Aumenta adesão à greve da Educação em Araraquara

Movimento ganhou força após a morte da educadora Queli Fernandes e já chega a 30% da categoria

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Nesta quarta-feira (5), dia que a greve sanitária da Educação municipal de Araraquara completa um mês, o movimento registrou recorde de adesões pela manhã com a participação de quase 30% da categoria, incluindo diretores e diretoras de unidades escolares.

De acordo com o Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR), a greve foi decidida em assembleia da categoria com o único propósito de preservar a saúde e a vida dos servidores e de toda a comunidade escolar. Desde então, o prefeito Edinho Silva (PT) só aceitou conversar com o Sindicato e com os grevistas uma única vez e foi taxativo: as escolas vão continuar abertas e atendendo alunos.

O Sindicato não aceitou a resposta e segue com o movimento grevista que está baseado em estudos científicos atualizados da USP e da Fiocruz que demonstram a falta de segurança no ambiente escolar neste momento da pandemia na cidade. “Ao contrário do pensamento do prefeito, a luta da greve sempre foi para salvar vidas, todas. Nenhuma morte é aceitável.

Ainda aguardamos a Prefeitura de Araraquara mostrar em quais estudos se baseia para abrir as escolas”, diz o SISMAR.

Mesmo com todos os alertas do Sindicato e de cientistas, muitos servidores não aderiram à greve e a primeira fatalidade ocorreu, justamente com uma servidora que não tinha comorbidades e se protegia porque sabia da gravidade da doença e do poder de contaminação do vírus. Justamente em uma unidade considerada exemplar, nova, bem ventilada. Nesta unidade exemplar, 30% dos servidores se infectaram.

Adesão

A mobilização ganhou força após a morte da educadora Queli Fernandes, muito querida entre os colegas e os pais dos alunos. “A partir de agora, o SISMAR espera que a mobilização continue forte nos próximos dias, para que a Prefeitura entenda de uma vez por todas que os servidores não aceitam correr o risco, no local de trabalho, de pegar uma doença que pode matar ou deixar sequelado para o resto da vida (sequelas que estamos começando a entender e que afetam todos os sistemas do nosso organismo, inclusive o sistema nervoso). Entretanto, mesmo que a adesão ao movimento caia novamente a partir de amanhã, ainda assim, o SISMAR avisa que estará firme na luta, porque sabemos que estamos protegendo a vida das pessoas. A greve é um direito de todos os trabalhadores brasileiros e a greve sanitária é ainda mais protegida pela legislação, pois há risco à saúde e à vida”.

Punição

O Sindicato tomou todas as providências administrativas e jurídicas para garantir os direitos dos grevistas. Qualquer atitude da Prefeitura para punir grevistas é ilegal e demonstra claramente que este governo que se diz do Trabalhador não é diferente de qualquer outro quando se trata de lidar com os servidores.

O desconto dos salários dos grevistas antes de levar a greve para a Justiça é um caso exemplar de ilegalidade. O SISMAR vai protocolar uma ação coletiva na Justiça exigindo o pagamento correto dos salários imediatamente.