Lockdown: Medidas de isolamento social de Araraquara são citadas como exemplo pela Fiocruz

Para Fiocruz, Brasil vive sua maior crise sanitária da história

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Em boletim extraordinário publicado na noite dessa terça-feira (16), o Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) afirma que Araraquara é um exemplo de como medidas restritivas de circulação podem reduzir a transmissão do coronavírus e salvar vidas.

O documento da Fiocruz relata o alto crescimento de casos e internações entre o final de janeiro e o início de fevereiro, quando foi confirmada a presença da nova variante do vírus (a P.1., conhecida como de Manaus) no município, e também mostra os resultados do lockdown adotado entre 21 de fevereiro e 2 de março.

“O município de Araraquara é um dos exemplos atuais de como medidas de restrição de atividades não essenciais podem não só evitar o colapso ou mesmo prolongamento desta situação nos serviços e sistemas de saúde, resultando na redução da transmissão, casos e óbitos, protegendo a vida e saúde da população”, diz o boletim.

“As medidas restritivas de isolamento social adotadas pela Prefeitura em fevereiro, incluindo o bloqueio ou lockdown, deram resultado e fizeram cair, ao menos preliminarmente, o número de novos casos confirmados de Covid-19 e a média móvel diária neste início de março. Entre 21 de fevereiro e 10 de março (17 dias), a média móvel diária de novos casos de Covid-19 caiu de 189,57 para 108, uma redução de 43,02%”, mostrou a Fiocruz. Nesta quarta-feira (17), a média é ainda menor, de 88,57 casos diários.

Maior crise sanitária
O boletim da Fiocruz afirma que a atual situação da pandemia é “o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”. Na terça-feira, o País bateu o recorde de óbitos registrados em um único dia: 2.798 vidas perdidas. São 282.400 mortes desde o início da pandemia.

Segundo a instituição, das 27 unidades federativas, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS iguais ou acima de 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%. Em relação às capitais, 25 das 27 estão com essas taxas iguais ou acima de 80%, sendo 19 delas superiores a 90%.

“A fim de evitar que o número de casos e mortes se alastrem ainda mais pelo país, assim como diminuir as taxas de ocupação de leitos, os pesquisadores defendem a adoção rigorosa de ações de prevenção e controle, como o maior rigor nas medidas de restrição às atividades não essenciais. Eles enfatizam também a necessidade de ampliação das medidas de distanciamento físico e social, o uso de máscaras em larga escala e a aceleração da vacinação”, diz o documento da Fiocruz.