Selecione a página

Venda dos hotéis Eldorado e Municipal gera polêmica até hoje

Hamilton Mendes

Até meados dos anos 2000 Araraquara era uma das únicas cidades brasileiras que ainda mantinha, praticamente, como patrimônio público dois hotéis, o Municipal e o Eldorado, também conhecido durante anos como Morada do Sol. Os dois hotéis eram de propriedade da Morada do Sol Turismo S.A, uma empresa de capital misto cujo maior acionista é a Prefeitura de Araraquara.

O Hotel Municipal, construído pela Prefeitura nos anos 10, foi durante décadas o cartão postal do município, mas a falta de manutenção adequada prejudicou as condições do edifício, e tanto o prédio, quanto as instalações elétricas e hidráulicas já se encontravam em condições muito ruins no final dos anos 90.

Inaugurado em 1977, o Eldorado, ou Morada do Sol representou por pouco mais de 20 anos o que de melhor Araraquara poderia oferecer em hospedagem a seus visitantes, mas também devido a manutenção precária por que passou durante anos, o prédio já necessitava de uma grande reforma para se adequar aos novos tempos.

Ambos, porém, não eram administrados pelo município há anos – até mesmo por impedimento de ordem operacional -, e estavam alugados para terceiros. O problema, para a Prefeitura de Araraquara estava justamente aí, já que pelos dois Hotéis a Morada do Sol recebia R$ 8 mil reais de aluguel por mês – R$ 6 mil reais pelo Morada do Sol e R$ 2 mil reais pelo Hotel Municipal, valor considerado ínfimo até para os padrões da época – por volta de 3005.

Havia, porém, ainda outro complicativo. É que os contratos de locação firmados para os dois hotéis eram de longo prazo, e, por contrato, a responsabilidade de manutenção dos dois prédios ficava por conta da empresa Morada do Sol. Ou seja, ficava com todo o ônus dos reparos e reformas era a própria Prefeitura. Na prática, o negócio era muito prejudicial ao município.

A situação, claro, gerou sérios problemas para a Prefeitura, especialmente porque a todo o instante o Tribunal de Contas do Estado (TCE) questionava a administração municipal quanto aos baixos valores de aluguel, bem como aos gastos freqüentes que eram feitos na manutenção dos dois prédios. O TCE, em seus questionamentos, sempre claro aos gestores públicos da cidade que não havia qualquer justificativa plausível para o município possuir hotéis.

Diante de tantos problemas legais e prejuízos acumulados, a Prefeitura, na época sob administração do ex-prefeito Edinho Silva, passou a buscar alternativas para se desfazer dos prédios, ao mesmo tempo em que buscava um negócio em que os recursos oriundos das vendas pudessem ser aplicados, garantindo o patrimônio do município, e o rendimento dos acionistas da Empresa Morada do Sol. E logo apareceu uma grande oportunidade em Brasília.

Últimos Vídeos

Carregando...

Publicidade

Publicidade

Arquivos

Publicidade