Egito: araraquarense realiza projetos voluntários no país das pirâmides e dos faraós

O publicitário e criador de conteúdo, Hugo Pires (@hugostei), saiu de Araraquara para morar 4 meses no continente africano

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Das aulas de história para a vida real, o araraquarense Hugo Pires, @hugostei no Instagram, morou 103 dias no Egito, território localizado no continente africano, realizando projetos de trabalho voluntário para estímulo da economia e do turismo no país. Dentre as inúmeras experiências e aventuras, todas registradas no perfil de sua rede social, viu no berço da humanidade, muito mais que um destino turístico, mas também uma cultura e receptividade apaixonante.

Hugo conta que essa experiência começou a partir de um anúncio no Instagram. “Eu já estava procurando há um certo tempo sobre intercâmbios fora do país, principalmente para aprimorar meu inglês, porém os preços que estava encontrando eram totalmente fora da minha realidade, de 10 mil reais (para até mais) somente para apenas algumas semanas. Então, apareceu um anúncio da AIESEC, que é uma ONG de estudantes pelo mundo todo, com uma sede em São Carlos, que realiza intercâmbios mais acessíveis, entre estudantes em diversos países”, explica.

“Sempre me perguntam ‘por que Egito?’ e eu respondo que ‘era o mais diferente nas opções que estavam no meu orçamento'”, diz rindo. Hugo ainda conta que o país sempre o fascinou muito, além dos mistérios das pirâmides, tinha muita curiosidade de vivenciar uma cultura totalmente diferente da sua. “Foi um ano me preparando e estudando muito sobre o Egito, não somente os pontos turísticos, mas também a rotina, moradia, alimentação”. Segundo ele, essa preparação foi essencial na chegada e adaptação à nova rotina. “A acomodação onde fiquei hospedado era bem simples, em um prédio bem antigo, com entulhos nas escadas, elevador sem porta e muita sujeira, mas eu já sabia que a realidade seria assim, consegui me adaptar bem. Porém, muitas pessoas que também eram intercambistas lá, tinham um choque de realidade tão grande que iam embora no mesmo dia que chegavam”, diz.

Sobre os projetos que realizou, relata que o primeiro foi em uma startup, uma agência de marketing, onde pode cooperar com conhecimentos técnicos de edição de imagem e design, já que é formado em publicidade e tem experiência na área. “Sempre quis trabalhar com criação gráfica fora do Brasil, entender as tendências, forma de trabalho, foi bem engrandecedor, uma troca incrível”. Hugo conta que no ambiente de trabalho, a língua foi um obstáculo em alguns momentos. “Como eu estava ainda me soltando no inglês e a língua oficial do Egito é o árabe, muitas vezes tínhamos que recorrer ao Google Tradutor, mas no final dava tudo certo. Algumas vezes também me sentia desconfortável por estar em um ambiente onde todos falavam entre si uma língua que eu não entendia ‘uma vírgula’, mas também tentei relevar isso pois eu estava num ambiente de trabalho deles”, conta.

O segundo projeto foi voltado para o incentivo do turismo no Egito, principalmente no pós-pandemia, onde produziu conteúdo, textos, fotos e vídeos, para as redes sociais do projeto e seu Instagram. “Eu viajava com outros intercambistas para pontos turísticos em todo o país, alguns já famosos e outros que nem imaginava existir, como, por exemplo, os lagos salgados em Siwa, onde é impossível afundar nas águas”. Além disso, entre templos, pirâmides e tumbas, Hugo ressalta que o destino não se resume às coisas do Egito Antigo. “Me surpreendi muito ao descobrir que na cidade de Dahab é um dos melhores lugares para se mergulhar no mundo, foi uma experiência única ver a vida marinha tão nítida e vasta”. O alcance dos conteúdos superou as expectativas. “No meu perfil principalmente, no primeiro mês, atingi mais de 700 mil visualizações das minhas postagens, e muita gente começou a se interessar e descobrir mais sobre o Egito junto comigo, foi sensacional”, destaca.

Nas vivências mais marcantes, Hugo conta alguns episódios engraçados e outros em que se viu muito confuso. “Acho que um dos dias mais marcantes foi quando encontrei um rato no guarda roupa do apartamento, peguei ele com uma ratoeira gaiola, mas era de madrugada, estava sozinho e tive que me virar para soltá-lo na rua, foi engraçado e desesperador”, diz rindo. “Outra questão bem marcante para mim, foi que nos últimos dias da minha experiência, estava acontecendo o Ramadan, que é um período da religião islâmica onde eles realizam um jejum regrado de várias horas durante 30 dias”. Hugo ainda conta que além de não comer, os muçulmanos são proibidos de ingerir líquidos e ter relações sexuais. Completa ainda que as tradições sociais diferem um pouco de acordo com a região, mas o que o deixou espantado foi que todo o comércio acompanhava os horários do jejum, o que forçava muitas vezes todos a fazerem a abstinência. “Por vários dias, mesmo não sendo islâmicos, eu e outros estrangeiros tínhamos que ficar sem comer pois simplesmente não havia mercados ou restaurantes abertos na hora do jejum”, explica.

Por fim, a experiência trouxe novas perspectivas de ver o mundo e muita história para contar. “Com certeza esses 4 meses marcarão para sempre minha vida, pude ver como vivem as pessoas dentro de uma cultura tão diferente, marcada principalmente pela pobreza mas também pela solidariedade e perseverança”, finaliza.

Para conhecer mais sobre o Egito através dos olhares de Hugo, você pode conferir tudo no perfil do Instagram @hugostei ou também no TikTok no perfil @brasileironoegito.