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Debate sobre desafios encerra o Mês da Mulher na Câmara Municipal

Duas pedagogas, uma advogada, uma militante e uma camponesa. O que elas têm em comum? São todas mulheres que, de um modo ou de outro, têm de enfrentar cotidianamente o desafio de se fazerem ouvir e representar em uma cultura imersa no machismo e no preconceito. As palestrantes transmitiram ao público um amplo leque de […]

As palestrantes transmitiram ao público um amplo leque de experiências e suscitaram reflexões nas mais variadas áreas



Duas pedagogas, uma advogada, uma militante e uma camponesa. O que elas têm em comum? São todas mulheres que, de um modo ou de outro, têm de enfrentar cotidianamente o desafio de se fazerem ouvir e representar em uma cultura imersa no machismo e no preconceito.

Essas mulheres tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão próximas sentaram-se juntas à mesa do Plenário da Câmara Municipal para a Roda de Conversa “Os Desafios das Mulheres no Século XXI”, organizada pela vereadora Thainara Faria (PT). “A reunião de toda essa beleza, dessa diversidade incrível para discutir questões que são comuns a todas nós é de uma riqueza inestimável”, declara a parlamentar.

As palestrantes transmitiram ao público um amplo leque de experiências e suscitaram reflexões nas mais variadas áreas. A professora e doutoranda em Educação Maria Fernanda Luiz discutiu as dificuldades da mulher negra, brasileira e latino-americana.

“É daqui que parto, porque é de onde venho. Sou filha de trabalhadores que lutaram muito para que eu tivesse melhores oportunidades educacionais e profissionais, e sou extremamente grata a eles por isso”, contou. Em sua experiência, a pedagoga, que está assumindo a gestão do Centro de Referência Afro, levantou questões sobre o machismo, educação, racismo e empoderamento.

A militante pelos direitos LGBT Célia de Souza destacou as dificuldades diárias enfrentadas pelas mulheres lésbicas e os preconceitos encontrados no dia a dia, muitas vezes dentro da própria comunidade de mulheres lésbicas, inclusive em relação à idade.

Já Edna Lacerda, presidente da Associação das Mulheres da Luta Camponesa, falou sobre as dificuldades específicas das mulheres do campo, que começam a trabalhar muito cedo, ainda na adolescência, e não têm pleno conhecimento de seus direitos trabalhistas. Ela mencionou também outros problemas das camponesas que são pouco conhecidos e discutidos, como a violência doméstica e os altos índices de depressão.

A ativista antiproibicionista, estudante de Pedagogia e militante LGBT Vita Pereira, por sua vez, foi contundente ao abordar questões como falta de direitos, agressões no ambiente escolar, discussões sobre gênero e sexualidade na escola, drogadição decorrente de marginalização, violência policial e sistema prisional. Ela também lembrou a importância da união. “O que fere o meu direito, fere o direito de todas as mulheres”, pontuou.

Finalmente, a advogada Nayara Costa debateu os desafios para a inserção das mulheres negras e jovens em um mundo profissional dominado por homens brancos de classe média alta. Nayara estuda o recorte étnico-racial desde a faculdade e apontou a questão da representatividade das mulheres negras em todos os espaços.

“Os magistrados e os colegas se mostram constantemente perplexos ao descobrirem, no tribunal ou no escritório, que a advogada sou eu. E nem é por mal. É uma questão de representatividade, porque, de um modo geral, não estamos presentes nesses ambientes”, concluiu.

O público participou ativamente das discussões, enfatizando a importância do envolvimento de homens e mulheres na luta pela igualdade de direitos. Ao final do encontro, Thainara Faria lembrou que incentivar o debate é uma das funções da Casa de Leis. “É preciso que a população ocupe o espaço da Câmara, que não se sinta excluída, que saiba que esta é a sua casa, o local onde pode ser ouvida”, enfatizou.

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