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Lava-Jato: Janot amplia grupo de investigadores para atuar no STF



PGR reforça equipe com 5 subprocuradores de olho no aumento de ações contra políticos

A Operação Lava-Jato, um pesadelo na vida de muitos políticos eempresários influentes há quasedois anos, vem ganhando reforços.No início de dezembro o procurador-geral, Rodrigo Janot, deu umaclara indicação do trabalho queterá pela frente: reforçou o grupode trabalho encarregado das investigações sobre deputados, senadores e ministros com mais 4 investigadores e criou um grupo especial com 5 subprocuradores paraatuar com exclusividade nos recursos da Lava-Jato no Superior Tribunal de Justiça (STJ).Uma fonte da investigação prevêque até julho os trabalhos em Curitiba (PR), onde está concentrada parte da força-tarefa do Ministério Público, chegarão ao fim. Atélá, o juiz Sérgio Moro deverá terconcluído todos os processos abertos até agora, na avaliação dessafonte. Porém, os desdobramentosda Operação Lava-Jato nas demaisinstâncias judiciais e a abertura denovas investigações contra políticos com foro privilegiado ainda nãopermitem prever um horizonte.Com isso, a linha de frente dasinvestigações sobre o envolvimento de políticos, empreiteiros, lobistas, doleiros e servidores públicos com a corrupção na Petrobrasterá em 2016 um exército de maisde 30 procuradores, subprocuradores e promotores. Trata-se domaior número de investigadores,só do Ministério Público, destacados para atuar num mesmo caso.Nenhum outro escândalo do paísmobilizou tanta mão-de-obra.“Vem muita coisa forte por aí enão vai demorar muito“ afirma afonte vinculada ao caso, acrescentando que nos próximos meses, aforça-tarefa deverá botar na praçamais uma grande operação.A equipe com a missão mais espinhosa, o grupo de trabalho vinculado ao gabinete de Janot, eraformado por nove investigadores,sob a coordenação do procuradorDouglas Fischer. No início destemês, Janot destacou mais quatroinvestigadores para reforçar ogrupo, que tem como tarefa investigar deputados federais, senadores e ministros suspeitos deenvolvimento ou de serem beneficiários das fraudes na Petrobrase em outras áreas da administração pública.

FRENTE PARA INVESTIGAR POLÍTICOS
Com base na apuração do grupo, Janot pediu no início do anoabertura de inquérito contramais de 50 políticos, entre eles13 senadores e 24 deputadosfederais. Mas a demanda cresceu especialmente depois dasdelações do empresário RicardoPessoa e do lobista FernandoSoares, o Fernando Baiano, edevem aumentar ainda mais comnovos acordos de delação premiada e com as recentes buscasrealizadas em endereços do presidente da Câmara, EduardoCunha (PMDB-RJ), do ministrodo Turismo Henrique EduardoAlves e do ex-presidente daTranspetro Sérgio Machado. Atéagora já foram fechados 35 acordos de delação premiada.“Teremos mais dois anos de tensão. Mas os efeitos da Lava-Jatopodem se prolongar por mais cinco ou até dez anos“ arrisca o chefede uma das bancas de advocaciaque atua na Lava-Jato.A nova equipe do STJ é formadapelos subprocuradores-geraisFrancisco de Assis Vieira Sanseverino, Áurea Maria Etelvina Pierre, José Adonis Callou de Araújo Sá, Maria Hilda Masiaj Pinto eMário José Gisi. Eles terão comomissão fazer frente a demanda dehabeas corpus e recursos especiais que estão chegando no STJ contra decisões da primeira instância.A criação da força-tarefa foi sugerida pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão e acolhidapelo procurador-geral. A ideia deJanot é defender a Lava-Jato numcampo delicado: a confirmaçãono STJ das decisões do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal,de Curitiba.“ O que se prevê é que, a partirde agora, muitos recursos vãochegar ao STJ depois de passarem por tribunais regionais federais. Por isso, se criou essaforça-tarefa “ explica uma dasautoridades do caso.Desde o início do ano também, aequipe da vice-procuradora-geral,Ela Wiecko, já conduz, no âmbitodo STJ, as investigações sobre osuposto envolvimento de governadores com desvios na Petrobras. Nomomento, estão abertos dois inquéritos no STJ contra os governadores do Rio, Luiz Fernando Pezão(PMDB), e do Acre, Tião Viana(PT), e um contra o ex-ministroMário Negromonte, conselheiro doTribunal de Contas da Bahia. Masas investigações podem ser ampliadas se confirmadas as suspeitascontra um magistrado citado noinício do caso.A força-tarefa de Curitiba, coordenada pelo procurador DeltanDallagnol, conta com 12 investigadores. O grupo foi criado porJanot em abril do ano passado comum número menor, mas cresceude acordo com a demanda. Com asupervisão do procurador CarlosFernando dos Santos Lima, o grupo costurou os primeiros acordosde delação premiada e com issoabriu as portas da corrupção entranhada na Petrobras. Desde oinício dos trabalhos da Lava-Jato,há mais de 21 meses, já foram bloqueados R$ 2,4 bilhões em bense dinheiro em contas bancárias depessoas envolvidas no esquema decorrupção.

DELAÇÕES REFEITASO
s acordos com o ex-diretor Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e o lobista Júlio Camargo, entre outros, levaram àprisão pela primeira vez na história do país donos de grandes empreiteiras e criaram as bases paraas investigações contra deputadosfederais, senadores e ministros emcurso no STF.Colegas dos procuradores de Curitiba entendem, no entanto, queo trabalho não ficou completo.Depois da primeira fase dos acordos, procuradores do grupo de trabalho, de Brasília, tiveram queinterrogar novamente alguns investigados, entre eles Júlio Camargo.Só então, Camargo abriu o jogo emrelação dois importantes nomes, opresidente da Câmara, EduardoCunha (PMDB-RJ) e o ex-ministro José Dirceu.Mais recentemente, a força-tarefa de Curitiba denunciou o fazendeiro José Carlos Bumlai porintermediar falsos empréstimosdo Banco Schahin para o PT. Ocaso teve forte repercussão. Bumlai é suspeito de usar o nomedo ex-presidente Luiz InácioLula da Silva para intermediarnegócios entre empresas privadas e o governo.Parte das investigações da primeira instância já foi transferidapara varas federais no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre outros estados. Ou seja, a Lava-Jatodeverá reduzir o ritmo em Curitiba enquanto ganha fôlego emoutras praças.“Parece que a Lava-Jato não teráfim” conclui um procurador.

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