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Boi escancara grave situação da Saúde em Araraquara na Câmara

Segundo o vereador Dr. Helder, o problema seria os baixos salários pagos pela prefeitura aos médicos

José Augusto Chrispim

A sessão dessa terça-feira (26) da Câmara Municipal de Araraquara foi marcada pela fala do vereador Aluízio Brás (PMDB), o Boi, sobre a investigação proposta por ele sobre a grave crise vivida na área da Saúde na cidade, devido a um ‘esquema’ montado pelos médicos mais antigos, que segundo apurado por ele, não cumprem a carga horária mínima de 80 horas/ mês, mas acabam recebendo mesmo sem trabalhar, porque apresentam atestados médicos.
A situação é vergonhosa, são 70 médicos que possuem vínculos com as UPAs, mas tem dias que a Unidade de Pronto Atendimento Central trabalha com apenas dois profissionais por turno. O que se entende é que médicos contratados para trabalharem nas unidades de saúde existem, mas eles escolhem os dias e os horários que vão cumprir os turnos.
“Os médicos querem atender em seus consultórios particulares e têm a Prefeitura como ‘bico’, apenas. Eles não respeitam a população e nem a profissão”, disse Boi.
O documento com o relatório de todos os atestados médicos e das cargas horárias que foram cumpridas ou não pelos profissionais já foi protocolado na Câmara Municipal e será enviado para o Ministério Público (MP) nesta quarta-feira (27).

Falta de gerência
Em sua fala, Boi também ressaltou a falta de gerência da Prefeitura e da Secretaria de Saúde, que foram omissas na solução do problema que já se arrasta há tempos.
A Secretaria de Saúde já enviou pedidos de punição e demissão, mas aguarda o aval do Ministério Público e do Conselho Regional de Medicina. “Apesar da prefeitura já ter enviado os documentos, nada de concreto foi feito até agora para resolver o problema e os médicos continuam agindo como querem”, desabafou Boi.

“Vergonha na cara”
Em sua última sessão como presidente da Câmara antes de se afastar por 35 dias do cargo para se dedicar à campanha de deputado federal, João Farias foi enfático em dizer que a situação mostra que: “falta vergonha na cara de alguém”.
Farias direcionou parte da culpa à prefeitura que em sua opinião, não fez nenhuma interferência. “A responsabilidade também é do prefeito e do secretário de saúde que não fizeram nada para impedir a falta de comprometimento dos médicos. Temos 70 médicos contratados para trabalharem nas UPAs, mas o paciente não tem atendimento”.
Em uma recente sessão da Câmara, João Farias falou que não assinaria mais nenhuma Comissão Especial de Inquérito (CEI), mas ontem, ele disse que se o vereador Boi propuser uma sobre a Saúde, ele assina na hora.
Os médicos assinam o contrato de trabalho de 20 horas semanais nas UPAs, mas não cumprem, o que sobrecarrega os poucos doutores que honram o juramento da profissão.
“Se o problema deles é o salário, que peçam demissão e vão procurar outro emprego”, disse Farias.

Bancada Petista
Representando a bancada petista, o vereador Donizeti Simioni deu total apoio a denúncia feita por Boi e disse que o vereador peemedebista foi corajoso, e que a situação foi esclarecida agora por ele, pois até então, ela seria distorcida pela prefeitura, que sempre culpou a falta de candidatos nos concursos públicos pelo problema.
“O Ministério da Saúde repassa R$ 300 mil/mês para a Prefeitura pagar os médicos, mas o retorno ao cidadão é ruim”, disse Simioni.

Defesa da classe
Em sua fala, o vereador Dr. Helder que também é médico, culpou o que considerou como muito baixo, o valor pago aos médicos nas UPAs. Segundo ele, nenhum dos outros atendimentos de urgência da cidade tem problemas de falta de médicos, pois o valor de R$ 100,00/hora seria considerado justo por eles, porém, o valor de R$ 60,00 pago nas UPAs não seria aceito.
A fala do vereador do PPS deixou claro que o problema é o dinheiro, e que isso estaria acima dos compromissos com a profissão e com a população.
Mas em defesa da classe, o doutor disse que os números apresentados por Boi em um programa de rádio estariam errados, pois segundo o peemedebista, apenas 12 médicos estariam cumprindo a carga horária de 80 horas/mês. Para Helder, outros 33 também estariam cumprindo a carga mínima, mas como têm ‘muitos compromissos’, não poderiam cumprir os plantões.
Essa informação foi desmentida por Boi através de documentos que comprovam o alto número de atestados médicos apresentados pelos profissionais em questão.

Benefícios
Falando sobre o valor de R$ 60,00 pago por hora nas UPAs, Boi relatou com exclusividade à reportagem do O Imparcial, que com os adicionais como: tickets alimentação, 60% de adicional aos finais de semanas, adicionais noturnos, prêmio de urgências, insalubridade, assiduidade, convênio médico subsidiado, prêmio por horas de trabalho, adicional de periculosidade, FGTS, licença para faltas abonadas, férias e 13º salário, o valor médio chega aos R$ 100,00 pagos nos outros hospitais.

CEI
A denúncia classificada como ‘Cartel Branco’ envolvendo médicos horistas contratados para prestarem serviços nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Vila Xavier e Via Expressa, além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) usando atestados e faltas para não atenderem pode ser investigado por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). O pedido foi sugerido por vários vereadores durante a sessão dessa terça-feira, mas por ora, o caso será apurado somente pela Comissão de Saúde da Casa.

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