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Jovem registra B.O. contra funcionário da Casa Transitória por racismo



Célia Pires Um jovem chamado Michael de Oliveira procurou a redação do O Imparcial para relatar que veio de São Paulo para Araraquara realizar um sonho de tirar a CNH. Enquanto buscava por um emprego ficou na Casa Transitória. Ele conta que foi com relutância que permitiram que ficasse. Michael diz ainda que com exceção […]

Para jovem, pessoas que destratam as outras gratuitamente não deveriam trabalhar com o público, principalmente aqueles que estão vulneráveis. “Usam e abusam do chamado pequeno poder”



Célia Pires

Um jovem chamado Michael de Oliveira procurou a redação do O Imparcial para relatar que veio de São Paulo para Araraquara realizar um sonho de tirar a CNH. Enquanto buscava por um emprego ficou na Casa Transitória. Ele conta que foi com relutância que permitiram que ficasse.

Ele diz que no pouco tempo em que permaneceu no lugar, observou muitas irregularidades, como pessoas que residem no local há anos sendo que a Casa é transitória.

Michael diz ainda que com exceção de dois ou três funcionários, o restante trata os outros como lixo. Ele presenciou um porteiro grisalho ser agressivo com uma das pessoas e nunca imaginou que iria passar pela mesma situação, pois desconhecendo que não poderia se sentar em uma das duas cadeiras que ficam na Casa, um porteiro de nome “Miguel” o chamou de preto, vagabundo, ‘fdp’ e que o lugar era só para funcionários sentar e, que pediu para um dos guardas colocá-lo para fora. O guarda que tinha observado toda a situação disse que não faria isso e orientou o jovem a falar com a assistente social do lugar.

Michael esperou até o outro dia para falar com a profissional e questionou se as pessoas ali costumavam tratar as outras (em situação de rua) como lixo, pois antes tinha visto o mesmo porteiro que o destratou, destratar uma outra pessoa.

Ele conta que a assistente social disse que realmente as pessoas tratavam essas pessoas dessa forma e ele diz que respondeu “Senhora, eu não. Não sou lixo”.

Michael conta que a assistente chamou o porteiro de Seo Miguel sendo que descobriu depois que o nome verdadeiro dele é Guilherme e que tem por volta de 50 anos ou mais. “Acredito que como as pessoas ficam ali por um curto período de tempo ela achou que eu ia ficar quieto e não cobrar meus direitos de ser respeitado. Não é porque estou em situação de rua que sou uma ameaça, não tenha nenhum estudo. A assistente me falou que nem de Araraquara sou. Sou do estado de São Paulo e acredito que posso conseguir algo em Araraquara”.

Para ele, quando a assistente social não tomou nenhuma posição ou providência em relação ao ocorrido foi conivente com o racismo do porteiro e para finalizar a situação disse que ele estava desligado do lugar. “Impotente e sem ninguém que me ajudasse decidi fazer um boletim de ocorrência denunciando o racismo do porteiro”.

Para ele, um lugar como a Casa Transitória não ajuda ninguém de forma efetiva, pois colocam a autoestima das pessoas abaixo do permitido. “Antes de qualquer coisa somos humanos e no mínimo merecemos ser respeitados como tal”

Ele disse que participou de uma das ‘OPs’ na cidade que discutiu discriminação.

O que diz a prefeitura

Prefeitura de Araraquara tem ciência do fato e está averiguando a situação a fim de tomar todas as medidas legais cabíveis.

O Centro de Referência Afro Mestre Jorge, ligado à Secretaria Municipal de Planejamento e Participação Popular, acompanhou o caso desde o início e atendeu segundo protocolo: encaminhou o caso à Defensoria Pública e solicitou apuração do fato junto à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, responsável pela Casa Transitória.

Por sua vez, a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social está apurando internamente o teor da denúncia, ouvindo todos os profissionais envolvidos na situação, com o propósito de solucionar o ocorrido.

Ambas as secretarias ressaltam que estão trabalhando de forma conjunta e têm como compromisso apurar e dar o devido encaminhamento a este fato e a todas as denúncias de racismo que se configurarem em espaços públicos.

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