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Morte de morador do Oitis gera polêmica

Morte de morador do Oitis gera polêmica

Da redação

A morte do tratorista Willian Rodrigo Ferreira, de 31 anos, na noite desse domingo (5) no conjunto habitacional dos Oitis, na região do Jardim Iguatemi, gerou polêmica por toda cidade. O rapaz morreu depois de ser atingido por dois tiros ao entrar em luta corporal com um policial militar que havia sido acionado pela mulher dele.

Segundo o apurado, Willian teria chegado a seu apartamento alcoolizado e agredido a esposa, a podóloga Lais Lemos, com socos e tapas. Temendo que as agressões atingissem também as cinco crianças que estavam no imóvel, a mulher foi até o pátio do condomínio, onde encontrou uma viatura da Polícia Militar e pediu ajuda.

Os policiais foram até o apartamento, onde o tratorista estava transtornado e partiu para cima de um dos PMs que foi atingido com socos no rosto. Em seguida, o acusado teria tentado tirar a pistola do policial que, para se defender, foi obrigado a efetuar disparos que atingiram o tratorista. Willian chegou a ser socorrido pela equipe de Suporte Avançado do SAMU, mas não resistiu e morreu ao dar entrada na Santa Casa.

A Polícia Científica realizou a perícia no local dos fatos. A Polícia Civil apura o caso registrado como violência doméstica, homicídio, lesão corporal, ameaça e vias de fato. Segundo a Polícia Militar, a arma do policial foi apreendida para a perícia.

Revolta

Os moradores do residencial se revoltaram contra a ação da PM e passaram a hostilizar a equipe que pediu apoio. Várias viaturas foram encaminhadas ao local e foi necessário o uso de bombas de gás lacrimogênio para controlar a situação. Os manifestantes chegaram a queimar madeira impedindo o trânsito na rua em frente ao condomínio e apedrejaram um ônibus.

Local marcado pela violência

O conjunto habitacional dos Oitis que conta com 16 prédios e 256 apartamentos foi inaugurado em 29/10/2011. Passados os 2 primeiros anos, em 2013, o então vereador Geicy Sabonete (PSDB), denunciou o envolvimento de menores de idade com o tráfico de drogas e até com a prostituição no local. Na época, o jornal O Imparcial fez diversas matérias denunciando a situação calamitosa dos moradores do conjunto que tinham que sobreviver com criminosos, muitos deles, invasores de apartamentos abandonados pelos legítimos proprietários que preferiram voltar a pagar aluguel a continuar reféns do medo.

Várias operações policiais já foram realizadas no local durante esses quase 7 anos de inauguração do conjunto habitacional. Em uma delas, realizada em 30/5/2015, em parceria entre a Polícia Militar e a Polícia Civil, 11 pessoas, entre elas 6 menores de idade, foram detidas acusadas de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Com os suspeitos foram apreendidas centenas de porções de drogas e uma quantia em dinheiro. Em outro caso, um sargento da PM foi mordido no braço por um morador do local, acusado de praticar um roubo.

Apesar das operações constantes, a falta de uma ação mais ampla e efetiva dos poderes públicos, vem agravando a situação dos moradores de bem, que se sentem acuados pelos marginais e acabam sendo obrigados a fecharem os olhos aos crimes cometidos no local, principalmente os ligados ao tráfico de drogas, por medo de represálias.

Em 2013, o então secretário de Assistência Social do município, José Carlos Porsani, acionou o Ministério Público para tentar encontrar uma solução para o problema. Na época, uma operação conjunta entre Caixa Econômica Federal, Polícia Militar e Conselho Tutelar, entre outros órgãos envolvidos, foi requerida ao MP por Porsani, mas até hoje não saiu do papel.

No sábado, 28 de julho, o jovem Felipe Nascimento Cardoso dos Santos, de 21 anos, foi baleado no abdômen depois de uma discussão com o vizinho da irmã, moradora do local. Felipe chegou a ser socorrido para a UPA da Vila Xavier, mas não resistiu e faleceu. O acusado pelo homicídio era morador dos ‘predinhos’ e mantinha uma arma de fogo em casa, mesmo tendo deixado o sistema prisional há pouco tempo. O que mostra a falta de segurança dos moradores do local.

Repercussão

Em rede social, diversas pessoas deram suas opiniões sobre o ocorrido:

“A mulher foi salva ontem pela polícia. Hoje teríamos mais um feminicídio em Araraquara. Enquanto toda sociedade não entender que o crime contra a mulher atinge todas nós e a sociedade como um todo sendo impactante para a sociedade em todos os sentidos, não sairemos do lugar. Entendo que ele não matou um homem e sim deu direito a vida à mulher e aos filhos. Mulher tem Direito de viver sem violência!”, desabafou a advogada Carla Missorino.

“Como que o moço embriagado ia conseguir pegar a arma do policial, sendo que estavam em 02 policiais? bom eu acredito que cada pessoa vê de uma forma, posso estar enganada, o que tem que ter é investigação, e mais treinamento… briga de casais é o que mais eles atendem…e já falei com vários PMs, ficam frustrados porque em sua maioria, as mulheres acionam e depois elas mesmas não deixam agir..  até onde sei, eles têm treinamento para isto, tem até treinamento para confronto com quem está armado, bom mas não me cabe julgar, esta é minha opinião, dentro da minha liberdade de expressão, acredito que cabe a justiça apurar todos os fatos”, defendeu Sueli Vieira.

Já o conselheiro tutelar e especialista em prevenção ao uso de drogas, Márcio Willian Servino classificou o conjunto habitacional dos Oitis como uma bomba relógio. “Concordo com alguns dos post feitos aqui, e no meu, parto do princípio que o condomínio do OITS na região Sul da cidade há tempos tem sido uma bomba relógio a qual ninguém consegue desarmar ou resolver as mazelas e erros que foram feitos e que acontecem no local. Duas mortes em dois finais de semana torna-se a apenas a crônica de toda esta história ainda mais triste, pois a maioria das pessoas que ali residem são tidas como pessoas do bem que sofrem com a força do tráfico, uso de drogas por parte de alguns e outras vulnerabilidades. Não vou entrar nessa de quem é a culpa, se da Caixa Econômica por elaborar tal modelo de seleção e nem jogar na conta desse ou daquele prefeito. Para mim, todos são responsáveis, e todos incluindo a própria sociedade civil tem sua parcela, assim como algumas autoridades têm maior responsabilidade em intervir. Algo que me deixa atônito, é de pensar como fica a cabeça (imaginação das crianças e adolescente que moram no local), na semana passada o jovem negro Felipe foi morto e até agora nem uma notícia do criminoso. A pergunta que fica. Quantos mais terão que morrer para que algo seja feito?”, questionou Márcio.

A esposa do tratorista morto na ocorrência está sendo ameaçada nas redes sociais por pessoas que dizem que ela ‘matou’ o marido, quando chamou a polícia para defendê-la. A que ponto chegamos.

Ocorrências policiais são constantes no residencial dos Oitis. Foto: O Imparcial

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