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Painel Político de sexta-feira, 16 de agosto

Painel Político de sexta-feira, 16 de agosto

Olhos e voz

Os olhos e a voz de Eduardo Bolsonaro no PSL paulista atende pelo nome de Gil Diniz. Deputado estadual, Gil trabalha com o filho do presidente há anos, comunga da mesma cartilha e exercita as mesmas ideias que Eduardo prega. E não se trata apenas de um parceiro leal. Gil é considerado como uma das melhores cabeças pensantes dentre aquelas com livre trânsito entre os Bolsonaro. Ele é afinado com o chefe, mas tem liberdade e apita. Engana-se, portanto, quem pensa que o fato de Eduardo estar prestes a assumir a embaixada do Brasil nos EUA venha a arrefecer a influência dele no PSL paulista. É exatamente o contrário.

O Imparcial estava lá

E por falar nisso, Rodrigo Ribeiro, recém-empossado presidente do PSL local, esteve nessa quarta-feira, 14, em São Paulo, onde se reuniu com lideranças bolsonaristas do partido. O jovem foi bastante cumprimentado e recebido com entusiasmo pelo novo staff estadual, agora, 100% alinhado com as políticas e ideias do presidente. Mas a surpresa do dia foi outra: ele, que levava alguns exemplares do O Imparcial circulado no mesmo dia para conhecimento da nova Executiva, se viu surpreendido pelos detalhados comentários dos dirigentes tratando das notas publicadas por nós. O Imparcial dessa quarta-feira já estava nas mãos deles desde cedo.

Surpresa não foi

O Imparcial apurou que antiga direção do PSL de Araraquara já tinha conhecimento de sua destituição desde o dia 25 de julho último. A decisão já era esperada desde o dia em que Eduardo Bolsonaro assumiu o partido, vencendo a queda de braço travada com grupo liderado pelos deputados Alexandre Frota e Júnior Bozella, o último bastante alinhado com o grupo destituído em Araraquara. Não foi surpresa alguma, portanto, a nomeação de uma nova Executiva para Araraquara.

Redes sociais

O desejo de mudança que se vê estampado em algumas chamadas e publicações pela internet é algo incrustrado na população há muito tempo. 2018 que o diga. Mas, engana-se quem pensa que o Brasil somente começou a tentar a mudança agora. O descrédito na classe política e a sensação generalizada de que a política não disponibiliza ferramentas reais para viabilizar a participação popular vem de muito tempo. A novidade é que as redes sociais conseguiram o que parecia impossível: dar voz a todos, conectar pessoas de todos os cantos do Brasil e isso foi espetacular sob o ponto de vista da informação.

Desejo de mudança é antigo

Nos anos 50, em voto de protesto, o povo paulistano “elegeu” deputado o rinoceronte “Cacareco”. Décadas depois o movimento Diretas Já, deflagrado em 84, mostrou claramente que o povo já estava de saco cheio da política tradicional desde aquela época. A verdade é que embora a história conte lindas passagens de “luta contra a ditadura” e carregue com belas palavras as biografias daquele pessoal que se acotovelava sobre os palanques na Catedral da Sé, apenas para ficar no exemplo de São Paulo, a verdade é que todos eles foram derrotados pelo povo em 89.

O povo descartou

Disputaram aquela eleição (as primeiras para presidente no país desde aquela de 1960, que levou Jânio Quadros ao poder), nomes como Ulisses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, Lula, Fernando Gabeira e Roberto Freire. Todos companheiros de palanque em 84, e a maior parte deles, beneficiários, até onde interessou, do trágico governo Sarney. Lula, que representava a nova esquerda que surgia chegou ao 2º turno, mas o povo elegeu Collor, até então um político desconhecido do Alagoas. Ninguém da tradicional oposição ao governo militar teve chances com o voto popular.

Remédio

Fato novo, as Redes Sociais conectaram brasileiros de norte sul e permitiram que essa insatisfação multiplicasse seus efeitos e deflagrasse os anos de 2013 (manifestações imensas por todo o Brasil sem lideranças e bandeiras claras) e de 2018 (uma eleição improvável e inimaginável um ano antes do pleito). Mas aquela foi uma eleição nacional, onde o efeito ideológico pesa muito e o sentimento de desilusão historicamente aparece de maneira mais explicita nas urnas. As Redes serviram como um remédio que o Brasil precisava para tentar resolver seu mais sério problema: ter voz e poder efetivamente confrontar uma classe que desde sempre faz o que quer e quando quer no País: a classe política

Efeito colateral     

Mas como todo remédio ministrado pela primeira vez tem seus efeitos colaterais, com as redes sociais não foi diferente. Ela abriu corações, escancarou egos, interesses individuais e em algumas postagens revelou cidadãos com uma sede incontrolável de poder. Algo que provavelmente nunca teria sido exposto, mas que o poder imaginário emprestado pelas redes tornou inevitável acontecer. Hoje expostas em postagens e recados raivosos distribuídos pelas redes, essa sede incontrolável pelo poder tornou algumas pessoas, antes tranquilas e educadas, em desesperados seres clamando por atenção e elogios.

Os vingadores

Não ouse questioná-las! Não ouse duvidar de suas teorias da conspiração! Não ouse duvidar de suas “boas” intenções. Se você o fizer será imediatamente taxado dos piores adjetivos, de inimigo do povo e da liberdade. Fazem isso como se estivessem de capa e espada, os tais paladinos do povo e da justiça. Eles, os donos da verdade. Mas como diz o poeta, amigo leitor, quer saber quem é o cara? Dê poder a ele. E as redes fizeram mais: deram voz e vez… e todos estão mostrando a que vieram.

Tudo como dantes do Quartel de Abrantes

O que essas pessoas ainda não entenderam é que se as redes foram espetaculares em todo o processo que viabilizou o que se viu em 2018, elas ainda não fizeram a revolução propriamente dita. No frigir dos ovos, não mudou nada. As redes permitiram quer todos tivessem voz, participassem efetivamente daquele momento, mas não colocaram o povo no centro das decisões e dentro das salas onde tudo se resolve. O sistema político continua o mesmo, as regras eleitorais, salve a minirreforma de 2017, continuam as mesmas e a classe política segue encastelada onde sempre esteve e decidindo tudo, como sempre decidiu.

Tarefa é difícil

Apenas para recordar o que publicamos recentemente, para que um partido possa ter chance de eleger alguém ele tem, primeiro, que conseguir o mínimo necessário: atingir o quociente eleitoral, que é número que se tem depois de dividir o total de votos válidos (excluídos os brancos e nulos) pelo número de cadeiras disponíveis na Câmara Municipal de Araraquara, no caso, 18. Acredita-se que o quociente por aqui deve ficar entre 5,5 mil e 7 mil votos (depende muito da abstenção, que deve ser grande). E esse é o principal desafio dos partidos pequenos. Não é fácil para eles atingirem os tais 6 mil votos, embora muitos se neguem a entender isso.

Um pequeno exercício 1

Ainda sobre o assunto, e longe de querer ser estraga prazeres, vamos propor aqui um pequeno exercício aos interessados. Experimentem colocar em um papel 50 nomes de pessoas conhecidas, e que realmente sejam suas amigas. Pessoas que você considera próximas o suficiente para abrir seu coração, contar segredos, dividir sua vida. Pessoas que confiam em você piamente e aceitariam sem pestanejar comprar suas brigas, serrar fileiras ao seu lado doa a quem doer. Encerrado esse exercício comece outro: faça nova lista, agora com 50 parentes, todos eles com as mesmas características das citadas acima. E depois, prepare outra, também de 50 nomes, agora com pessoas de seu relacionamento profissional. Faça isso honestamente consigo mesmo. Faça a lista com a convicção de seu coração. Não adianta mentir para você mesmo, certo?

Um pequeno exercício 2

Ok! Fechadas as listas? Pois bem: você terá de ir atrás de cada uma das 150 pessoas que considera sendo de confiança, e convencê-las a abraçar sua candidatura. E ainda mais: cada uma delas terá de conseguir pelo menos mais  4 votos para que você obtenha os 600 necessários (10%) para atingir a cláusula mínima de desempenho previsto na lei.  Ah! E é claro que seus votos, somados aos dos seus companheiros de chapa, devem somar os 6 mil citados para permitir que sua candidatura tenha alguma chance. Digo, alguma chance, porque um, ou alguns de seus companheiros pode (m) ter mais do que os seus 600 votos, e aí, muito provavelmente você não vai conseguir nada. Portanto, amiguinho! Mãos à obra!!!!

Povo não é gado

A verdade é que não é o sentimento de mudança que vai “puxar” milhares de pessoas, como se fosse uma boiada sendo tocada pelo campo, ao mesmo tempo em uma só direção. Tem de haver um candidato, tem de se ter propostas palpáveis e tem de se ter um mínimo de organização para conquistar a confiança da população. O povo tem de acreditar que todos juntos, propostas, candidato e grupo de apoio, podem dar certo. Como, por exemplo, aconteceu com o próprio Bolsonaro. Foi ele resultado de um nome (dele mesmo), propostas (apresentadas por ele mesmo), organização (de sua incansável sua equipe) e um sentimento de mudança (do povo). Essa verdade cabe para candidatos aos dois cargos em disputa no ano que vem: prefeito e vereadores.

Qual seu real papel, amigo (a) leitor (a)?

Não se pode ignorar que a classe política – leia-se políticos profissionais – é bastante criativa e não pode ser menosprezada. É ela quem gesta e aprova as regras, as mesmas que a perpetuaram no poder. Regras onde o mais votado muitas vezes não ganha a eleição. Onde se tem de fazer contas para saber quem é o eleito. Regras em que um candidato pode pedir votos em todos os 645 municípios do estado (no caso de São Paulo), elevando o custo de uma campanha a deputado para além da casa dos milhões de reais. Chamam isso de democracia proporcional. Oras bolas! Pergunto-te então, amigo leitor. Por acaso você tem milhões de reais nas mãos para gastar em uma campanha para deputado? Não? Então, vamos falar sério? Que fique claro desde já: nesse processo democrático, você até pode ser candidato, mas já sabe de antemão o resultado da aventura. Na divisão social que as regras bem delimitaram, cabe a você votar. É só isso, ponto.

Eleição entre amigos

As eleições municipais já são bem diferentes e muito mais democráticas. Nos municípios os direitos são iguais e o pau come. Portanto, ir para 2020 imaginando que o descontentamento popular seja 100% protagonista nas eleições municipais pode até ser legítimo, mas, convenhamos, passa longe da realidade. Em eleições municipais o povo vota em amigos, em conhecidos, em gente que mora na casa ao lado, cujos filhos estudam com seus filhos, frequentam os mesmos barzinhos, restaurantes, as esposas convivem no mesmo emprego, no mesmo salão, fazem compras no mesmo supermercado. Trata-se da eleição da cidade onde todos vivem. As pessoas se conhecem, gostam ou não gostam uma das outras e isso é muito pessoal. E é esse sentimento pessoal que vai para as urnas.

Partidos tradicionais e bons nomes

Por tudo isso, devemos considerar uma situação que certamente deve se apresentar para o pleito do ano que vem. A primeira delas é a estrutura profissional montada pelos grandes partidos, todos eles repletos de nomes respeitáveis da sociedade araraquarense, sejam eles (as) médicos, contadores, garis, merendeiras, professoras ou advogadas. Gente com penetração social e o respeito de seus pares. É inegável que os grandes partidos contam com quadros assim, e é claro que dadas as características bastante peculiares das eleições municipais, onde as pessoas se conhecem, convivem entre si e votam nelas mesmas, esse será um fator decisivo para que o resultado final do pleito.

O caminho demanda trabalho sério

É bom que todos acordem para a crua realidade das regras vigentes. Elas engessam as eleições, não permitem mudanças drásticas no que aí está, mas deixa uma lição importante: a de que a mobilização dos grupos que querem essa mudança pode dar resultados em 2020. E como começar isso? Basta que todos eles desçam da cadeirinha de 2018, parem de discursar para o vento e jogar para sua torcida. Arregacem suas mangas e visitem os partidos tradicionais, tentando levar para seus quadros esses nomes respeitados da cidade que engrossam suas fileiras, além, claro de identificar outros tantos nomes com real lastro eleitoral entre a população. Seria um grande passo.

Sonhar é bom….

Fora isso, e com todo o respeito, todos estarão vivendo fora da realidade e vendendo ilusões. Estarão jogando para sua própria torcida e não vão conseguir nada além de uma grande decepção depois de abertas as urnas. Porém, quem somos nós para trazer à realidade, sonhadores contumazes. Afinal, se sonhar é bom, a única verdade, mesmo, é uma hora a gente acorda, e aí o que nos espera é a realidade…. nua e crua.

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