Edinho: Não faltam vagas em hospitais de Araraquara

Em entrevista coletiva, prefeito Edinho Silva ressalta que não faltam vagas em hospitais de Araraquara, mas diz que situação é a pior desde o início da pandemia

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José Augusto Chrispim

O prefeito Edinho Silva (PT) concedeu entrevista coletiva à imprensa na tarde dessa terça-feira (2), onde debateu assuntos relacionados com o crescimento dos casos de pessoas infectadas com o novo Coronavírus em Araraquara e o aumento das mortes relacionadas à doença.

No último final de semana, quatro jovens morreram em Araraquara devido à complicações causadas pela Covid-19. Essa situação gerou vários questionamentos entre a população quanto a falta de vagas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) na cidade.

Edinho relatou que não há falta de vagas tanto em enfermaria quanto em UTI destinadas para o tratamento da Covid-19 na cidade. Ele destacou que Araraquara é uma das poucas cidades da região que não desmontaram a estrutura criada para o enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus. “Araraquara nunca deixou de ter pandemia, por isso, não desmobilizamos a estrutura montada. Fizemos a manutenção das testagens e dos atendimentos aos pacientes com Coronavírus. Araraquara ainda é referência no combate à pandemia porque nunca baixamos a guarda. Quero ressaltar também a importância da imprensa que tem um papel social muito importante de trazer a notícia com credibilidade, pois ela não traz os fakenews, ela é factual, ela trabalha com fatos. Nós queremos usar a imprensa como ferramenta contra os fakenews, pois Araraquara vive seu pior momento desde o início da pandemia, assim como em outras cidades. Ontem, 45% dos exames deram positivo, em outra época, não passavam de 30%. Hoje a média móvel de novos casos é de 90.14 e é a maior desde o início da pandemia. Todos os hospitais da cidade estão bem próximos de sua capacidade, estamos chegando em uma marca preocupante”, destacou o prefeito.

Não tem falta de vagas

O prefeito ressaltou que, apesar de não haver falta de vagas, os leitos de UTI da cidade estão com 61% de ocupação e os leitos de enfermaria estão com 63%. Ele lembrou que o sistema que regula a disponibilidade de vagas nos hospitais é regional, por isso, muitas vezes um paciente de Araraquara é internado em Matão, por exemplo. “A informação de que faltava vaga na UTI no último final de semana quando a jovem, de 26 anos, morreu vítima da Covid-19 na UPA da Vila Xavier, é falsa. O que ocorreu é que o estado dela era muito grave e os médicos decidiram estabilizarem-na antes que ela fosse transferida para a UTI do Hospital de Américo, pois ela não suportaria a viagem. Infelizmente, ela sofreu duas paradas cardíacas e não resistiu. Nós nunca vamos esconder os dados, até porque, o sistema é monitorado regionalmente pela central reguladora de vagas. A criação do pânico gerado pelas notícias falsas acaba desorganizando o sistema e isso é muito ruim. O sistema de leitos está organizado e funcionando”, destacou.

Mudança de idade

O prefeito lembrou que nos últimos dias vimos muitas pessoas jovens que contraíram a Covid-19. “A situação é grave. É o pior momento da pandemia e a faixa etária dos infectados internados diminuiu. Os médicos desconfiam que seja a nova cepa do vírus que está em nossa cidade. O jovem que se curava facilmente da doença, agora está precisando ser internado e até chegando a óbito. A população precisa ter consciência”, falou Edinho.

Solidariedade

A secretária da Saúde, Eliana Honain, reafirmou que não há falta de vagas em Araraquara e que a taxa de ocupação dos hospitais conta com 22 pacientes de outras cidades. “Entre os municípios da região existe solidariedade, além de ser um serviço regional e integrado, por isso, quando uma cidade não tem vagas naquele momento, o paciente é encaminhado para onde tiver”, afirmou a secretária da Saúde.

Volta às aulas

A secretária de Educação, Clélia Mara, disse que o município tem que garantir o direito constitucional à educação. “Convivemos o ano de 2020 com muitas incertezas à respeito da transmissão do vírus pelascrianças, mas hoje essa ideia já é contestada nos meios científicos. Não é possível que crianças fiquem fora da escola por mais tempo, isso é uma responsabilidade de política pública. Reabrir as escolas na periferia da cidade é um compromisso público que nós temos com as famílias destes alunos que, muitas vezes, não têm acesso à internet para acompanharem as atividades à distância. No ano passado, cerca de 7 mil alunos ou 23.47% dos estudantes da rede pública municipal não participaram de nenhuma atividade escolar. Isso não pode continuar. Temos que conviver com a pandemia, mas vamos dar todas as garantias para recepcionar as crianças no dia 1º de março nas escolas do município”, assegurou a secretária de Educação.

Realidade dura

Edinho destacou a difícil situação das crianças e adolescentes que estão fora do ambiente escolar. “É uma realidade dura, pois as crianças e adolescentes estão sofrendo com o aumento da violência nos lares, além do fato de muitas vezes o celular da mãe, que sai todos os dias para trabalhar, ser o único meio de acesso à internet da casa, impossibilitando o acompanhamento das atividades escolares à distância pelos filhos. A escola precisa acolher as crianças pela situação socioeconômica e pela falta de ter com quem deixá-las, entre outros fatores. Nós vamos ter segurança nas escolas com a testagem dos professores e das famílias dos alunos. Tudo que for para a segurança dos professores e dos alunos, nós vamos oferecer”, finalizou o prefeito.