Empresas garantem tratamento de Equoterapia para crianças em Araraquara

Atendimento é realizado na Sociedade Hípica de Araraquara, com suporte financeiro de um grupo de construtoras

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O Enzo e o Raphael são duas crianças que vivem em Araraquara, no interior de São Paulo, muito especiais. Diagnosticado com autismo, Enzo, de 6 anos, precisa de cuidados específicos para auxiliar sua função motora e contenção do estresse, muito comum em portadores da patologia. Já o Raphael, 3 anos, nasceu com hidrocefalia e com mielo, doença que prejudica o correto desenvolvimento dos ossos da coluna vertebral durante a gestação.

Nos dois casos, a Equoterapia é um tratamento de resultados bastante expressivos e que desde agosto está garantido ao Enzo e ao Raphael, através de um projeto de adoção de empresas, abraçado pelas construtoras Bild Desenvolvimento Imobiliário e Vitta Residencial Construtora e Incorporadora, que assumiram os custos dessa terapia para eles.

Bruno Chuery, sócio-diretor das construtoras Bild e Vitta, em Araraquara, explica que a iniciativa foi motivada por meio de uma proposta de um cliente, e que foi considerada muito significativa para as empresas. “Foi muito bem-vinda essa ideia, que está totalmente de acordo com os pilares da cultura do grupo”, explica Chuery. “Estamos muito felizes com a efetivação dessa parceira com a Sociedade Hípica de Araraquara, viabilizando o atendimento de saúde a esses meninos”, completa o diretor.

O projeto de adoção de Enzo e Raphael na Equoterapia tem duração de um ano, com possibilidade de renovação, uma vez que essas patologias são definitivas e a continuidade do tratamento garante melhor desenvolvimento das crianças.

Maristela Durante Tavares, mãe de Enzo, é só contentamento. “Não temos palavras para agradecer. O Enzo estava sem fazer nenhuma terapia e nós não tínhamos como custear. O tratamento tem sido maravilhoso”, mostra Maristela, comemorando os avanços do filho. “Em apenas três meses de terapia, o Enzo apresenta mudanças muito boas. Ele está mais sociável, menos ansioso e muito mais falante”, emociona-se a mãe.

O mesmo sentimento é compartilhado por Angélica Ferreira Lino, mãe de Raphael, que estava na fila, à espera de uma vaga no tratamento de Equoterapia. “Essa oportunidade vai ajudar muito para fortalecer as pernas do Raphael para ele conseguir ficar em pé, além de ajudar com o equilíbrio dele”, diz Angélica.

Equoterapia

Reconhecida como tratamento pela pelo Conselho Federal de Medicina desde 1997, a Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem, interdisciplinar, envolvendo saúde, educação e equitação esportiva. A dificuldade de acesso da população de baixa renda à atividade deu início, em 1988, ao projeto realizado pela Sociedade Hípica de Araraquara, com o objetivo de contribuir com melhor qualidade de vida dos pacientes e suas famílias.

A relação terapêutica entre diversos animais e humanos é amplamente conhecida e, no caso da Equoterapia, os cavalos de grande porte – mas dóceis – são grandes ajudadores. De acordo com a Associação Nacional de Equoterapia, enquanto marcha, o cavalo provoca entre 1880 e 2250 ajustes tônicos no paciente, em apenas meia hora de terapia.

A psicopedagoga Romilda Dias Barbieri, especialista capacitada para ministração das sessões de Equoterapia na Hípica de Araraquara e responsável pelo atendimento ao Enzo e ao Raphael, comenta a eficácia da terapia. “O trabalho realizado com o auxílio dos cavalos abrange as partes motora, cognitiva, física, emocional e intelectual dos pacientes. Com pouco tempo, é visível a melhora do equilíbrio e da auto-confiança, por exemplo”, sublinha Romilda.

A Equoterapia é indicada para diagnósticos de autismo, síndrome de down, sequelas neurológicas e ortopédicas, entre outras, sempre com indicação de profissionais da Saúde, para crianças a partir de três anos e adultos até 70 anos.

“Acreditamos que ações como essa, por parte da iniciativa privada, não somente cumprem um importante papel de compromisso social dentro de sua comunidade de atuação, como fortalecem a autoestima de quem é beneficiado”, finaliza Bruno Chuery.