Bia Zaneratto: Araraquara bem representada nas Olimpíadas

Atacante é uma das maiores esperanças de gols do Brasil em Tóquio

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Dos campinhos de Araraquara para as Olimpíadas de Tóquio. A atacante Beatriz Zaneratto João, a Bia, é uma das maiores armas do ataque da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, que luta pela inédita medalha de ouro olímpica. A jogadora de 27 anos de idade é um dos destaques do time brasileiro que volta a campo nesta sexta-feira (30), às 5 horas (de Brasília), quando enfrentará o Canadá no Estádio de Miyagi pelas quartas de final.

O caminho que levou a araraquarense a se tornar titular da camisa amarelinha foi repleto de obstáculos, que foram superados com talento e determinação. Ela nasceu no dia 17 de dezembro de 1993 e sua qualidade com a bola nos pés já era notável aos sete anos de idade, quando se destacava em meio aos meninos na Escola Antônio Lourenço Corrêa, na Vila Xavier. Para defender o time da escola em um torneio interescolar de futebol, a diretora precisou de uma autorização do pai, Aparecido Donizete João, que temia que ela se machucasse em meio aos meninos, mas mesmo assim assinou a permissão. O fato de ser uma das poucas meninas do torneio não a impediu de conquistar o título e a artilharia.

Mas os fundamentos e recursos da garota foram aprimorados quando começou a ser treinada por Luiz Carlos Seschi Filho, fundador da ONG Espaço Criança, que foi seu primeiro técnico. Seu desempenho em meio aos meninos incomodou alguns pais, que chegaram a se unir para pedir a retirada da menina do time. O treinador comprou a briga e não apenas a manteve no grupo como deu a ela a camisa 10. A atitude é até hoje lembrada pela artilheira, que sempre que vem a Araraquara faz questão de visitar Luiz e a ONG, levando presentes e palavras de incentivo às crianças integrantes do projeto. Aos 10 anos de idade, Bia participou da Copinha Pão de Açúcar com time misto (meninos e meninas), onde foi campeã, artilheira, revelação e campeã de embaixadinhas.

Chegou a desistir

Aos 13 anos de idade, o time do Espaço Criança participou de um torneio em Itapetininga-SP, onde Bia voltou a brilhar e ganhou destaque em reportagens nos meios de comunicação. A mesma visibilidade que enaltecia seu talento fez aumentar o preconceito, o que levou Bia a desistir do futebol. Ela chegou a praticar futsal, mas acabou seduzida pelo vôlei e chegou a disputar torneios pelo Clube 22 de Agosto.

Certo dia, o técnico Paulinho Taiúva, que na ocasião comandava o time feminino da Ferroviária, foi até a casa de Bia, a pedido do prefeito Edinho, que já tinha visto Bia jogar. A garota negou o pedido para voltar ao futebol e o próprio Edinho ligou para seu pai para tentar convencê-la. João pediu que o prefeito ligasse para a menina e dessa vez, com o pedido, ela aceitou entrar para o time, onde ela seria a atleta mais nova do elenco.

Peça-chave da Seleção

Com a camisa grená, Bia voltou a chamar a atenção e, ainda com 13 anos, teve sua primeira convocação para a Seleção Brasileira Sub-17. Aos 17 anos, teve sua primeira convocação para a Seleção Brasileira Principal, onde adquiriu amizade e aprendizado com jogadoras consagradas como Marta, Formiga e Cristiane. Desde então, a araraquarense se firmou como um dos maiores nomes do futebol feminino brasileiro e já integra a lista das dez maiores artilheiras da história da Seleção, com participações em três Copas do Mundo e agora em sua segunda Olimpíada (também foi titular na Rio 2016).

Paralelamente à Seleção, a atacante se destacou por todos os clubes que defendeu. Após iniciar na Ferroviária, foi para o Santos, que contava com um verdadeiro esquadrão que conquistou todos os títulos que disputou, como Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Libertadores. Bia ainda jogou pelo Bangu-RJ e Vitória-PE, antes de acertar com o Hyundai Steel Red Angels da Coreia do Sul em 2013. Ficou por sete temporadas no país asiático, onde conquistou sete títulos e ganhou status de estrela. No início de 2020, ela se despediu do futebol coreano para acertar com o Wuhan Xinjiyuan, time da cidade chinesa de Wuhan, primeiro epicentro da pandemia da Covid-19. Por conta do coronavírus, não chegou a se apresentar e foi emprestada ao Palmeiras. No meio do ano passado, ela chegou a se apresentar ao clube chinês, mas acabou novamente emprestada ao Palmeiras, onde é, no momento, a artilheira isolada do Brasileirão Feminino com 13 gols em 15 jogos.

Mensagem para os araraquarenses

Bia assustou os torcedores durante a vitória por 1 a 0 do Brasil sobre Zâmbia, na última terça-feira (27), quando teve que deixar o campo devido a um choque de cabeça com a atacante Kundananji, mas levou pontos no supercílio e já está pronta para voltar a campo. Ela gravou um vídeo, onde exibiu o curativo e mandou um recado para os araraquarenses. “Oi, Araraquara, estou aqui em Tóquio, muito feliz e honrada em representar Araraquara, representar o Brasil inteiro. Estamos agora nas quartas de final, é uma emoção muito grande estar aqui e peço encarecidamente que vocês continuem torcendo muito por nós, precisamos muito do apoio de vocês. Amanhã, cinco da matina, bora acordar e torcer muito por nós. Um grande beijo e obrigado pelo carinho. Vai, Brasil!”, disse a artilheira.

Foto: Sam Robles/CBF