Cartilha “Uma conversa sobre drogas” é lançada na Biblioteca Municipal

Evento contou ainda com apresentação de Oficinas Culturais de danças urbanas e coral, além de um debate sobre o tema

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Na tarde dessa quarta-feira (20), a Biblioteca Municipal Mário de Andrade sediou o evento “A importância das políticas públicas sobre drogas”, que marcou o lançamento da cartilha “Uma conversa sobre drogas – Guia de serviços”, material produzido pelo Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (COMAD) em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Participação Popular, com o objetivo de oferecer informações básicas às pessoas que sofrem com a dependência química.

O vice-prefeito e secretário do Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Turismo, Damiano Neto, que representou o prefeito Edinho no evento, valorizou a forma como o tema é tratado na cartilha. “Nós sabemos que muitas vezes o dependente químico encontra dificuldades em obter orientações, por isso essa cartilha não pode ficar aqui, não pode ficar na mão de cada um e guardada na cabeceira. Ela tem que chegar a quem realmente precisa dessas informações. Sabemos que o COMAD irá fazer isso e pode contar com a Prefeitura e com a nossa gestão para divulgar e também participar desse trabalho junto com todos vocês”, explanou.

A vereadora Filipa Brunelli (PT), que representou a Câmara Municipal, lembrou que já foi conselheira do COMAD e destacou a importância de se lançar um conteúdo com essa abordagem. “É uma satisfação estar em um evento de lançamento de um material como esse. Que bom que conseguimos avançar ao ponto de lançar um material institucional com esse tema”, ressaltou.

A secretária municipal de Direitos Humanos e Participação Popular, Amanda Vizoná, ressaltou o objetivo do evento e o caráter inovador da cartilha. “Agradeço a todos que vieram aqui construir um debate que é tão importante, que como diz o nome da cartilha, é uma conversa sobre drogas. E é isso que queremos propor junto ao conselho, uma conversa, um diálogo, sobre um tema que é tão urgente e necessário”, salientou. “Eu tenho certeza de que um material como esse é totalmente inovador. Não sei se outras prefeituras têm a cara e a coragem de publicar um material como esse. Esse documento é importante para mantermos o debate vivo. Tudo que é materializado dá o recado e esse recado precisa ser dado”, acrescentou.

O coordenador municipal de Direitos Humanos, Renato Ribeiro, enalteceu o propósito da publicação. “Essa cartilha vem em um momento muito importante, apesar de ainda não podermos falar em pós-pandemia. Mas no momento mais duro da pandemia, no momento de maiores restrições, diversas dificuldades, diversos problemas e diversas situações se agravaram e uma delas é a questão do uso abusivo de álcool e de drogas. Muitas vezes as famílias se vêem nessa situação e elas não sabem muito bem como agir. Esse é o propósito dessa cartilha, que foi muito bem pensada pelo COMAD”, mencionou.

Matheus Caracho, presidente do COMAD, agradeceu a todos que participaram da produção da cartilha e do evento. “Agradeço aos conselheiros do COMAD, que fizeram um esforço para conseguir produzir esse material relevante. Agradeço também à mesa diretora do COMAD, que modificou muita coisa que havia sido feita e juntos conseguimos levar à frente esse projeto, e agradeço à Prefeitura Municipal de Araraquara por acolher essa temática tão importante de maneira a olhá-la com essa perspectiva transformadora que estamos propondo”, afirmou.

Também marcaram presença no evento a vereadora Fabi Virgílio (PT); a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Jacqueline Barbosa; o coordenador de Participação Popular, Anderson Morphy; a gerente de Projetos, Giovana Carvalho; e o coordenador executivo de Acervos e Patrimônio Histórico, Weber Fonseca.

Debate produtivo

O encontro contou também com um debate sobre a importância das políticas públicas sobre drogas, que contou com a participação de Matheus Caracho (presidente do COMAD), Prof. Dr. Doutor Marcelo Tadeu Marin (professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP e coordenador do Grupo de Ensino e Pesquisa sobre Álcool e Drogas-PENSad), Rafael Torres Azevedo (graduado e mestrado em psicologia, atualmente psicólogo do CAPS-AD de Araraquara) e Tadeu Marcato (professor de filosofia, trabalha na educação básica com projetos que relacionam vivência, poesia e filosofia no diálogo sobre drogas).

Matheus Caracho alegou que é preciso analisar a questão de uma forma mais ampla. “É muito importante debater esse tema tão relevante e trazer essa perspectiva tão rica sobre as drogas. É um debate tão controverso e é preciso novas perspectivas para conseguirmos olhar a questão das drogas de maneira menos moralizante, menos estigmatizadora e que derrube os mitos que estão presentes nesse tema. Também devemos olhar essa temática de maneira científica porque esse debate precisa ser realizado e é através da ciência que nós derrubaremos esses mitos”, defendeu.

Marcelo Marin citou a necessidade de se elaborar novas políticas sobre drogas. “Vamos pensar que há mais de 60 anos o uso de várias drogas é proibido em todo mundo, inclusive no Brasil. Será que alcançamos muito avanço com isso? Talvez em alguns pontos houve algum avanço e em outros até um retrocesso. Mas o grande problema é que não temos uma resposta milagrosa para isso. Sempre que ligamos a TV para assistir algo, vemos que os temas mais recorrentes são problemas relacionados às drogas”, lembrou. “Um dos problemas pelo qual a sociedade não se une para enfrentar as drogas é porque encaramos esse termo drogas como um tabu. É como se não falássemos sobre ele e ele não existisse, mas existe”, opinou.

Rafael Torres Azevedo destacou a importância do processo de redução de danos no tratamento dos usuários. “Antes de falar de drogas, temos que falar de pessoas e quando falamos de um usuário de drogas, estamos falando de um ser humano. Isso envolve questão social, psicológica, racial, então não é só a substância. Temos que ver potencialidades nas pessoas e não só defeitos”, articulou.

Tadeu Marcato destacou que é preciso uma orientação diferenciada no tratamento do problema. “Como fazer o indivíduo, a criança, o menino, a menina, o pré-adolescente entender sobre autonomia e entender sobre ser dono do próprio caminho? Não é ‘não use drogas’, cada um tem que tomar suas decisões na vida. A reflexão parte do indivíduo, mas é preciso propor esse entendimento social e os preconceitos que estão relacionados ao social e não ao uso de drogas”, expôs.

Apresentações culturais

O evento desta quarta foi aberto com uma apresentação das Oficinas Culturais de Danças Urbanas, com os alunos do Lar Escola Rita Maria de Jesus (Vila Xavier), sob a orientação do professor Saulo Leão e coordenação pedagógica de Débora Regina Muniz. Também houve uma apresentação das Oficinas Culturais de Canto Coral com a professora Danila Gregório, que conduz as alunas da Oficinas das Meninas, sob a coordenação pedagógica de Rosemary Regina de Souza.

A coordenação executiva das Oficinas Culturais Municipais é de Rafaella Pucca. Vale destacar que as Oficinas Culturais Municipais atendem atualmente cerca de 2 mil alunos em 30 pontos distintos da cidade, com 47 cursos nas diferentes linguagens artísticas.