Fabi Virgílio quer incentivo à Educação e à Cultura como forma de transformação

“Espero que a renovação ocorrida na Câmara traga de fato uma representatividade da nossa população, e que não tenham havido apenas ‘lacrações’ de redes sociais como mera forma de atrair votos”, diz a vereadora do PT

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José Augusto Chrispim

O jornal O Imparcial vem apresentando aos seus leitores os vereadores da atual legislatura da Câmara Municipal de Araraquara. Entre os 18 vereadores que assumiram as suas cadeiras no Legislativo no dia 1º de janeiro deste ano e que devem terminar seus mandatos em 31 de dezembro de 2024, destacamos nesta edição a vereadora Fabiana Cristina Virgílio, ou apenas Fabi Virgílio. A araraquarense, de 36 anos, que é advogada e atriz, foi eleita com 867 votos pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Fabi falou à reportagem sobre a sua formação no teatro e em Direito, além de elencar os motivos que a levaram a militância política no Partido dos Trabalhadores.

 Veja a entrevista na íntegra:

O Imparcial: Fale um pouco sobre sua formação e história na política.

Fabi: “Minha primeira formação foi como atriz em 2004 e minha segunda formação foi em direito no ano de 2016. Costumo dizer que a arte me salvou! Enquanto cresci assistindo pessoas próximas ficarem pelo caminho, foi o teatro e a poesia que me forjaram mulher e me encorajaram para a vida. Foi quando entendi que criar oportunidades é possível. Por anos, estive nos palcos e me organizando em movimentos sociais para reivindicar melhorias para a categoria. E foi essa atuação que me levou para a militância. Sempre fui movida pela indignação. Indignação contra injustiças que me fizeram querer transformá-la em ações concretas. Atuei em grêmios estudantis, em movimentos sociais e organizada em partido político. Como trabalhadora, por vivenciar essa realidade, votei no PT desde meu primeiro voto e me filiei pelas mãos de Rubens Miranda, um dos fundadores do PT local em 2009. Sou trabalhadora desde muito jovem. Fui babá, empregada doméstica, balconista de banca de jornal, auxiliar de compras. Desde a juventude a política esteve em meus movimentos. Cresci lendo “Caros Amigos” e nela pude entender a luta do trabalhador. Foi quando percebi o quanto o Partido dos Trabalhadores me representava. De 2009 pra cá, militei organizada no partido, primeiro na juventude, depois na secretaria de mulheres. Organizei, em parceria com queridos amigos, a Associação Amigos da Praça das Bandeiras para tornar teoria em prática. Vivenciei essa Casa de Leis como assessora parlamentar em duas oportunidades e retorno a ela como vereadora, uma honra”.

 O Imparcial: Quais são suas expectativas para seu primeiro mandato como vereadora?

Fabi: “Chego nesse meu primeiro mandato com muita energia e motivação para fazer meu papel como Vereadora com uma postura muito propositiva, participativa, buscando propor caminhos, fruto de muito diálogo e debates, para problemas e temas que serão pilares da minha atuação legislativa: cultura/educação, direito das mulheres e direito à cidade. Mesmo dentro do espectro limitado de atuação de um Vereador, tenho convicção de que podemos construir um mandato, de forma coletiva e democrática, que possa trazer soluções ou ao menos caminhos para melhorar a vida dos moradores de nossa cidade. A ideia é criar pontes, por meio do mandato, para que todos possamos melhor traduzir os anseios da sociedade e transformá-los em políticas públicas”.

O Imparcial: Qual é a linha política que você pretende seguir?

Fabi: “Nossa linha política decorre muito das diretrizes de atuação do meu partido, Partido dos Trabalhadores, que é sobretudo a busca por justiça social. Acredito muito também no poder do diálogo e do consenso para garantir melhores condições de vida para nossa população.

Agora, nosso mandato será construído especialmente sobre 3 pilares que nortearam nossa trajetória no Legislativo que é, como já citei, a Educação/Cultura, Mulheres e Direito à Cidade”.

O Imparcial: Em uma Câmara Municipal tão heterogênea, você acredita que os vários setores da sociedade estão representados nesta legislatura?

Fabi: “Acredito que essa Legislatura recém eleita é de fato bastante heterogênea, onde houve também um processo de renovação muito significativo que, em tese, em meu sentir, contemplou uma gama maior de representatividade da nossa população. Agora, precisaremos ver se de fato esses setores serão efetivamente representados, por meio de políticas públicas que os represente, ou se foram usados ‘lacrações’ de redes sociais como mera forma de atrair votos. Creio, sem dúvida, que o maior avanço nesta legislatura seja na ampliação do número de cadeiras ocupadas por mulheres. Em 2016, eram 2 e agora somos 4. E também se faz importante dizer que Araraquara elegeu a primeira mulher trans da história e isso é maravilhoso! Sinal de novos tempos chegando. Ressalto que de quatro mulheres eleitas, três são do Partido dos Trabalhadores, o que comprova o quanto o nosso partido tem compromisso com as mulheres”.

O Imparcial: Você que sempre atuou na cultura da cidade, tem algum projeto para a área?

Fabi: “Nosso principal projeto é a criação do Plano Municipal de Ocupações de Espaços Públicos, tendo como referência a ação que desenvolvemos na Praça das Bandeiras, também conhecida como a praça do Bar do Zinho. Tal proposta será debatida na Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e Educação e se referendada pelo coletivo, apresentaremos a proposta de lei, e espero ter aprovação por unanimidade. Cultura e Educação são instrumentos de transformação social, precisamos potencializá-las!”.

O Imparcial: Para você, qual é o papel do vereador com relação ao respeito à diversidade em nosso município?

Fabi: “Determinante! Não podemos falar de uma sociedade plural e diversa que não respeite as diversidades na nossa sociedade. Não podemos conviver e nem tolerar qualquer tipo de preconceito e discriminação. É, portanto, papel do vereador promover a discussão de tais temas, propor e aprovar eventuais leis que visem combater o preconceito e a discriminação. As pessoas são naturalmente diversas e é fundamental, como marco civilizatório, que tais diferenças sejam respeitadas e a intolerância inapelavelmente combatida”, finalizou a vereadora.