Dario Gonçalves da Silva deixa legado de amor

Radiotelegrafista aposentado, escritor, pescador, atleta e contador de histórias cumpriu valorosamente sua missão

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Célia Pires/colaboração

Quinta-feira (31), último dia de 2020, nos pegou com a triste notícia de que Dario Gonçalves da Silva, de 100 anos, havia falecido. Ele estava internado há vários dias por conta de uma trombose na perna esquerda. Mas quis o destino que ele não ficasse sofrendo e o recolheu aos braços do Pai.
Procurar alguém que tivesse alguma rusga, que fosse mínima, contra Seo Dario era como procurar agulha e um palheiro. Era só abrir aquele sorrisão que já te ganhava. Assim foi fazendo amigos. Sim, amigos, coisa rara em qualquer tempo.
Qualquer elogio ficava pálido diante da sua grandeza. Com ele, a unanimidade abria uma exceção. Não era burra.
Por isso, eu que o conhecia há muitos anos do jornal ‘O Imparcial’ assim como muitos que por ali passaram vamos guardá-lo para sempre nos nossos corações. Ele tinha tanto apreço pelo jornal onde era colaborador que comemorava seus aniversários com o pessoal da redação.
Suas memórias ficaram eternizadas nos livros Crônicas da Terra (volumes 1,2 e 3) cuja capa é do amigo e desenhista renomado, Kiko Lopes.
Ele ocupava a cadeira número nove da Academia Araraquarense de Letras.
O que fica do Seo Dario é um legado de amor, de pessoas que representava um sopro de esperança quando tudo parecia estar perdido. Que fazia as pessoas se sentirem acolhidas, queridas. Que era jovem na alma e tão sábio na idade. Um homem de exemplos. De valores. De fé, Um homem de Deus!

Perda inestimável
Em depoimento, o pesquisador e jornalista Hamilton Mendes, diz que Dario Gonçalves da Silva foi uma testemunha da história de Araraquara. “Ferroviário (publicou muitos textos do período em que trabalhou com meu avô Trifônio na EFA), um dos primeiros a receber notícias da Europa – por agência de notícias – (também durante a segunda guerra) via telégrafo em toda a região, telegrafista da Polícia Civil em plena ditadura do Estado Novo, escritor, colunista e articulista em jornais (especialmente em O Imparcial), e o atirador mais antigo do TG local: serviu na primeira turma do Tiro de Guerra de Araraquara (na época, ainda Pelotão 610) na retomada do TG depois da Revolução de 32, no ano de 1937”, lamenta acrescentando que a figura humana ímpar de Sr. Dario é uma perda inestimável para Araraquara.

Um pouco de Dario
Nasceu em Bento Quirino, bairro de São Simão, em 25 de outubro de 1920, mas os serviços prestados em Araraquara fez com que em 13 de junho de 2007, recebesse o Título de Cidadão Araraquarense em uma merecida homenagem.
Casou-se com dona Desolina Hortense. Foram quase 74 anos de união. A família construída pelo casal com os filhos Margarida Marina Gonçalves Ferreira, Maria Cristina Gonçalves Lyra, Luiz Antônio Gonçalves da Silva e Maria de Lourdes Gonçalves Seabra floresceu em netos e bisnetos. E foi um desses netos, Flávio, que fez ao avô uma tocante homenagem:
“Hoje o mundo ficou mais escuro. Uma alma iluminada, que vibrava por viver, sempre alegre, fazendo brincadeiras por mais difíceis que as situações estejam, nos deixou. Esse ânimo e força o deixou por aqui por 100 anos! Quantas experiências viveu, quantas pessoas conheceu, quantos ajudou… e cada pessoa que teve a sorte de conhecer o Seu Dario (para nós Vô Dario), sabe do que estou falando. Uma pessoa do bem, altruísta, apaixonada pela sua família. Grande homem e ao mesmo tempo simples. Gestos simples, mas valores riquíssimos. Escritor, pescador, atleta, católico, contador de história (quantas!), truqueiro (seis!), marido, pai, avo, bisavô… tanto aproveitou por aqui. Amou e foi amado. Fez sua missão, viveu intensamente até o fim dessa longa jornada! Somos muito gratos por fazer parte dessa história e dessa família. Sou grato por ter o melhor avô do mundo! Muito orgulho Vôzão! Deixa que cuidamos da Vó Zula para você.
Com certeza está num lugar muito melhor e já fazendo suas brincadeiras, amizades, contando histórias e jogando truco! Obrigado Vô! Estamos sempre juntos. Já estou com muita saudade!”.