Catadoras de recicláveis da Acácia vivem momento crítico em meio à pandemia

Muitas estão afastadas por fazer parte do grupo de risco, outras ainda não têm onde deixar seus filhos, e sem receber não tem como se sustentar. As coletoras que estão nas ruas trabalham sem EPI's, podendo se contaminar a qualquer momento

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Marta Joaquim, uma das administradoras na usina de reciclagem na tarde desta sexta-feira (3)

Fundada em 2001 por catadores do antigo lixão da cidade, a Cooperativa Acácia de Catadores, Coleta, Triagem e Beneficiamento de Materiais Recicláveis de Araraquara é exemplo de trabalho eficiente e organização para inclusão social da categoria, com seus 182 cooperados. Operando a coleta porta a porta em toda a cidade, a entidade é responsável pelo recolhimento de cerca de 500 toneladas de materiais por mês, além de administrar infraestrutura de Eco-pontos.

Hoje mantém um contrato com Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae), através da Coordenadoria de Meio Ambiente que oferece a 100% da população a oportunidade de destinar de maneira correta os resíduos sólidos recicláveis resultado do seu consumo.

Com a maioria da população em casa obedecendo a quarentena, houve um aumento considerável de recicláveis

Com a pandemia do Covid-19, a associação vem enfrentando problemas para cumprir seu contrato e manter o serviço funcionando adequadamente segundo informado a reportagem do Jornal O Imparcial pela administradora Marta Joaquim.

De acordo com Marta 24% dos associados estão afastados, alguns por fazer parte do grupo de risco do coronavírus, mães que não conseguem ir para o trabalho, pois as creches estão fechadas e não tem com quem deixar seus filhos.

Com 44 pessoas afastadas do trabalho e uma média diária de 6 faltas, a cooperativa não está dando conta do aumento de recicláveis, pois com a quarentena implantada pelo governo do Estado e prefeitura de Araraquara, muita gente em casa aumentou o consumo, e consequentemente quantidade de recicláveis.

A administradora afirma que neste mês a meta de vendas não foi batida. Com as empresas que fazem o recolhimento fechadas as vendas caíram vertiginosamente diminuindo também a retirada financeira de cada associado, deixando muitos em condições de desespero.

A presidente da Acácia, Helena Francisco da Silva, que está afastada do trabalho por fazer parte do grupo de risco

Marta ressalta que os filhos dos catadores, antes se alimentavam nas creches e hoje alguns não tem sequer leite em suas casas para oferecer, e que a situação pode se agravar ainda mais.

“Quem trabalha dentro da usina tem estrutura e acesso a água para que lavem as mãos, mas falta EPI’s, máscaras, luvas e álcool gel. Já quem está na rua fazendo a coleta, não consegue nem mesmo fazer a higienização das mãos, pois os munícipes com medo, só deixam os recicláveis na calçada e não atendem as catadoras”-ressaltou Marta.

Neste momento onde muitos estão parados e sem receber, a administradora da Acácia pede ajuda para que consigam se alimentar e que seus filhos tenham ao menos um leite para tomar.

Quem puder ajudar as cooperadas da Acácia com alimentos e leite de caixinha, favor entrar em contato com a administração através dos telefones (16) 3337.4564 ou 3472.7669. Ela ressalta ainda que as empresas que estiverem fechadas neste momento e puderem emprestar EPI’s, para que todos consigam continuar o trabalho com segurança, também podem entrar em contato.

A presidente da Acácia, Helena Francisco da Silva, que está afastada do trabalho por fazer parte do grupo de risco, lembra a todos que é necessário tomar certos cuidados com o descarte de luvas, máscaras, roupas de acamados. Estes materiais têm que ser amarrados e jogados no lixo e não nos recicláveis, onde pode contaminar as coletoras.

Ajuda

Considerando que o prefeito de São Paulo Bruno Covas, anunciou no mês passado que irá fornecer um auxílio aos catadores de recicláveis de sua cidade, o vereador Edson Hel (Cidadania), seguindo a mesma linha, solicitou ao prefeito Edinho Silva a necessidade de se estudar uma ajuda as famílias que atuam na Acácia para que não passem necessidades.

O que diz o Daae

O Daae informou que os catadores e o pessoal da triagem da coleta seletiva foram devidamente informados sobre o coronavírus, seu meio de transmissão, os sintomas da doença, especialmente sobre as medidas preventivas de higiene e de evitar aglomerações. Além disso, foram fornecidos os EPIs (Equipamentos de Segurança Individual) a todos os catadores e o álcool gel está sendo providenciado .

Todas as pessoas acima de 60 anos e as que pertencem ao grupo de risco foram afastadas de suas funções permanecendo em suas casas em quarentena. Dessa maneira, pretende-se manter o serviço de coleta funcionando normalmente, porém zelando para que os trabalhadores não sejam expostos sem qualquer tipo de prevenção.

O Daae informa também que, em março, não ocorreu queda na medição, como consequência, no valor mensal do contrato entre o Daae e a cooperativa. Portanto, os catadores receberão o mesmo valor.

Quanto às creches, em cumprimento ao Decreto Municipal nº 12.236, ficou determinada a suspensão das aulas nas unidades de educação da rede pública municipal, com o atendimento de alunos em situação de vulnerabilidade, mediante demanda manifesta, bem como filhos de profissionais da saúde e da segurança pública, a Secretaria Municipal da Educação definiu que, a partir desta quinta-feira, dia 2 de abril, crianças serão atendidas na Creche Nossa Senhora do Carmo, das 6h30 às 14h; e o CER do CAIC Rubens Cruz atenderá crianças, das 7h30 às 14h30.
O Daae é um dos maiores interessados em manter a saúde de seus servidores              próprios, bem como dos demais colaboradores. Por esse motivo, está se             esforçando tanto na
conscientização, bem como na fiscalização quanto ao   uso de todos os EPIS necessários neste momento de pandemia.