11ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ reforça luta pelo fim do preconceito

Reflexão sobre sociedade livre de qualquer discriminação deve ser feita todos os dias, afirma prefeito Edinho; evento foi realizado de forma virtual no domingo (6)

66
Na abertura da 11ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Araraquara, no domingo (6), o prefeito Edinho afirmou que a reflexão sobre uma sociedade progressista e livre de preconceitos deve ser feita todos os dias.

Neste ano, em razão da pandemia da Covid-19, o evento foi realizado de forma virtual, com transmissão pelo YouTube e pelo Facebook. Antes das apresentações culturais, autoridades do município falaram sobre a importância da data.

“A primeira Parada LGBT aconteceu no meu primeiro governo, quando fui prefeito de 2001 a 2008. Voltei em 2017 e estávamos havia seis anos sem organização da parada. E eu sempre fiz um debate com os organizadores da parada dizendo que ela deve ser uma manifestação cultural e, também, tem que ser um dia de reflexão. Uma sociedade que se dispõe a ser moderna, progressista, não pode conviver com a homofobia, com o machismo, com o racismo e com nenhuma forma de preconceito e discriminação. Temos que fazer essa reflexão todos os dias”, disse Edinho.

“Nós temos uma parcela da sociedade que se move pela homofobia, mas temos uma parcela da sociedade que não tem acesso à informação, não tem acesso à reflexão de qual é a construção de uma sociedade em que todos têm os mesmos direitos”, complementou o prefeito.

Edinho ainda destacou a eleição de Filipa Brunelli (PT) como a primeira vereadora transexual de Araraquara (a partir do mandato que se inicia em janeiro), o primeiro cargo de chefia no Município ocupado por uma trans (a coordenadora de Direitos Humanos, Rafaela Modesto) e a primeira mulher negra de Araraquara que dará posse aos novos vereadores e ao prefeito reeleito — Thainara Faria (PT), candidata a vereadora mais votada e reeleita, presidirá a sessão de posse em 1º de janeiro.

Representando a Câmara Municipal, Thainara elogiou as ações da Prefeitura. “Aqui em Araraquara, temos um prefeito que defende as pautas que são das minorias em direitos na nossa sociedade. Infelizmente, isso não se repete no Brasil. Estamos na luta, na resistência, por cada um de nós. Não recuaremos. Precisamos nos cuidar em casa neste momento, mas esperamos que, em breve, possamos estar na rua novamente para defender nossos direitos.”

Para a deputada estadual Márcia Lia (PT), é necessária uma busca incessante por justiça social e igualdade entre as pessoas. “Que todos os seres humanos tenham seus direitos respeitados. Não podemos admitir que as pessoas sejam submetidas a preconceito, sejam assassinadas, tenham medo de sair na rua. Nosso mandato na Assembleia Legislativa é de lutas, é de defesa dos direitos humanos”, destacou.

A coordenadora de Direitos Humanos, Rafaela Modesto, declarou que a Parada LGBTQIA+ é um dia de muita reflexão. “É dia de festa e de orgulho de ser quem somos, de não nos escondermos mais. Mas o Brasil coleciona a vergonhosa posição de primeiro lugar em assassinato de pessoas trans no mundo. Estamos nessa posição por dez anos. É dia de festa, mas de lembrar nossas dores e do quanto sofremos. Estamos aqui para mudar essa realidade”, afirmou.

A vice-presidente do Conselho Municipal LGBTQIA+, Érika Matheus, também fez uma fala sobre o evento. “Estamos aqui vivas, unidas e resistindo. Que este dia dê forças para nós continuarmos explicitando a nossa essência e tomando posse dos nossos próprios corpos dentro dessa sociedade. É dia de festa, mesmo que acompanhando de casa”, observou.

Representando a Copo (Comissão Organizadora da Parada do Orgulho de Araraquara), a vereadora eleita Filipa Brunelli falou sobre o desafio de organizar o evento em tempos de pandemia. “O coronavírus fez nós nos adaptarmos aos espaços disponíveis. Isso não significa que nós iríamos deixar passar em branco algo tão importante. Independentemente da situação, nós precisamos marcar espaço”, explicou Filipa.

Todas as cores
A 11ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Araraquara teve o tema “A democracia tem todas as cores” e ainda pode ser acompanhada no YouTube da Prefeitura de Araraquara, onde a gravação do evento está disponibilizada na íntegra.

A comissão organizadora (Copo) inclui diversos coletivos LGBTQIA+ de Araraquara, em parceria com a Prefeitura, com o Governo do Estado de São Paulo, Amigxs da Arte e Museu da Diversidade Sexual.

Com o objetivo de dar visibilidade à população LGBTQIA+, o evento celebra o orgulho de ser um LGBTQIA+ (gay, lésbica, transsexuais, bissexuais, travestis, entre outros), assim como o orgulho por todas as lutas que foram enfrentadas no passado e que continuam sendo enfrentadas pela comunidade LGBT.

A programação artística teve apresentações ao vivo com cantores e DJs, além de apresentações de drag queens, Dança do Ventre – entre outros. Participaram Mayara Montnegro (Miss Trans Araraquara 2019), Higor, Weendy, Heik, Storm, Blair, Poliana, Vanessa, Málaga, Sara, Ellen Top, Luna Scarlet, Tayra Moon, Luna Dee, As Minas, Sumara, Bruno Funk, DJ Ulisses, DJ Raissa, DJ Will e DJ Marquinho.