‘A mulher indígena e a herança ancestral na vida das cidades’ é tema de reunião da Frente Parlamentar

Comissão é presidida pela vereadora Fabi Virgílio (PT)

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“A mulher indígena e a herança ancestral na vida das cidades” foi o tema da primeira reunião, que aconteceu na segunda-feira (5), promovida pela Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres, presidida pela vereadora Fabi Vírgílio (PT). As convidadas para falar sobre o tema foram a co-deputada do Psol, educadora, ativista do movimento indígena e doutoranda pela USP, Chirley Pankará, e Grasiela Lima, professora das Faculdades Integradas de Jaú (FIJ) e integrante da Fundação Araporã, onde coordena o grupo de estudos “Educação e Relações Etnicorraciais na Temática Indígena”.

O primeiro encontro teve como característica muita conversa e esclarecimentos sobre a importância de a cidade ouvir as vozes de ancestralidade e, assim, modificar o cultivo da terra, focando mais na alimentação saudável e menos no lucro, refletir sobre o cuidado com a água, ter iniciativas priorizando o bem estar coletivo ao invés do individual, aprender a ler e conhecer a cultura indígena e seus símbolos com mais respeito, e a identificar a origem do povo brasileiro e, por consequência, de Araraquara.

“Os povos indígenas têm muito que nos ensinar. Precisamos aprender com a cultura indígena e, especialmente, com a mulher indígena a prática para um mundo onde prevaleça a coletividade e uma forma de viver mais integrada com o meio ambiente. Estamos desconectados com o planeta, e só nos re-conectarmos ao olhar para nossa ancestralidade e para as mulheres indígenas”, enfatizou Fabi.

Chirley destacou a importância de se dar voz aos indígenas e, principalmente, às mulheres indígenas que lutam para serem ouvidas em diversos campos da sociedade. Falou da luta por espaços onde as ideias e esclarecimentos possam ser feitos de maneira direta e não por alguém que fale pelos índios. “Precisamos falar sobre nossa cultura, sobre nossa história, sobre nossa origem. Existe muito branco que fala por nós e sobre nós, mas precisamos falar por nós mesmos”, afirmou.

Também foi abordada a negligência de direitos básicos às mulheres indígenas como a saúde, por exemplo, e a luta para que haja um reconhecimento e um mapeamento dos povos dentro das cidades.

Outra questão trazida pelas convidadas foi a importância da educação na escola sobre o que é a cultura indígena e sobre a existência destes povos no nosso país muito antes da chegada dos europeus. Grasiela falou sobre o projeto “A história de Araraquara não começa com Pedro José Neto”, apresentado para alunos de escolas públicas e que aborda sobre tribos que habitavam Araraquara antes da chegada do homem branco.

Participaram da reunião os vereadores Filipa Brunelli (PT), Luna Meyer (PDT) e Paulo Landim (PT). Também estiveram presentes a deputada estadual Marcia Lia (PT), a representante da Educação – Lívia Ferreira de Abreu Cavalheiro, a coordenadora de Políticas para as Mulheres – Gabriela Palombo, a coordenadora de Políticas para Pessoas LGTBQI+ – Erika Matheus, a presidente do Conselho das Mulheres – Claudete Basaglia, a representante da Comissão das Mulheres Advogadas – Isabela Veiga, a coordenadora da Economia Solidária e Participativa de Araraquara – Camila Capacle, além de professores, advogados e diversas representantes da sociedade.