participação de filiados do partido na composição no governo municipal do prefeito Edinho Silva (PT).

Para Massafera, o momento pede união de forças políticas para que a difícil situação vivida pelo país, devido à pandemia do novo coronavírus, seja vencida.

“Nós temos 32 partidos políticos no país e, em Araraquara tem uns 21, entre eles, uns 15 que participaram das eleições. Essa grande quantidade de partidos políticos é regida pelos interesses dos deputados federais que têm interesse no fundo eleitoral e, por isso, para mostrar a sua força, eles lançam candidatos a prefeituras não importando se eles têm chances de vencer ou não, só para marcar a presença deles. Essa é uma confusão que a legislação eleitoral causa. Quando teve a eleição de prefeito, o PSDB estadual tomou a decisão de não fazer coligação, que era para termos candidato próprio. Porém, como eu e a Edna que éramos os prováveis candidatos, não quisemos nos lançar na campanha, resolvemos nos unir ao Coca e a direção estadual do partido aprovou essa coligação. Para se ver como a política é feita de momento, a direção estadual do partido liberou a nossa coligação com um candidato do PSL que é hoje adversário do partido em São Paulo. Agora, nós estamos com uma perspectiva de reconstrução para 2022 cujas forças partidárias serão diferentes, então o diretório estadual liberou qualquer tipo de coligação em função do momento de pandemia que vivemos, que vai entrar em um segundo estágio que pode ser pior que o primeiro. Além disso tem o desemprego, a fome e a economia do país que não vai bem. Hoje, entre os prefeitos do estado que participam das reuniões para debaterem o enfrentamento da pandemia, o prefeito de Araraquara é um dos que mais apóiam o nosso governador. Inclusive mesmo entre prefeitos do PSDB, tem alguns que fazem mais oposição interna ao governador. Então, o Edinho é reconhecido pelo governador porque tem ajudado Araraquara de todas as formas possíveis. Nesse momento o diretório local, que é respeitado, tomou suas decisões de que deveria ter uma atitude independente pelo interesse da cidade. Eles alegaram que quem quisesse participar do governo deveria se desligar do partido ou pedir o afastamento. Então o Pelicolla falou que vai pedir o afastamento e o José Porsani, pela sua experiência política, pediu a desfiliação do partido, dizendo que não é o partido que manda nele. Além disso, a ordem que veio de São Paulo, do Vinholli, foi no sentido que fizéssemos composição com o governo. Existe a renovação do partido que é bem razoável, mas a liderança busca novos quadros. Eu ajudei a Edna ser candidata, lançamos o Coca, então, nós estamos lançando uma renovação política e tem outros jovens que foram eleitos vereadores que têm suas ambições, cada um pensa de uma maneira e, é positivo isso, mas existe uma determinação do diretório estadual que temos que respeitar, pois o momento é difícil para Araraquara e para o Estado. O espírito hoje é ajudar Araraquara, então a política é uma arte de buscar o bem comum e tudo o que o político faz é para buscar o bem comum. Mas hoje, na crise em que nós estamos, qual é o bem comum? A vida, a saúde, a alimentação, o emprego. Então, esse é o esforço, pois de uma certa maneira, você vê esse esforço nessa direção, apesar de existirem divergências políticas, partidárias e até individuais, mas eu vejo que todo esforço é nessa direção. O Edinho, quando o Lula era presidente, dizia que o PT não podia ser tão dividido e, agora, o nosso governador também busca esse consenso. Isso não significa que nós vamos deixar de ter candidato a presidente ou que o PT vai deixar de ter candidato a presidente, mas significa a ideia do bem comum”, relatou o ex-deputado.

Santa Casa

A respeito do corte de verbas para as Santas Casas, anunciado pelo governo do Estado recentemente, Massafera ressaltou que essa situação terá que ser revista e que algo será feito no sentido de não prejudicar os hospitais filantrópicos. “O ano de 2020 foi um ano atípico onde se destinou grandes quantias para as Santas Casas para o combate da pandemia, onde a própria Santa Casa teve um reforço de caixa. O secretário da Fazenda vendo que 2021 será um ano difícil tomou várias atitudes que eu sou contra, como taxar o agronegócio, mas o governador acabou voltando atrás. Da mesma forma, a Santa Casa que é uma entidade que eu acompanho há 12 anos, é uma entidade que vai bem, mas é deficitária. Ela atende 1 milhão de habitantes da região como hospital de referência e tem déficit que é coberto pela prefeitura que também tem dificuldades. E agora o governador, orientado por burocratas, fez o contingenciamento na receita do PróSantaCasa que foi feito pelo Serra para 400 hospitais, e o Santa Casa Estruturante que nós lutamos com Geraldo Alckimin para trazer para todas as Santas Casas. Agora, como está gastando muito no combate do coronavírus, eles acharam que podiam cortar 12%, mas estão errados. A Santa Casa, de alguma maneira, nós vamos ajudar”, garante.

Representatividade política

O ex-deputado acredita que se não houver uma união das forças políticas, Araraquara não voltará a ter representatividade política nas esferas estaduais e federais. “Existem pessoas que aprendem com os erros dos outros, já tem algumas que aprendem com seus próprios erros, a um preço maior. E tem pessoas que não aprendem. Na política, temos que aprender com os erros dos outros para não cometê-los. Araraquara ficou de 1970 a 1990 sem representação política. Aí nós conseguimos eleger o Barbieri, depois o Dimas, só assim voltamos a ter representatividade. Em 2000 houve uma divisão de forças políticas e o Edinho foi eleito prefeito. Em 2005, o De Santi chamou todo mundo e disse que deveríamos mudar aquele quadro. Em 2006 eu fui eleito deputado e depois fui reeleito outras duas vezes e, assim, pude representar Araraquara da melhor forma possível, trazendo as Fatecs daqui e de Matão, os cursos de engenharia química da Unesp, fizemos a duplicação do acesso à rodovia Araraquara/Jaú, ajudei a recuperar a Santa Casa, entre outras coisas importantes. A partir de 2018, houve essa divisão toda e eu não me reelegi, então encerrei a minha carreira política. O que fica de experiência é que se não juntar a gente na tem sucesso. Pode ter certeza que em 2022 nós vamos ter um candidato a presidente, um candidato a deputado, um a governador. Um deputado representa 50 cidades da região e, agora sem deputados, a cidade fica sem representação. Hoje, estamos com um número muito grande de partidos políticos, e isso é ruim. A população vive de choques, de momentos. Outro problema que eu vejo é a mídia social eletrônica que traz a rapidez da informação, mas também traz muitas notícias falsas. A dificuldade da credibilidade na vacinação da covid-19 é um exemplo disso. Então o povo passa por uma dificuldade muito grande na questão da credibilidade. Eu acho que o Japão valoriza a experiência dos mais velhos, já o Brasil destrói a imagem dos idosos, não valoriza a experiência e nem o conhecimento deles. Temos que lembrar que um líder mostra o caminho, mas não é ele que abre as picadas. Ele sabe o rumo que tem que tomar, mas os novos quadros têm que abrir os caminhos”, finalizou o engenheiro, de 76 anos, que acrescentou que vai trabalhar na política até ficar velho.