CoronaVac está associada à queda da mortalidade de idosos por Covid-19, demonstram estudos

Estudos realizados no Brasil e em outros países têm demonstrado que a CoronaVac é eficaz contra as novas variantes, comprovadamente a P.1 e a P.2

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Estudos realizados por pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Espanha demonstraram que a aplicação da CoronaVac, vacina do Butantan contra a Covid-19, levou à queda na internação e nos óbitos por SARS-CoV-2 de pacientes idosos, inclusive em contextos onde predomina a variante P.1 do novo coronavírus (cepa amazônica).

Segundo o artigo “Estimativa do impacto inicial da imunização contra Covid-19 em mortes entre idosos no Brasil”, a escalada da vacinação entre idosos no país está associada a uma queda considerável na mortalidade desse público na comparação com pessoas mais jovens. Na relação entre janeiro-fevereiro (quando poucos idosos haviam tomado a segunda dose) e abril, a queda no número de mortes na população acima dos 80 anos foi de 25% para 13%.

Entre a primeira semana epidemiológica e o dia 22 de abril de 2021, 171.517 mortes foram atribuídas ao Covid-19 no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. O gráfico a seguir mostra que há uma clara aceleração nas mortes e partir da semana 9 (início de março), quando a variante P.1 começa a predominar no Brasil.

Já entre as semanas epidemiológicas 13 e 14 (em abril, quando cerca de 10 milhões de pessoas haviam recebido a segunda dose), começa a haver uma desaceleração no número de mortes, especialmente em pessoas acima de 70 anos. No gráfico fica evidente que não houve aumento no número de casos positivos no grupo acima de 90 anos, o que demonstra que a vacina se tornou efetiva em conter, neste grupo etário, a força de infecção do vírus.

Além disso, o estudo “Efetividade da vacina CoronaVac na população idosa durante a epidemia de Covid-19 associada à variante P.1 no Brasil”, realizado entre janeiro e abril com 15 mil casos de pessoas acima dos 70 anos do estado de São Paulo, mostrou que a efetividade da vacina em um contexto onde predomina a variante P.1 aumenta com o tempo e não tem variação significativa em relação à eficácia geral da vacina, sendo de 49,4% 21 dias após a segunda dose. Ela é maior, porém, nos idosos mais jovens: no público entre 70 e 74 anos, a eficácia é de 61,8%.

Dados de efetividade de estudos feitos com o uso da vacina de forma rotineira podem variar e, portanto, devem ser interpretados com cautela. Sem contar que as pesquisas variam do ponto de vista metodológico e analisam momentos epidemiológicos distintos.

É necessário ressaltar que a previsão de eficácia dos estudos está baseada na relação entre os números da vacinação e os números de casos confirmados e mortes por Covid-19. As pesquisas não se baseiam em indicadores de internação clínica. O objetivo primordial da CoronaVac é reduzir o número de óbitos e internações hospitalares, diminuindo o impacto da doença sobre a perda de vidas e o sistema de saúde.

Estudos realizados no Brasil e em outros países têm demonstrado que a CoronaVac é eficaz contra as novas variantes, comprovadamente a P.1 e a P.2, e que protege todos os grupos etários, inclusive os idosos, contra a mortalidade por Covid-19. Mas é importante salientar que nenhuma vacina impede que uma pessoa seja infectada pelo coronavírus.

Outro ponto relevante é que qualquer vacina gera uma resposta imune menor em pessoas mais idosas. Isso não quer dizer que elas estejam menos protegidas contra a doença, mas sim, que o organismo responde menos a um antígeno novo – uma característica que não se relaciona à efetividade da vacina em si, mas aos processos naturais do sistema imunológico.

Todos os fabricantes de vacinas, inclusive o Butantan e a Sinovac, estão avaliando a atualização da vacina. Mas nada indica, neste momento, a necessidade de uma terceira dose, e essa possibilidade ainda não foi estudada pela ciência.

Por isso, continua sendo primordial que todas as pessoas, de todas as idades, tomem a segunda dose da vacina. Os imunizantes sendo aplicados atualmente no Brasil contra a Covid-19 exigem a aplicação de duas doses para alcançarem sua eficácia máxima (com intervalos de tempo que variam de fabricante para fabricante). Pesquisas comprovam que a vacina não é suficientemente eficaz com a aplicação de somente uma dose.