Aluna da Unesp de Araraquara recebe prêmio por estudo que pode ajudar no combate a incêndios

Conter o avanço das chamas em situações de incêndio é fundamental para aumentar a segurança das pessoas

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A pesquisa de doutorado de Camila Raiane Ferreira, aluna do Instituto de Química (IQ) da Unesp, em Araraquara, foi premiada durante o XIX Encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat). O trabalho, que ficou entre os vencedores da categoria Bernhard Gross Award, aborda o uso de materiais argilosos como retardantes de chamas, fundamentais para a proteção contra incêndios. A inovação do estudo consiste em combinar acrílico, que é um polímero altamente inflamável, com argilas naturais misturadas com partículas de ferro, dando origem a um produto com elevada resistência térmica.

De baixo custo, eficiente em baixas concentrações e de fácil processamento, o novo material é menos tóxico que os retardantes de chamas feitos com bromo e cloro (halogenados), que estão entre os mais utilizados atualmente. Mais sustentável, a solução proposta por Camila poderá ser aplicada em diferentes cenários, desde residências e indústrias até automóveis e aviões. Testes de combustão realizados em laboratório comprovaram a capacidade da tecnologia resistir a chamas e a altas temperaturas.

“Até então, não havia relatos na literatura científica sobre o uso de argila combinada com ferro como retardante de chamas. Nós observamos que o ferro aumentou a estabilidade térmica do composto”, explica a pesquisadora, que teve como uma das motivações para a realização do trabalho a tragédia ocorrida em 2013 na Boate Kiss, em Santa Maria, que vitimou mais de 200 pessoas. No caso do incidente, a espuma utilizada para o isolamento acústico da casa noturna era altamente inflamável e contribuiu para o avanço das chamas, além de liberar compostos altamente tóxicos.

A pesquisa da doutoranda é realizada por meio de uma parceria entre o grupo de Físico-Química do IQ, sob responsabilidade da professora Sandra Pulcinelli e do professor Celso Santilli, e a doutora Valérie Briois, do Laboratório Synchrotron Soleil, da França, onde inclusive Camila realizou doutorado sanduíche por sete meses. Este é o segundo prêmio concedido ao trabalho da pesquisadora, que venceu a 6th International Conference on Multifunctional, Hybrid and Nanomaterials, realizada na Espanha, em 2019.

“Nosso trabalho está longe de terminar, mas o que fizemos juntos até agora espero que contribua de alguma forma para o avanço da ciência dos materiais e da indústria, além, claro, de fazer a diferença na sociedade e na vida das pessoas. Vou continuar minha jornada com mais dedicação do que nunca. O prêmio é um incentivo e uma confirmação de que estou no caminho certo”, comemora Camila.