Egressa de Fisioterapia da Uniara é premiada por projeto fotográfico com idosos

“A beleza do envelhecimento”, de Natalia de Freitas Guerreiro Ferreira, também envolve poesia

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A egressa da primeira turma do curso de Fisioterapia da Universidade de Araraquara – Uniara, Natalia de Freitas Guerreiro Ferreira, venceu dois concursos de fotografia com o projeto “A beleza do envelhecimento” que, além dos registros fotográficos, envolve poesia, tudo para a valorização das pessoas da terceira idade. O primeiro prêmio veio no final de 2018, pelo Ministério da Saúde e, em junho deste ano, a iniciativa recebeu o Prêmio David Capistrano como prática de saúde exitosa no Estado de São Paulo.

 “Desde 2004, trabalho na prefeitura municipal de Ribeirão Bonito. Em 2017, comecei um curso de fotografia, como hobby, com a ideia de me distrair, porém, na ocasião, eu deveria entregar um trabalho para a conclusão do curso e surgiu a ideia de fotografar o público da terceira idade, já que, como fisioterapeuta, eu trabalhava diretamente com esse grupo desenvolvendo atividades de promoção da saúde. Assim, as pessoas idosas foram convidadas a participar, e as fotos eram realizadas apenas após assinatura de um termo de consentimento e uso de imagem”, relata Natalia.

Ela conta que, ao fotografar os idosos, no entanto, notava que muitos ficavam reticentes por se acharem feios. “Essa observação foi o ponto de partida para trazer esse trabalho de fotografia para a atenção básica. Ante essa situação, e reconhecendo que o conceito de saúde não se restringe à doença – mas é muito mais -, é preciso se preocupar com a saúde física, mental, social e cultural do idoso e, dessa maneira, trouxe a seguinte temática para o trabalho: ‘É preciso trazer à tona a beleza do envelhecimento’”, relembra.

Os idosos estão, cada vez mais, ocupando espaços em na sociedade, de acordo com a ex-aluna. “A expectativa de vida vem aumentando consideravelmente no mundo todo e também no Brasil. Mas é interessante observar que a nossa sociedade cultua o novo, o jovem, o magro e ‘sarado’. Existe uma rejeição ao velho, tornando difícil para a terceira idade aceitar o processo de envelhecimento. Sem contar que a aceitação de uma visão deturpada da velhice influencia negativamente o engajamento em comportamentos positivos de saúde, provocando efeitos sobre o tratamento oferecido pelos profissionais”, aponta.

Juntamente com as fotos, Natalia menciona que foram utilizados poemas que tratam sobre o envelhecimento, de escritores como Pablo Neruda, Rubem Alves, Cora Coralina, Mário Quintana e Olavo Bilac, entre outros. “Esse material foi divulgado em blogs locais e redes sociais, e rendeu palestras e exposições. A ideia era aumentar a autoestima dos idosos e também dialogar e refletir com toda a sociedade, que está vivendo em processo de envelhecimento, sobre envelhecer com qualidade de vida. Em 2018, (o projeto) foi considerado pelo Ministério da Saúde uma das catorze melhores iniciativas do país em saúde do idoso e, recentemente, recebeu o prêmio David Capistrano, por ser uma experiência exitosa em saúde no Estado de São Paulo”, alegra-se.

Ao receber os prêmios, “fiquei lisonjeada, afinal, é o reconhecimento de que tenho desenvolvido uma prática exitosa de saúde”. “Os prêmios ‘disseram’ a essa fisioterapeuta que ela não estava errada em ousar e querer olhar o indivíduo como um todo, melhorando a escuta e o acolhimento – é possível cuidar, educar, mudar conceitos -, e permitindo que toda a sociedade reconheça que envelhecer bem não significa ausência de limitações e de desgastes. É preciso colocar em foco as potencialidades adaptativas e as competências que podem emergir com o envelhecimento, valorizando-o, afinal, as fotografias ajudaram a observar isso”, explica Natalia.

Recordando-se dos tempos em que era estudante de Fisioterapia da Uniara, ela menciona que “ter esse olhar mais abrangente, eu aprendi na universidade”. “Tenho maravilhosas recordações da graduação, que nos traz o embasamento teórico e prático, mas a bagagem emocional, o que verdadeiramente nos constrói como seres humanos, aprendemos com os professores e com nossos colegas de turma. Posso dizer que aprendi muito com todos eles e tenho-os guardados no coração”, declara.

O coordenador do curso de Fisioterapia, Carlos Roberto Grazziano, não esconde sua emoção. “Observando o lindo trabalho fotográfico da nossa ex-aluna e colega fisioterapeuta, Natalia, que possibilita contemplarmos os traços de sabedoria e experiência que ganhamos ao envelhecer, logo vem à mente: ‘Tudo vale a pena quando a alma não é pequena’, parafraseando Fernando Pessoa. Ao longo dos anos, passamos por diversas experiências de vida, vivenciamos e somos testemunhas de inúmeras mudanças mundiais. Quanto ao tempo, estamos vinculados a ele, intrinsicamente, e cabe a cada um de nós vê-lo passar, em frente aos nossos olhos, da melhor maneira possível, com as pessoas que amamos e com as amizades verdadeiras”, reflete.

Ele comenta que “cada imagem capturada, congelada no tempo pelas lentes fotográficas da Natalia, nos faz refletir”. “Que cada instante de nossas vidas façamos valer a pena. À nossa egressa, transmito, em nome de todos da Fisioterapia da Uniara, os sinceros cumprimentos pelo Prêmio David Capistrano”, finaliza.

Os interessados podem conferir as fotos de Natalia no Instagram – @idosos_fotografias_poesias. Um vídeo sobre o prêmio mais recente pode ser visto no link https://bit.ly/2TuTR4T.