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Venda da Embraer para a Boeing é tema de Audiência Pública na Câmara Municipal



“Se não for injetado dinheiro na fábrica de Gavião nos próximos cinco, dez anos, ela vai fechar”

Venda da Embraer para a Boeing é tema de Audiência Pública na Câmara Municipal

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A perspectiva de compra da Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer) pela corporação norte americana Boeing disparou uma série de expectativas nos 17 mil trabalhadores da empresa, nos milhares de prestadores de serviços terceirizados e populações das regiões onde há unidades instaladas.

Considerando a importância da Embraer para o cenário regional, já que há uma unidade instalada na cidade de Gavião Peixoto, com forte influência econômica, de geração de vagas de emprego e renda na região da cidade de Araraquara, o vereador Edio Lopes (PT) pediu a realização de Audiência Pública na noite dessa quinta-feira (12) para discutir o impacto que a negociação pode causar, os desdobramentos na economia regional, no nível de emprego e nos direitos trabalhistas, e os riscos que a transferência de tecnologia poderia representar para a soberania nacional. “O intuito dessa Audiência é ouvir as pessoas que estão envolvidas nessa questão e entender o impacto dessa fusão para Araraquara e toda nossa região”, explicou o parlamentar.

A Audiência foi iniciada com a participação do funcionário e representante do Sindicato dos Funcionários da Embraer em São José dos Campos, Herbert Claros, destacando que o debate deveria ter ocorrido em São José dos Campos, onde a empresa começou suas atividades. “Essa discussão não existe com a sociedade por parte do governo e é mais que necessária. Por que a Embraer está vendendo seu principal setor, que é a aviação comercial? Está em crise? Sabemos que não. A política brasileira reflete na Embraer e a preocupação é em atender aos interesses dos acionistas. A Embraer sobrevive graças à aviação comercial. Se não for injetado dinheiro na fábrica daqui nos próximos cinco, dez anos, ela vai fechar.”

O representante do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu, Fabiano Roque, completou. “No memorando da Embraer aos funcionários, não garantiram os empregos aos trabalhadores. Quando abriram um hangar em Botucatu, prometeram gerar 400 empregos, mas, no momento, temos só 40 funcionários no local. Se for tirada a montagem do E2 (linha de aeronaves da Embraer) de Botucatu, acabou a unidade da cidade. E o dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que foi liberado para os projetos da Embraer?”, questionou.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Araraquara e região, Paulo Sérgio Frigieri, afirmou que muitos dos questionamentos serão levados à reunião que acontecerá em São Paulo com o presidente da Embraer. “O emprego do trabalhador que nos interessa. Tínhamos mais de dois mil empregos aqui e agora são pouco mais de 400. Temos que debater esse assunto, pois há muita preocupação.”

O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Rafael de Araújo Gomes, enfatizou a preocupação com os empregos dos trabalhadores. “O Ministério Público já instaurou um inquérito e encaminhou indicações às duas empresas, buscando uma garantia de empregos no Brasil. Elas não declararam que darão essa garantia. Essa operação passa pelo governo, que pode vetar ou não. O Ministério Público recomendou ao governo que exigisse garantias de empregos no país. A resposta também não mencionava isso. Portanto, preservar empregos na Embraer não é preocupação do governo.”

“Temos que nos mobilizar, pois todas as conquistas do trabalhador vieram com muita luta”, finalizou Edio Lopes, informando que documentos serão encaminhados ao Governo Federal e que foram convidados os prefeitos das cidades da região e representantes da Embraer, mas ninguém compareceu.

Estiveram presentes, ainda, o vereador Gerson da Farmácia (MDB), o diretor do Senai Araraquara, Paulo Sassi, e o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal de Araraquara, Valter Miranda.

Demissões em massa

Informações apontam que haveria risco de fechamento de alguma unidade, o que afetaria Gavião Peixoto, com demissões em massa, assim como, há também comentários de que permaneceria em funcionamento. O que é certo é que qualquer uma das ocorrências mexe com os trabalhadores da empresa, suas famílias, administradores das cidades e todos os envolvidos.

A questão é tão preocupante que o Ministério Público do Trabalho notificou as empresas Embraer e Boeing para que incluam, expressamente, salvaguardas trabalhistas no acordo comercial, impedindo eventual transferência de atividade econômica ao exterior que resulte em demissões em massa. E o fechamento da unidade de Gavião Peixoto retiraria da “cidade de asas” uma arrecadação de cerca de R$ 11 milhões, de ICMS e de ISS, prejudicando enormemente o município.

A Embraer é atualmente a terceira maior fabricante e exportadora de aviões do mundo e conta com tecnologia para desenvolvimento e produção de aviões, peças aeroespaciais, satélites e monitoramento de fronteira, ocupando um espaço primordial no país no que tange à sua segurança estratégica.

A unidade da Embraer em Gavião Peixoto, que é voltada ao gerenciamento de projetos, produção e comercialização de aeronaves dos programas militares, tem posição estratégica na empresa, por tratar de atividades voltadas à segurança e soberania nacional. Na região, são gerados mais de dois mil empregos diretos e outros sete mil indiretos, distribuídos entre as cidades de Gavião Peixoto, Araraquara, Matão, São Carlos, Motuca, Ibaté, Américo Brasiliense, entre outros municípios da região.

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