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Tárcio Costa: o palco é seu lugar

Tárcio Costa: o palco é seu lugar

Tárcio Costa é “homem fazedor”. Cordelista no palco, na fazenda ou na Europa; para ele, a arte se assemelha ao ser humano em sua imperfeição e constante construção.

Seu envolvimento com a arte começou muito cedo, aos 15 anos, quando subiu ao palco para defender uma composição própria no Mapa Cultural Paulista, em Américo Brasiliense. Ali, percebeu que o palco era o seu lugar, onde se sentia à vontade. Decidiu que dali em diante o mundo seria um grande palco para ele. “Minha arte é agora. Acho que a arte é a coisa mais parecida com o ser humano, é imperfeita e está sempre em construção”.

Tárcio nasceu em Taubaté, capital da literatura infantil, cidade de Monteiro Lobato, e veio pra Américo Brasiliense muito cedo. “A cidade era praticamente uma grande fazenda. O que havia ali era gente. Convivi com paranaenses, nordestinos, mineiros. Acredito que essa convivência tenha sido um pouco responsável por esta minha relação com a manifestação da cultura popular. Nesse Américo Brasiliense em que eu cresci, o homem era; o homem não tinha. E onde encontro um pouco dessa vertente hoje é no Nordeste, onde o homem ainda é”.

Processo criativo

 O cordelista é realmente alguém que gosta de fazer, para depois saber se isso está errado. “Quando comecei a escrever cordel, não tinha métrica, tinha ‘malemá’ rima, mas eu comecei. Acho que o homem é um fazedor, ele tem que construir, tem que fazer”.

Em 2011, teve a oportunidade de representar o Brasil na 13ª Bienal de Artes Brasileiras em Bruxelas, com a obra “Ariano, de Norte a Suassuna”.  “Só posso falar que valeu 30 anos de esforço, dedicação e escolhas difíceis pra viver da profissão de artista”.

Para ele a arte deve ser incentivada através do poder público. “Acho que o poder público pode ajudar investindo na arte dentro das escolas, principalmente na educação fundamental. Falo de comprometimento, de o poder público assumir a arte com a responsabilidade devida”.

O cordelista  ressalta que para viver sua arte, faz  cordel no teatro, no palco italiano. “Faço na porta do supermercado, na Europa e na fazenda. Quer ser artista? Seja. Agora. Já. Pegue sua poesia, seu caderno, o que for, mas saia pra rua. É difícil, é prazeroso, é triste, é delicioso, é estar com o diabo e com Deus ao mesmo tempo. É tudo que é ser humano. Arte para mim é isso tudo. Tudo o que eu sou é arte”.

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